Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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resultam alguns preconceitos que para serem removidos, será conveniente 
distingui-los em absolutos e relativos, verdadeiros e aparentes, matemáticos e 
comuns» (PRINCIPIA: 6).  
E, porque estes conceitos são do conhecimento de todos, Newton evita formalizar 
um novo conjunto de definições que engrossasse o conjunto prévio com que abrira os 
Principia  (é o que acontece na terceira edição...). Não define espaço e tempo, lugar e 
movimento, desenvolvendo um longo comentário de sete páginas, onde procura clarificar 
estas noções, eliminando alguns preconceitos. 
Dissertando sobre o espaço, Newton começa por afirmar,  
«O espaço absoluto, na sua própria natureza, sem relação com algo externo, 
permanece sempre igual e imóvel. O espaço relativo (…)que, para os nossos 
sentidos, é determinado pela sua posição em relação aos corpos, espaço que 
normalmente é tomado como espaço imóvel: é o que se passa com uma extensão 
espacial subterrânea, aérea ou celeste determinada pela sua posição em relação à 
Terra. » (PRINCIPIA: 6).  
A ideia de espaço relativo dada por Newton é aquilo que hoje se entende por um 
sistema de referência, três eixos (...e um relógio se se considerar o tempo), que qualquer 
observador tem que usar para poder estudar o movimento; é elucidativo o exemplo da 
dimensão de um túnel, entendida como a diferença de posição, num determinado instante, 
em relação à terra, ou seja ao sistema de eixos que é o referencial.  Quanto à referência ao 
espaço absoluto, nada foi adiantado, pois é qualquer coisa que permanece sempre igual e 
imóvel; mas, igual e imóvel em relação a quê?   
Newton sabe que o espaço é homogéneo e, perante os nossos sentidos, as suas partes 
são indistinguíveis à nossa percepção. Contudo, esta entidade tem que ser alvo de medidas, 
sem as quais é impossível falar em movimento. Assim escreve,  
«(...) porque as partes de espaço não podem ser vistas, ou distinguidas umas das 
outras, pelos nossos sentidos, em seu lugar usamos medidas sensíveis delas. 
Porque, a partir das posições e distâncias das coisas a um corpo qualquer 
considerado imóvel, definimos todos os lugares; em seguida,  em relação a esses 
lugares, estimamos todos os movimentos, considerando os corpos como 
transferidos de alguns desses lugares para outros. E assim, em vez dos lugares e 
movimentos absolutos, usamos os relativos; fazêmo-lo vulgarmente sem qualquer 
inconveniente, mas, em Filosofia, devemos abstrair-nos dos nossos sentidos e 
considerar as coisas tais como são, diferentes  das suas medidas sensíveis. Pois, 
pode acontecer que não haja nenhum corpo realmente em repouso, em relação ao 
qual os lugares e movimentos dos outros possam ser referidos (...)» (PRINCIPIA: 
6).   
O que significa que os espaços relativos são os nossos sistemas de eixos, aqueles nos 
quais efectuamos as medidas. Estes espaços movem-se uns em relação aos outros. Logo, 
numa generalização, pode colocar-se a seguinte questão: será que não existe um sistema 
qualquer em relação ao qual todos os outros se movem? E Newton responde que «
em 
Filosofia, devemos abstrair-nos dos nossos sentidos e considerar as coisas tais como são, diferentes  das suas 
medidas sensíveis», em última análise existirá um espaço absoluto imóvel que corresponde ao 
sistema de eixos absoluto e não está ao nosso alcance, baseados no conhecimento limitado 

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