Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



Baixar 5.02 Kb.
Pdf preview
Página5/305
Encontro25.04.2021
Tamanho5.02 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   305
História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[4] 
 
Ao surgir a ciência moderna, sobretudo no seio das novas instituições que eram as 
Academias (os novos centros de discussão e difusão dos conhecimentos em alternativa às 
velhas universidades medievais), estas instituições trataram logo de cuidar da sua própria 
memória, velando ciosamente pelo relato oficial das suas crónicas. As academias zelavam 
para que a personagem de cada sábio  conservasse o seu lugar na memória colectiva dos 
eruditos, passando a responsabilzar-se pela prosopografia referente aos seus membros. 
A Royal Society of London, criada em 1660, assistiu, uma escassa meia dúzia de 
anos depois, em 1667, a que um dos seus fundadores, o futuro bispo de Rochester
Thomas Sprat (1635-1713), publicasse a sua história 
The Royal Society of London for improving 
natural knowledge, da qual aparece a tradução francesa  em Genebra dois anos mais tarde, em 
1669. A Academia Real das Ciências de Paris, que aparecerá seis anos após a sua congénere 
inglesa, também não vai demorar muito a ter a sua história. Fontenelle  (1657-1747),  a 
partir de 1699, foi o seu secretário vitalício, passou, nesta qualidade, a ocupar-se, sobretudo 
e também, da história da instituição. Se, por um lado, foi o animador da grande publicação, 
principiada em 1720, 
Histoire de l' Académie Royale des Sciences, por outro, preocupou-se em 
reunir  os trabalhos da Academia e preservar a memória dos seus membros desaparecidos, 
franceses e estrangeiros. Sobre estes relatos, os célebres 
Éloges des Savants, alguns autores 
consideram-nas  
«autênticas obras-primas neste novo género de oração fúnebre laica (…) entre 
outros, por exemplo, o elogio de Newton, não é apenas o primeiro monumento 
de influência newtoniana em França; é também um dos principais ensaios de 
biografia intelectual  e o valor deste texto impôs-se de tal modo aos ingleses que 
eles próprios se apressaram a traduzi-lo na sua língua»
14
.   
A tradição dos elogios nunca foi interrompida na Academia Francesa, todos os 
secretários cumpriram este dever em relação aos membros desaparecidos, todavia, apesar 
da qualidade literária destas peças, na sua maioria, não constituem  um documento 
histórico objectivo, são um panegírico e representam muito mais uma pose para a 
posteridade do que uma análise cuidada e rigorosa do seu trabalho.  
O mesmo Fontenelle, no seu 
Éloge de Montmort, o matemático Pierre Rémond, 
senhor de Montmort, desaparecido em 1716, escreveu:  
«Trabalhava  há algum tempo na história da geometria. Cada ciência, cada arte 
deve ter a sua história. É muito agradável, e este prazer encerra grandes 
ensinamentos, ver o percurso que o espírito humano tomou e, para falar 
matematicamente, essa espécie de progressão, cujos intervalos são, de início, 
                                                           
14
 (GUSDORF, 1988: 54). 

1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   305


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal