Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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força centrípeta. Uma questão se impõe: no comentário de Newton à Definição IV já tinha 
sido colocado como exemplo de uma força aplicada a força centrípeta, qual o motivo para 
uma definição particular deste tipo de força? Resposta: «
Parece que Newton olhava para a força 
centrípeta como uma força de maior importância que todas as outras» (JAMMER, 1957: 122).  A nota  
à Definição V, conforme escreveu Newton, inicia-se deste modo,  
«Desta espécie é a gravidade, pela qual os corpos tendem para o centro da terra; é 
o magnetismo, através do qual o ferro tende para a magnetite(...)» (PRINCIPIA: 
2), 
 
o que é bastante revelador do que motivava o autor dos 
Principia a dar uma especial atenção  
à força centrípeta. 
Assim pode concluir-se: primeiro, as considerações tecidas por Newton sobre o 
conceito de força estão metodologicamente relacionadas com os seus estudos sobre a 
gravitação (a explicação dinâmica dos movimentos planetários, dados pelas três leis de 
Kepler,  era o grande problema da época, ocupava Newton, Hooke, Halley, Leibniz e já 
ocupara Huyghens e Descartes); segundo, Newton é impreciso na definição do conceito de 
força, jamais o define, procurando associar a certos efeitos a existência de uma grandeza 
que passa  a designar por força, é um conceito dado 
a priori, surge intuitivamente de uma 
certa analogia com a força muscular e a percussão;  terceiro, também o conceito de massa 
aparece definido de uma forma bastante equívoca, ao ponto de, como já se escreveu,  
definir duas grandezas que são a quantidade de matéria ou massa gravítica (grandeza 
presente na expressão da Lei da Gravitação universal) e a massa inercial. Sobre estas duas 
grandezas (massa inercial e massa gravítica):  
«Devemos salientar o carácter experimental de uma tal identificação . A sua razão 
profunda, teórica, é inexplicável no domínio da mecânica newtoniana. A Mecânica 
Clássica aceitou como um facto da experiência a identidade das duas massas mas 
nunca pôde explicá-lo. A explicação só apareceu com Einstein no 
desenvolvimento da sua teoria da relatividade». (SILVA, s.d: 22)
 
Entre as definições referidas e o enunciado dos três axiomas, Newton desenvolveu 
um conjunto de considerações num 
scholium, talvez as páginas dos Principia até hoje mais 
analisadas, com o propósito de caracterizar o que é tempo absoluto, verdadeiro e 
matemático, espaço absoluto e relativo, movimento absoluto e relativo. Porque nos 
comentários aqui desenvolvidos por Newton está implícito o conhecimento das leis de 
mecânica, passaremos  à discussão do significado destas leis. Em seguida retomar-se-á a 
análise do 
scholium
Retorne-se agora ao enunciado das três leis de Newton.  
O  primeiro axioma, ou Primeira Lei, é vulgarmente interpretada como a Lei da 
Inércia. Esta lei é o culminar de um ponto de ruptura muito importante com a física pré-
galileana ou aristotélica. Nesta concepção o movimento era entendido como um processo, 
um desenvolvimento, que alterava as características inerentes ao corpo, opondo-se ao 
repouso que correspondia à ausência desse processo. Depois de Galileu movimento e 
repouso são indiscerníveis, deixaram de afectar os atributos dos corpos, só podem ser 
definidos quando em relação com outros corpos. No universo newtoniano, esta lei associa 
a alteração do movimento de um corpo, enquanto estado, ao aparecimento de uma 

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