Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[214] 
 
movimento de rotação da Terra (o movimento «diurno»); o terceiro, o movimento de 
translação da Terra em torno do sol (o movimento «anual»); o quarto, a teoria das marés. 
A  Primeira Jornada  trata da ordem do Cosmos. À ordem aristotélica de um 
mundo composto por duas partes completamente distintas, sublunar e supralunar, 
caracterizados por movimentos distintos, Galileu opõe uma outra ordem, a de um mundo 
unificado nas suas diferentes partes e obedecendo aos mesmos princípios. Neste novo 
quadro ordenado de Galileu, o movimento rectilíneo é impossível: «Fora do repouso e do 
movimento circular, não há outro movimento que possa conservar a ordem»; «este 
movimento circular que conferis aos corpos celestes convém também à Terra». Os 
aristotélicos defendem a homogeneidade dos céus, onde não há alterações e onde os 
corpos são perfeitamente esféricos e lisos, e contra isto basta a Galileu mostrar as 
observações da Lua feitas pela sua luneta astronómica. Galileu censura os aristotélicos de 
acreditarem num mundo imutável e perfeito, enquanto toda a natureza está em permanente 
mudança e se renova. 
A Segunda Jornada
 vai ocupar-se do movimento de rotação da Terra. Galileu 
argumentará na defesa deste movimento cujo período é de vinte e quatro horas. Toda a 
argumentação de Galileu se desenvolve em torno do problema do movimento, onde este é 
entendido com uma natureza diferente da que lhe fora atribuída por Aristóteles: nega-se a 
ideia aristotélica que «todo o movimento implica um motor», o movimento é um estado 
relativo que depende do observador. E Galileu pinta o quadro final: « (SALVIATI, 
dirigindo-se a SIMPLÍCIO) Fechai-vos com um amigo na maior cabina sob a ponto de um 
grande navio e levai convosco moscas, borboletas e quaisquer outros animaisinhos que 
voem; muni-vos também de um recipiente cheio de água  com peixinhos; prendei  também 
um pequeno vaso cuja água cai gota a gota num outro colocado debaixo. Quando o navio 
está imóvel, observai cuidadosamente como os insectos voam igualmente em todas as 
direcções dentro da cabina, os peixes nadam em qualquer direcção e as gotas caem no 
mesmo vaso; se atirais qualquer coisa para ao vosso amigo, não tendes necessidade de o 
fazer com mais força numa direcção do que noutra, pois as distâncias permanecem as 
mesmas (...) fazei andar o navio à velocidade que queirais, desde que o movimento seja 
uniforme, sem qualquer balanço num sentido qualquer, não notarei a mínima alteração em 
todos os efeitos que se acabou de indicar; nenhum deles vos permitirá  dar conta se o navio 
está em movimento ou parado (...)»
19
. Embora o estatuto do movimento se altere, deixa de 
se definir como uma propriedade do corpo  e passa a ser um estado ocupado pelo corpo, 
Galileu nega o movimento rectilíneo infinito, obrigando todos os corpos ao movimento 
circular. É nesta Jornada que se encontra, pela primeira vez, os fundamentos do enunciado  
do Princípio da Inércia ou Primeira Lei de Newton que voltará a aparecer nos 
Discorsi
A  Terceira Jornada
  vai ocupar-se dos astros do sistema solar e do seu 
movimento em torno do Sol. O Diálogo inicia-se com a comparação das observações de 
medidas angulares de doze astrónomos sobre a «estrela nova de 1572  que apareceu na 
Cassiopeia», permitindo a Galileu mostrar que a estrela,  muito provavelmente, se 
encontrará na esfera das estrelas fixas o que permitirá concluir da corruptibilidade dos céus. 
São apresentados muitos cálculos detalhados. O modelo heliocêntrico é apresentado como 
                                                           
19
 GALILEI, Galileu, 
Dialogue Sur les deux grands Systèmes du Monde, (Trad. Francesa Completa dos Dialogo, 
1992), Paris, Edition du Seuil, pp (213-214). 

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