Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



Baixar 5.02 Kb.
Pdf preview
Página294/305
Encontro25.04.2021
Tamanho5.02 Kb.
1   ...   290   291   292   293   294   295   296   297   ...   305
História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[223] 
 
pouco demonstrarei que não só é possível, mas sim necessário. Também 
não se pode falar do segundo, pois o mesmo Aristóteles acha que o fogo 
sobe naturalmente com movimento rectilíneo, ao mesmo tempo que roda 
devido ao movimento diurno  a que o  próprio   céu obriga a participar o 
elemento   fogo e a maior parte do ar; ele não considera impossível 
misturar o movimento rectilíneo ascendente com o movimento circular, 
que  é comunicado ao fogo e ao ar pela concavidade da Lua, então não 
poderia considerar impossível misturar o movimento rectilíneo da pedra 
para baixo   com o movimento circular  que seria natural para o conjunto 
do globo terrestre, ao qual a pedra pertence. 
Simplício: Não acho que seja assim, pois quando o elemento fogo gira em 
conjunto  com o ar, é facílimo, aliás é necessário, que uma parte de fogo, 
ao subir, a partir da Terra, passando pelo ar móvel, receba deste o mesmo 
movimento, porque é um corpo tão leve,   subtil e muito fácil de ser posto 
em movimento; mas que uma pedra pesadíssima ou  uma bala de canhão, 
que caia de cima para  baixo sem qualquer obstáculo   seja transportada 
pelo ar ou por qualquer outro meio, isto é impensável. E há a experiência 
tão característica da pedra deixada cair do mastro do navio: a pedra, 
quando o navio fica parado, cai ao pé do mastro; mas quando o navio 
está em movimento, ela cai a uma distância da base igual aquela que   o 
navio andou durante a queda da pedra: o que serão umas   poucas 
braças,  se o  movimento do navio for rápido. 
Salviati: Há uma grande diferença entre    o caso do navio e o da Terra, 
supondo que o globo terrestre tem movimento diurno. De facto é claríssimo 
que o movimento do navio, que não lhe é   natural,   é acidental também 
para   todas as coisas que estão nele, portanto não é de estranhar que a 
pedra retida em cima do mastro, quando deixada cair, desça  sem que 
tenha  de seguir o movimento do navio. Mas a rotação diurna passa  por 
ser um movimento próprio e natural do globo terrestre e por consequência 
de  todas as suas partes, é-lhes impresso pela natureza, é-lhe indelével; 
mas mesmo assim a pedra que está no cimo da torre tem como instinto 
primitivo o  dar uma volta em torno do centro ao qual pertence     e exerce 
168 

1   ...   290   291   292   293   294   295   296   297   ...   305


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal