Ciencias (História das)



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2.  
O período florentino 
Em 1611, já em Florença, começa o que se pode chamar 
 o grande período 
polémico da vida de Galileu. A excitação dos meios culturais europeus perante as 
revelações do astrónomo da corte dos Medicis assumiu duas faces: uns ficaram 
maravilhados pelas descobertas, outros acusaram-no de ser traído por ilusões de óptica e 
ridicularizaram as suas observações. Em Roma o Padre Clavius declarou julgar que todas as 
coisas vistas estavam nas lentes e não nos céus... Em Praga, o astrónomo do Sacro Império 
Romano, Kepler, escreveu de imediato uma longa 
Discussão sobre o Mensageiro das Estrelas, em 
que aceitava as descobertas como reais. 
Em 23 de Março de 1611, Galileu fez a sua Segunda viagem a Roma, com o 
objectivo preciso de defender as suas observações astronómicas perante os seus opositores. 
A viagem foi coroada de sucesso, os quatro matemáticos do Sacro Colégio Romano, onde, 
entre eles, se encontrava Clavius, confirmaram a verdade das suas descobertas 
astronómicas. Foram quatro, os matemáticos jesuítas que assinaram formalmente este 
relatório: Clavius, Odo Maelcote, Christopher Grienberger e G.P. Lembo
9
.  Isto é, 
doravante Galileu poderia contar com o apoio dos Jesuítas. 
Em 1612 publica o resultado dos seus trabalhos sobre os corpos flutuantes, 
Discorsi intorno alle cose che stanno in su l’acqua o che in quella si muovono, onde alguns dos temas 
aqui tratados serão retomados mais tarde nos 
Discorsi. No ano seguinte,  em 1613,  saiu a 
sua obra 
Istoria e Dimostrazione intorno alle Macchie Solari que constitui uma polémica indirecta 
com um padre sobre a natureza do fenómeno das manchas solares. Galileu critica o 
princípio da incorruptibilidade dos céus e estabelece uma analogia entre os fenómenos 
solares e os terrestres, acabando por levantar a questão da hipótese coperniciana. A partir 
desta data a sua actividade será condicionada sobretudo pela luta em prol da aceitação do 
sistema coperniciano, actividade que cessará forçosamente com a sua condenação em 1633. 
                                                                                                                                                                          
que  “(...) un Padre Giesuita Portughese havera hora trovato un instrumento, come horivolo con polvere, da poter con esse 
osservare le longitudini delle citá et altri parti del mondo(...)”» (CARVALHO, Joaquim, 1943, Galileu e a cultura 
portuguesa sua contemporânea, BIBLOS, vol.XIX, 399-451); e o autor citado conclui -«tenho por sem duvida que se 
trata de Cristovão Borri, ou Bruno». Poder-se-á dizer que o padre Borri foi o principal concorrente que Galileu 
encontrou, em Portugal, como candidato ao prémio da determinação da longitude.»(Fitas, A.J., 2000, 

revolução científica do século XVII E OS autores portugueses: introdução, difusão,  inovação, in Francisco Martins Ramos 
(coord.), Homenagem ao Professor Augusto da Silva, Évora, Universidade de Évora). 
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 Christoph Grienberger e Giovanni Paolo Lembo   ensinaram em Lisboa na «aula da Esfera do Colégio de 
Santo Antão durante os períodos 1599-1602 e 1615-1617, respectivamente. (ALBUQUERQUE, Luís, 1972, 
A «Aula de Esfera» do Colégio de Santo Antão no século XVII, Anais da Academia Portuguesa de História, s.2,XXI, 
335-391; BALDINI,  Ugo, 2000,  
L'insegnamento della matematica nel Collegio di S.Antão a Lisbonna, 1590-1640, in 
Actas do Colóquio Internacional «A Companhia de Jesus  e a Misssionação no Oriente, Lisboa, 275-310). 

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