Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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A História da “história das ciências”– percursos, ideias, 
actores, querelas…
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Foi só nos finais do século XIX,  ou nos inícios do século XX,  que a História das 
Ciências se definiu como disciplina:  delimitaram-se os seus conteúdos, entendeu-se a sua 
especificidade, iniciou-se  a sua afirmação institucional quer através do ensino superior quer 
pelo aparecimento de revistas que lhe foram consagradas, quer, ainda, pela sua introdução 
como tema em  secções dos congressos internacionais de ciências (de história?)  e de 
filosofia. Foi já em pleno século XX, no período entre guerras, que a disciplina de História 
das Ciências se institucionalizou no seio da comunidade científica internacional (cientistas, 
historiadores e filósofos) através dos seus Congressos Internacionais de História das 
Ciências de onde emergiram algumas figuras determinantes na afirmação desta área do 
conhecimento. Foi também neste período que se lançaram as bases conceptuais que hão-de 
permitir o desenvolvimento teórico desta área do conhecimento no pós segunda guerra 
mundial, ultrapassando-se as muitas memórias para passar a desenhar a sua própria história.  
No sentido de melhor explicitar o conteúdo do que a seguir se expõe, socorremo-
nos de uma citação: 
«[A História] tanto pode significar a «realidade vivida» num tempo e num espaço 
próprios, como o conhecimento dessa «realidade» ou das suas representações (…) 
por sua vez, o «conhecimento histórico» pode ter também vários significados ou 
graus, isto é, pode ser entendido como «conhecimento científico» (se aceitarmos 
que a história é uma ciência), resultante do trabalho de pesquisa do historiador 
para o narrar, interpretar (ou simplesmente compreender) e apresentar, 
geralmente de forma escrita (…) e pode ainda ter a forma de conhecimento, a que 
chamaremos «memória», que existe (embora nem sempre, dado que se verifica 
também a «ignorância histórica», que é afinal uma forma de memória ou de «não-
memória») em cada indivíduo, em cada grupo social, em cada grau etário…»
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.  
Está dada assim a chave  para se entender a diferença de acepções atribuídas a 
estes dois vocábulos, história e memória, muitas vezes tomados como sinónimos, mas aqui 
momentanemente separados, acima de tudo, pelo esforço do «conhecimento» ou pela 
necessidade da interpretação e compreensão.  Posto isto, talvez se possa dizer que tudo 
começou numa ampla colecção de memórias… 
                                                           
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NOTAS em construção do seminário de doutoramento em HFC e do qual se publicou uma versão mais 
curta:  FITAS, A.J.Santos (2009). História das Ciências: das Muitas memórias à necessidade da história. In II 
Jornadas de memória Militar – Os militares a ciência e as artes. Lisboa: Academia Internacional da Cultura 
Portuguesa. 17-39. 
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 (TORGAL et al., 1998:14). 

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