Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[231] 
 
Salviati:  E a pedra que se encontra no topo do mastro, não se move ela 
também, levada pelo navio, ao longo da circunferência dum círculo à 
volta do centro? O seu  movimento é indelével, uma vez que sejam 
suprimidos todos os impedimentos externos? 
Simplício: Até aqui, tudo bem, mas o resto? 
Salviati:  Podeis tirar sozinho as últimas conclusões, tal como soubesteis  
colocar  as premissas. 
Simplício:  Quereis dizer que, como última  conclusão, se a pedra se 
movimenta com  um movimento indelével, não pode abandonar o navio, 
mas sim segui-lo,   caindo no mesmo sítio onde cairia quando o navio 
estivesse parado; e eu concordo, a não ser que impedimentos externos 
modificassem o movimento da pedra ao cair. E os impedimentos são dois: 
primeiro, o objecto móvel não pode romper o ar só com o   seu ímpeto,   
faltando-lhe o da força dos remos, do qual participava como parte do 
navio, ao estar no topo do mastro; segundo, o novo movimento de queda 
deve constituir um    impedimento ao outro movimento progressivo. 
Salviati:  Não nego que haja o impedimento do ar; e se o corpo que  cai  
fosse muito leve, como uma pena ou um floco de lã, o atraso seria  muito 
grande; mas quando se trata de uma pedra pesada esse atraso é muito 
pequeno: vós dissesteis há pouco que a força do vento, mesmo mais 
violento, não pode mover uma pedra grande; pensai agora no  que 
poderia acontecer quando o ar calmo encontre  a pedra e   não se 
desloque mais rápido do que o navio. Mesmo assim, concordo que um 
pequeno efeito   pode depender deste impedimento. E sei que vós também 
concordaríeis comigo  que, se o ar se movesse à  mesma velocidade do 
navio e da pedra, o efeito seria nulo. Em relação à outra questão, do 
movimento para
 
baixo. De início, é claro que os dois, quer dizer o 
movimento circular à  volta do centro e o movimento rectilíneo em 
direcção ao centro, não são contrários nem incompatíveis, nem se 
destroem um ao outro, pois, em relação ao móvel, não há repugnância 
alguma a este movimento composto: como vós dissesteis, só há 
repugnância com o movimento que afasta do centro e tendência 
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