Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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corpo movido, mas o movimento relativo pode ser gerado ou alterado sem 
qualquer força impressa sobre o corpo. Pois é suficiente somente imprimir uma 
força qualquer sobre os outros corpos com os quais o primeiro é comparado para 
que, pela sua cedência, essa relação possa ser alterada, consistindo ela no repouso 
ou movimento relativo desse outro corpo (...)» (PRINCIPIA: 10).  
O seu argumento essencial reside no facto de que existem forças reais e que estas 
provocam um movimento real e identificável em relação a todos os outros movimentos 
existentes quando da ausência de forças.  No entanto, perante o que já se sabe  das 
definições arroladas por Newton, força é um conceito impreciso e que surge intuitivamente 
de uma certa analogia com a força muscular; então, como é que o critério da força real 
permite distinguir entre movimento verdadeiro e relativo?   
Se a causa é a força aplicada, quais serão os efeitos? Newton responde:  
«Os efeitos que distinguem o movimento absoluto do relativo são as forças de 
afastamento do eixo do movimento circular. Pois não existem tais forças no 
movimento circular puramente relativo, mas no movimento verdadeiro e absoluto 
elas são maiores ou menores de acordo com a quantidade do movimento (...)»  
(PRINCIPIA: 10).
 
Este é o essencial do raciocínio de Newton, o movimento circular absoluto tem 
como efeito o aparecimento de uma força centrífuga; se existe um referencial em relação ao 
qual se possa identificar a existência desta força, está identificado experimentalmente o 
referencial absoluto ou o espaço absoluto. É neste passo do 
Scholium que Newton expõe a 
célebre experiência do balde que se apresenta no QUADRO I. 
No final da passagem 3 da sua experiência, Newton concluiu: primeiro, que a 
superfície livre da água é côncava, existindo, então uma força responsável por essa 
deformação; segundo, o facto de a água estar em repouso em relação ao balde mostra que o 
movimento relativo não pode estar associado à força centrífuga; terceiro, a força centrífuga, 
responsável pela concavidade, está relacionada com o movimento de rotação da água em 
relação ao espaço absoluto. Os argumentos são controversos e o próprio Newton 
reconhece que  
«É, na verdade, um assunto de grande dificuldade descobrir e, efectivamente, 
distinguir, os movimentos verdadeiros dos corpos dos aparentes, porque as partes 
desse espaço imóvel, nos quais os movimentos são realizados, não são observadas 
de algum modo pelos nossos sentidos (...)» (PRINCIPIA: 12).  
Uma experiência análoga à descrita por Newton pode servir de contra-exemplo, ei-la: 
num balde, suspenso de uma corda comprida que está completamente torcida, é colocado no seu interior, e 
ajustando-se perfeitamente à sua cavidade  um molde de uma substância rígida, por exemplo madeira; o 
balde ao ser largado do repouso, conjuntamente com o molde, rodará em torno do mesmo eixo mas em 
sentido contrário e quando a corda deixar de estar torcida, o balde continuará por algum tempo com o 
mesmo movimento; o balde comunicará  gradualmente  o seu movimento ao molde, não se alterando a 
superfície livre da madeira, até por fim rodarem os dois  simultaneamente, encontrando-se ambos em  
repouso relativo. Conclusão: primeiro, a superfície livre da madeira não é côncava, é plana, 
então não há qualquer deformação que permita supor a existência de uma força (o que não 
significa que não exista e não se manifeste em efeitos não observáveis directamente); 
segundo, o facto de não se identificar uma força centrífuga (através da observação directa) 

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