Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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Esta parecia ser a única forma capaz de materializar a  acção à distancia... Já Galileu, 
na parte final da terceira Jornada dos seus 
Diálogos procurara discutir as particularidades dos 
movimentos da Terra procurando relacioná-los com o facto desta ser um magnete gigante, 
invocando amiúde o trabalho de Gilbert.  
Para Kepler, a aceitação do movimento dos planetas em torno do Sol obrigava a que 
este astro fosse o centro de forças magnéticas. Kepler concebia o Sol como animado de 
movimento de rotação, «
movimento que transmitia aos planetas por intermédio de uma 
species 
imaterial, análoga, por sua vez, à luz e à força magnética» (KOYRÉ, 1968: 14). Esta species 
atravessaria o espaço e, à medida que se afasta do Sol, o seu efeito vai enfraquecendo, o 
que explicava o movimento mais lento dos planetas mais afastados. Há uma certa analogia 
entre esta fonte de movimento e a propagação dos raios luminosos (DUGAS, 1988: 215), 
pois, relembre-se Euclides, a intensidade da luz emitida por uma fonte varia na razão 
inversa do quadrado da distância a esta. Daí que Kepler, arrastado por esta semelhança, 
suspeite que a acção proveniente do Sol
virtus movens, e sentida pelos diversos planetas, 
deve respeitar a lei do inverso do quadrado das distâncias. Kepler fica-se pela suspeita 
porque, devido a erros de cálculo e à sua concepção aristotélica do movimento, é impelido 
para uma força proporcional ao inverso da distância. De qualquer modo, embora muito 
perto da solução que Newton virá a encontrar, seria impossível ao astrónomo polaco 
vislumbrá-la, visto que  a sua força magnética não é de forma alguma uma alternativa para a 
gravitação: «(...) 
ela não é responsável pela manutenção dos planetas nas suas órbitas (...) para Kepler, tal 
como para Aristóteles, o movimento circular é um movimento simples e natural (...)» (KOYRÉ, 1968: 
14). 
Descartes substituía o 
virtus movens de Kepler pelo seu éter pleno de vórtices. O 
filósofo francês renegava a interacção à distância no vazio, substituindo todo o espaço por 
qualquer coisa como um líquido cheio de turbilhões que seriam os responsáveis pelo 
transporte dos planetas no seu movimento em torno do Sol. Embora senhor de 
ferramentas analíticas para tratar os problemas geométricos, Descartes não fez qualquer 
tentativa para explicar as célebres Leis de Kepler, no sentido de as adaptar ao seu sistema. 
Hooke, num artigo publicado em 1674 e intitulado 
An Attempt to prove the annual 
Motion of the Earth, aderia, sem qualquer prova, à hipótese de acção à distância entre os 
planetas :  
«Todos os corpos celestes, sem excepção, exercem uma força[power] de atracção 
ou peso que é dirigido em direcção ao seu centro, em virtude do qual não só 
mantêm as suas próprias partes, impedindo que eles se soltem, tal como podemos 
ver para o caso da terra, mas também atraem todos os corpos celestes, o que 
acontece dentro da sua esfera de actividade. Por exemplo, não só o Sol e a Lua 
que actuam sobre o movimento da Terra, na mesma forma em que esta actua 
sobre eles, mas também Mercúrio, Vénus, Marte Júpiter e Saturno têm, devido à 
sua força [power] de atracção, uma influência considerável no movimento destes 
corpos» (in DUGAS, 1988: 216).  
Hooke acabou por defender, influenciado pela analogia óptica, que o valor da 
atracção variava na razão inversa do quadrado da distância. Halley, o grande instigador da 
publicação dos 
Principia, aplicou alguns teoremas enunciados por Huygens sobre a força 
centrífuga, publicados sem demonstração no final da obra 
Horologium Oscillatorum, à 

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