Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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matemático, Poincaré é especialmente inspirado por toda a problemática das novas 
geometrias; a correcção das suas construções teóricas conduzia à pergunta: o espaço 
físico possui uma estrutura euclidiana ou não euclidiana? Para ele a resposta não estava 
na natureza dos axiomas formulados, eles não constituíam nem juízos sintéticos a priori 
nem factos experimentais, deveriam ser entendidos como convenções, livremente 
assumidas, desde que não contraditórias, escolhidas mediante as necessidades ou as 
observações experimentais. Não há uma geometria mais verdadeira que outra. Para 
Poincaré existem na ciência elementos «convencionais», todavia ela própria não tem um 
carácter convencional, pois a sua capacidade de previsão confere-lhe uma natureza 
objectiva. Objectividade que radica no facto de a ciência traduzir uma realidade comum 
a todos os homens, exprimindo-a através de um sistema de relações que são as leis 
científicas. Estas leis são submetidas ao controle empírico, a experiência é a única fonte 
de «verdade». Para o físico e matemático francês, renunciar a uma hipótese não era nada 
de dramático, bem pelo contrário, correspondia à ocasião inesperada de poder vir a 
efectuar uma descoberta. O convencionalismo defendido por Poincaré radica nas suas 
reflexões sobre o mundo físico e a natureza das leis da Física. A sua apreciação sobre 
todo edifício da Matemática construído ao longo do último século, levou-o a aceitar 
todo o programa de aritmetização, mas a levantar algumas dúvidas sobre a redução da 
aritmética à teoria dos conjuntos e à axiomática de Peano. Para Poincaré «os números 
naturais constituíam uma noção intuitiva fundamental» (Dieudonné,  1981: 60) que 
deveria ser entendida como o ponto de partida, não estando, portanto, sujeitos a 
fundamentações subsequentes. 
Em  Pierre Duhem  encontram-se traços comuns aos dois filósofos anteriores
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Partidário do convencionalismo, tal como Poincaré, defendia que uma teoria física era 
um sistema de proposições matemáticas, deduzidas de um número restrito de princípios 
com o objectivo de representar observações experimentais. Todavia esta teoria deveria 
estar sujeita, tal como Mach defendia, ao princípio da economia intelectual. A teoria 
seria tanto mais potente quanto mais numerosas fossem as leis que dela se pudessem 
derivar. Duhem descreveu as quatro operações sucessivas que permitiam construir uma 
teoria física (Duhem,  1981: 26): (1) escolha das propriedades físicas simples e dos 
símbolos das grandezas que as representam; (2) elaboração das hipóteses que podem ser 
                                                           
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 No domínio da Filosofia da Ciência a sua obra fundamental foi publicada em 1907 (Duhem 1981).  

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