Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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Mário Silva, em opúsculo que escreveu bastante mais tarde, diz que apenas se 
realizaram as lições dos quatro primeiros professores nomeados (SILVA, 1971:153); assim, 
pela organização exposta, poder-se-á deduzir que a sabotagem do curso deverá ter caído 
sobre toda a «Introdução Filosófica» e os dois últimos capítulos da 
«Introdução Física». 
Guido Beck  foi poupado, parcialmente, à sabotagem, encarregando-se de tratar «O 
problema da Física Teórica» e a «Mecânica Quântica», cabendo-lhe, deste modo, a abertura 
do ciclo de conferências com o primeiro título. Como Vicente Gonçalves se encarregou da 
«Aparelhagem matemática da Teoria dos Quanta» (C-420220), resta a informação de que 
Diogo Pacheco de Amorim  e Manuel dos Reis  falaram sobre «Diferentes aspectos da 
Mecânica clássica» e «Evolução da Electrodinâmica clássica». 
Ao reler-se o texto da sua conferência de abertura, primeiramente publicado num 
número habitual da Revista da Faculdade de Ciências e posteriormente editado em separata 
(C-420823a), rapidamente nos apercebemos de qual é a cumplicidade aceite por Beck sobre 
um certo cunho filosófico a imprimir às conferências. Nesta conferência o autor dá, não só 
a perspectiva do que entende por Física Teórica, como também o conteúdo daquilo que 
considera ser o programa de investigação actual desta disciplina (este é o seu contributo 
filosófico). Falava um praticante do ofício e para os portugueses, aquilo que ouviam, era de 
facto uma novidade: 
«Je veux d’abord insister sur deux notions qui se présentent: celle de l’ensemble des 
mesures expérimentales dans un certain domaine de phénomènes et celle de l’image 
théorique qui permet de classifier ces phénomènes et de prédire, qualitativement ou 
quantitativement, le résultat d’une mesure dans ce domaine (…) Le but de la 
physique théorique est de décrire l’ ensemble des phénomènes physiques. Nous ne 
savons pas si une telle description est réalisable et quelles difficultés s’ y opposeront 
(…)» (BECK, 1942b). 
Eis uma novidade, não só para os físicos matemáticos, mais habituados à 
conjectura sobre os utensílios matemáticos do que à sua adequação à realidade 
experimental que, na generalidade, não conheciam, como também para os físicos, se não 
para todos pelo menos para alguns (C-430224), que olhavam para a pesquisa experimental 
sem a perspectiva duma descrição fenomenológica de conjunto, limitando-se, em muitos 
casos, a coleccionar dados. Para Beck  um fenómeno físico traduzia-se em medidas 
experimentais redutíveis, na sua expressão, às três grandezas essenciais, espaço, tempo e 
massa (qual o motivo porque Beck não considerou a massa, de acordo com o princípio de 
Mach, como uma grandeza derivada?). E, sem procurar tirar grandes ilações filosóficas, até 

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