Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[209] 
 
Não houve plágio algum na questão do óculo, de qualquer modo um episódio 
existe, ligado à prática científica de Galileu em Pádua, onde este é acusado de se ter 
apropriado de ideias de outros, mas que nada tem a ver com o óculo.  O folheto sobre o 
uso do compasso militar foi impresso em italiano em 1606 e, no início de 1607, Baldassar 
Capra (antigo discípulo do pai de Galileu) publicou um plágio deste livro em latim. Este 
autor sugeria que a ideia lhe tinha sido roubada. Galileu recorreu aos testemunhos de Sarpi 
e de outros que tinham sido seus alunos e que declararam  que o ensino deste instrumento 
datava de 1597, época em que o instrumento já era fabricado por Galileu. As cópias das 
instruções manuscritas pelo próprio Galileu foram exibidas e este intentou uma acção 
conta Capra através dos dirigentes da Universidade, cujo resultado foi a expulsão do 
plagiador e a confiscação do livro que publicara. Este incidente deixou marcas em Galileu, 
obrigou-o a ser menos liberal na forma como facultava as informações sobre as suas 
descobertas e mais céptico quanto à boa fé dos seus rivais. Sobre este episódio escreveu 
Drake: «
E apesar de publicar um relatório sobre o assunto, o simples facto de ter sido acusado de roubar 
uma invenção foi usado, mais tarde, pelos seus adversários para lançar suspeitas no assunto mais 
importante que era o uso astronómico do telescópio»
7
.   
Galileu continuou a aperfeiçoar o óculo, 
aumentado a sua potência, pois o seu objectivo era 
olhar os céus e em Março de 1610 publicou os 
resultados das suas observações astronómicas na 
obra 
Sidereus Nuncius  (O Mensageiro das Estrelas). 
Nesta obra, Galileu descreve: -o carácter 
montanhoso da Lua, o que corresponde a uma clara 
prova observacional contra a tese aristotélica que 
defendia a incorruptibilidade dos céus; mostra a 
existência de inúmeras estrelas e das enormes 
distâncias entre elas; -anuncia a descoberta dos 
quatro satélites de Júpiter, o que permitia, por 
analogia, dar plausibilidade observacional à hipótese 
coperniciana de que  a Terra e a Lua giravam em 
redor do Sol, tal como acontece com  Júpiter e os 
seus quatro satélites. Galileu supôs que a observação 
dos satélites de Júpiter poderia permitir uma 
aplicação prática muito importante: a determinação da longitude de um navio no mar alto. 
Quer o governo espanhol quer o governo holandês ofereciam na época um excelente 
prémio pecuniário a quem resolvesse o problema da determinação da longitude e o sábio 
pisano tentou, em vão, ganhá-lo. Mesmo depois da sua condenação, em 1633, Galileu 
continuará a manter negociações sobre a utilização das suas descobertas para a 
determinação da longitude
8
...  
                                                           
7
 DRAKE, S, 1981, 
Galileu, Lisboa, Publicações Dom Quixote, p. 71 
8
  «As viagens marítimas de longo curso vieram levantar a necessidade de determinar esta coordenada 
geográfica. Na Holanda oferecia-se um prémio de 25000 florins a quem indicasse um método, susceptível de 
ser utilizado na navegação, para a determinação do meridiano. E Galileu procurou afanosamente esse 
método, informando-se de outros métodos existentes que poderiam concorrer com o seu. Escreve Joaquim 
de Carvalho: «
Entre estes conta-se, pelo menos, o que Francesco Stelluti lhe comunicou por carta a 2 de Dezembro de 1628, 

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