Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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de uma região do espaço, negar a sua existência. A existência do espaço absoluto 
corresponde a uma generalização filosófica, dos espaços relativos. Para Newton, o espaço 
absoluto era necessário, como generalização conceptual, e atribuía-lhe realidade física 
porque estava fora da capacidade empírica do homem provar a sua não existência. 
A hipótese do espaço e tempo absolutos
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  constituiu uma necessidade teórica sobre a 
qual se construiu toda a física clássica,  
«enunciada por Newton com demasiada ostentação para ser ignorada pelos seus 
contemporâneos, esta hipótese acabou, no entanto, por assumir um papel mais 
discreto (...)» (VERLET, 1993: 358), 
 
de tal modo que os físicos do séc.  XIX a aceitaram sem lhe prestar grande atenção, 
excepção feita a Mach. Só no dealbar do séc. XX,  Einstein, mercê de fortes incoerências 
aparecidas no edifício da Física Clássica, sobretudo na relação entre a Mecânica e o 
Electromagnetismo, avança com uma proposta capaz de substituir todo o quadro teórico 
erigido por Newton.  
No final dos 
Principia, no seu General Scholium, Newton escreve  
«Ele [Deus]  permanece para todo o sempre e está presente por todo o lado, e por 
existir sempre e por todo o lado, constitui a duração e o espaço (...)» 
(PRINCIPIA[TA]: 545).  
Para Newton, o espaço e o tempo comum eram conhecidos a partir das medidas relativas 
efectuadas com réguas e relógios, mas, para além destas quantidades, existiam um espaço e 
tempo verdadeiros, matemáticos e absolutos, fora de  qualquer realidade experimental, 
metafisicamente entendidos como existindo sempre e por todo o lado, só testemunhados 
pela presença dessa entidade que «
governa todas as coisas, não só como a alma da natureza, mas 
como o Senhor de tudo» (PRINCIPIA[TA]: 544). 
No final do 
Scholium, Newton distingue entre movimento verdadeiro e relativo e 
entre movimento absoluto e relativo, usando para tal a  relação entre a força aplicada ao 
corpo e o seu efeito, o movimento provocado. Newton refere-se, pela primeira vez, à 
relação entre a força e o movimento sem ainda ter enunciado as leis da dinâmica.  
Como se viu na secção anterior, a primeira lei  da axiomática newtoniana pressupõe 
para a sua verificação a existência de uma determinada classe de referenciais. São 
referenciais privilegiados nos quais a alteração do estado de movimento do corpo implica a 
detecção de força. O problema fisicamente importante reside em identificar estes 
referenciais sem conhecer a força ou, ainda, como identificar experimentalmente estes 
referenciais. A prova da sua existência corresponde a distinguir o movimento absoluto do 
relativo, encontrar a diferença entre, respectivamente, o deslocamento no espaço absoluto e 
no espaço relativo.  
Newton escreve,  
«As causas pelas quais os movimentos verdadeiros e relativos se distinguem entre 
si, são as forças impressas nos corpos que geram movimento. O movimento 
verdadeiro não é gerado nem alterado a não ser por alguma força impressa ao 
                                                           
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 Uma das polémica mais célebres em torno destes conceitos foi a que se estabeleceu entre Leibniz e Clarke, 
um discípulo de Newton, onde o problema do espaço absoluto sobressai como uma das questões de maior 
protagonismo filosófico, cf  FITAS,A.J.,  1993, 
Uma Controvérsia na História da Física, Vértice, 56, 1993, 49-61. 

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