Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[139] 
 
Está definida a constante de proporcionalidade como uma função da massa gravítica; 
é nesta proposição que Newton enuncia a Lei da Gravitação Universal  e, como assinala 
Chandrasekhar, das catorze proposições (teoremas) desta secção, esta é a única em cujo 
final de demonstração Newton coloca a marca "Q.E.D", 
Quod erat demonstrandum.  
Completou-se assim o raciocínio que possibilitou concluir que a força de atracção 
gravítica sobre um corpo de massa é dada pela tão conhecida expressão analítica: 
r
u
r
mM
F
2
γ

=
 
É alicerçado nos postulados ditados pela natureza, base de toda a Mecânica Clássica, 
que Newton chegou finalmente à formulação de uma lei natural que unifica o mundo 
terrestre com o mundo dos astros, uma lei que explica o movimento da queda da maçã à 
superfície da Terra  e  a trajectória de qualquer planeta do Sistema Solar. Esta unificação 
permite tirar uma conclusão mais arrojada: onde quer que se encontrem no universo
quaisquer massas devem atrair-se de acordo com a  mesma Lei.  
Encontrada a expressão da gravitação, Newton vai, com base em toda a teoria já 
desenvolvida, estudar uma série de problemas relacionados com a interacção entre os 
diferentes astros e também o movimento dos cometas. Um desses problemas é a 
explicação do fenómeno das marés, afirmando no seu TEOREMA XIX, 
«Que o fluxo e refluxo do mar resultam da acção do sol e da lua.» (PRINCIPIA: 
435).
 
O Livro III, a obra os Principia,  termina com o 
General Scholium, onde Newton 
escreve:  
«Até agora explicámos os fenómenos que ocorrem nos céus através do poder da 
gravidade, mas não expusemos a causa do seu poder. É certo que deve provir de 
uma causa que penetra bem no âmago do sol e dos planetas, sem sofrer qualquer 
diminuição da sua força (…) mas até agora não fui capaz de descobrir a causa das 
propriedades da gravidade a partir dos fenómenos e não finjo hipóteses [I frame 
no hypothesis]; pois tudo o que não se possa deduzir dos fenómenos deve 
designar-se por hipótese; e hipóteses, quer sejam metafísicas ou físicas, quer sejam 
qualidades ocultas ou mecânicas, não são permitidas na filosofia experimental. 
Nesta filosofia, proposições particulares inferem-se a partir dos fenómenos e, 
seguidamente, tornadas gerais a partir da indução (…) e agora poderemos 
adicionar qualquer coisa que diga respeito a um espírito mais subtil que invada  e 
permaneça escondido em todos os corpos; as partículas que constituem os corpos 
atraem-se entre si a curtas distâncias, e aderem, caso sejam contíguas; os corpos 
eléctricos actuam a distâncias maiores, repelindo ou atraindo os corpúsculos 
vizinhos; e a luz é emitida, reflectida, refractada, inflectida, e o calor dos corpos 
(…) Mas estas são as coisas que não podem ser explicadas em poucas palavras, 
nem possuímos experiências suficientes que permitam uma determinação e 
demonstração rigorosas das leis que regem a acção dos espíritos eléctricos e 
elásticos » (PRINCIPIA: 546).  
Esta transcrição dá uma boa ideia do programa Newtoniano que se pode sintetizar 
do seguinte modo: organizar, deduzir matematicamente e reelaborar leis a partir de 
fenómenos conhecidos mas aparentemente independentes entre si; criar novos conceitos; 
obter previsões numéricas pormenorizadas e compará-las com os valores medidos. Um  

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