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 Educação Popular em Saúde



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2.5 Educação Popular em Saúde

 

 

O  Brasil  foi  pioneiro  na  construção  do  método  de  Educação  Popular  o 



que  justifica  em  parte  a  sua  importância  na  redefinição  das  práticas  sociais 

dentre os mais variados campos do saber. Na década de 1950 ela começou a 

se  estruturar  junto  aos  intelectuais  e  educadores  ligados  igreja  católica  que 

foram  inspirados  pelo  humanismo  personalista  da  Europa  pós-guerra,  que  se 

dedicavam  às  questões  populares.  Paulo  Freire  foi  o  pioneiro  no  trabalho  da 

sistematização  teórica  da  Educação  Popular,  seu  livro  “Pedagogia  do 

Oprimido” 

datado 


de 

1966, 


tem 

grandes 


repercussões 

mundiais. 

(VASCONCELOS, 2004).

 

 



Amplamente  praticada  nos  países  da  América  Latina,  sobretudo  no 

Brasil,  a  educação  popular  engloba,  além  da  alfabetização,  a  busca  da 

conscientização  do  cidadão  e  a  igualdade  social.    O  pernambucano,  Paulo 

Freire,  desde  a  década  de  60  lutava  para  acabar  com  a  desigualdade.  Vem 

dele  a  inspiração  usada  por  italianos,  espanhóis,  finlandeses,  alemães, 

americanos  e  até  japoneses  para  lidar  com  seus  excluídos,  baseados  nos 

princípios  da  “pedagogia  do  oprimido”.  Segundo  dados  recentes  do  instituto 

Paulo  Freire,  de  São  Paulo,  a  América  Latina  continua  a  ser  a  região  com  o 

maior  número  de  centros  dedicados  ao  estudo  e  aplicação  da  educação 

popular, tendo um aumento  significativo do número de países  europeus que  

procuram o   instituto  atrás   de   projetos  e   referências. (LIGUABE, 2005) 

 

Os  rumos  atuais  da  Educação  Popular  no  Brasil  são  pautados  pelo 



Protagonismo  e  Diversidade.  Deve-se  ir  além  de  proporcionar  apenas  a 

ferramenta  da  leitura  para  o  indivíduo,  segundo  os  educadores  é  necessário 

que ele a use de forma crítica. A atual meta da educação popular é a inclusão 

social, ou seja o individuo como autor dessa inclusão. Esse indivíduo excluído 

é que tem que estar apto a lutar pelo seus direitos.  

A busca pela necessidade 

de  inclusão  e  o  resgate  da  cidadania  permitiu  que  a  educação  popular 

ultrapassasse  os  limites  da  escolarização  e  se  enveredasse  por  vários 

segmentos. No começo o grande sustentáculo eram os movimentos populares 

estendendo-se  com  o  decorrer  dos  tempos  para  os  movimentos  sociais  mais 




 

10 


amplos:  dos  direitos  humanos,  pela  paz,  em  defesa  do  meio  ambiente,  de 

gênero.


   E  o educador  popular  será o  meio de  despertar  esse  sentimento em 

sua comunidade.  

(LIGUABE, 2005) 

 

Pode-se considerar que grande contribuição neste processo decorre das 



idéias  de  Paulo  Freire,  que  em  suas  obras  compreende  que  “a  educação  é 

essencialmente um ato de conhecimento e de conscientização e que, por si só, 

não leva uma sociedade a se libertar da opressão, sendo que a mesma sempre 

é um ato político”. A ação pedagógica não se restringe à escola, a organização 

da sociedade é também missão do educador. E, para isso, o seu método, a sua 

estratégia é muito mais a desobediência, o conflito, a suspeita do que o diálogo 

(FREIRE, 1979). 

 

 



Segundo  Paulo  Freire  “ninguém  educa  ninguém  e  ninguém  se  educa 

inteiramente  sozinho”.  A  educação  jamais  é  uma  dádiva,  uma  doação  das 

pessoas que tem conhecimento àquelas que não tem, mas um desafio que é a 

própria realidade. Não existe a possibilidade de ensinar sem aprender. Cabe ao 

educador aprender juntamente com o educando a realidade dos grupos em que 

vai atuar, viabilizando desta forma ao educando o conhecimento de si e de seu 

cotidiano, o que anteriormente não era percebido, pois o educando apresenta 

uma  consciência  fragmentária  resultado  de  séculos  de  exploração 

marginalização.  O  papel  do  educador  é  importante  na  medida  em  que  possui 

conhecimento  mais  elaborado  e  sistematizado  do  que  o  educando  e  deverá 

adotar  junto  a  este  uma  pratica,  uma  postura  de  aproximação  à  realidade 

vivida,  promovendo  uma  educação  mais  democrática  e  libertadora.   

(OLIVEIRA  1989) 

 

FREIRE (1979) chama atenção da importância do compromisso pessoal 



na  educação  a  partir  do  momento  em  que  percebe  o  diálogo  como  sendo  o 

encontro  que  fusiona  o  refletir  e  o  agir  dos  seus  sujeitos  direcionados  ao 

mundo  a  ser  transformado  e  humanizado,  não  pode  simplesmente  reduzir-se 

ao  depósito  de  idéias  de  um  sujeito  no  outro  (educação  bancária)  nem 

tampouco  troca  de  idéias  a  serem  absorvidas  pelos  permutantes.  Não  há 



 

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diálogo se não houver envolvimento de sentimentos profundos ao mundo e aos 

homens. 


 

Desde 1970 a Educação Popular tem sido trabalhada na área de saúde. 

No  começo  através  de  atividades  pontuais mais periféricas  e  a partir  de  1988 

com  o  SUS,  a  concepção  de  Educação  Popular  em  Saúde  começa  a  se 

disseminar  em  vários  espaços  de  produção  da  saúde  como  a  educação,  o 

trabalho e a gestão de saúde. (SILVAN, 2002) 

Para  VASCONCELOS  (2004),  a  Educação  Popular  é  um  importante 

instrumento  metodológico  para  uma  reorganização  mais  radical  do  SUS,  no 

sentido da construção de uma atenção á saúde integral em que os indivíduos e 

os  grupos  sociais  assumam  uma  maior  autonomia  nas  decisões  sobre  sua 

saúde e suas vidas, onde proporcione uma transformação da visão do modelo 

biomédico  dominante  no  cotidiano  de  suas  práticas.  Nesse  entendimento  a 

Educação Popular não é mais uma atividade a ser implementada nos serviços, 

mas uma reorientação de todas as práticas ali desenvolvidas na proporção que 

estimula e investe na participação popular fortalecendo os questionamentos e a 

criticidade dessa categoria. 

 

A  educação  popular  em  saúde  transcende  em  muito  o  espaço 



institucional  reduzido  e  os  poucos  recursos  que  tem  conseguido  dentro  dos 

serviços  de  saúde,  mesmo  dentro  dos  projetos  com  abordagem  “comunitária” 

como o PSF. Ela problematiza o conhecimento do mundo (forma de cognição, 

relações  entre  o  saber  e  poder,  relações  entre  o  conhecimento  e  ética);  e 

também problematiza o encontro com o outro (seja na ação social em saúde ou 

nas pesquisas) ao reconhecer saberes, culturas e poderes onde somente eram 

observadas ignorâncias, carências e vítimas. (ALMEIDA 1999) 

 

 



De  acordo  com  ALVES  (2005)  A  relação  educativa  com  a  população 

tem sido bastante valorizada pelo movimento da Educação Popular em Saúde, 

destituindo  a  verticalidade  da  relação  profissional  –  usuário.  Buscam-se  a 

evidenciação e compreensão do saber popular através do uso do diálogo das 

trocas interpessoais e pelas iniciativas da população e usuários. Apresentando 



 

12 


uma  metodologia  inversa  às  práticas  educativas  tradicionais,  permitindo  que  

usuário  deixe  de  ser  visto  como  um  sujeito  passivo  no  processo  de  saúde  -

doença – cuidado,  tornando-se um ser reflexivo e crítico capaz de buscar junto 

ao  serviço  de  saúde  diferentes  estratégicas  para  compreensão  e  modificação 

no  enfretamento de sua realidade. 

 

Os  Gestores  enfatizam  nos  seus  discursos  a  importância  da  ação 



educativa e da promoção de saúde, mas pouco se tem investido politicamente 

no  fortalecimento  e  na  difusão  do  saber  da  Educação  Popular  para  o 

acolhimento  da  participação  popular  nas  práticas  dos  serviços  de  saúde.  As 

prefeituras  municipais  de  Recife  e  Camaragibe  tem  sido  pioneiras  na 

valorização  de  investimentos,  tanto  na  formação  profissional,  para  a 

transformação do cotidiano tradicional das práticas de saúde, como também na 

criação  de  infra-estrutura  que  visem  garantias  de  condições  materiais  e 

administrativas  para  o  desenvolvimento  de  atividades  educativas.  A  partir 

dessas  experiências  nesses  municípios,  hoje  existe  mais  estrutura  nas 

estratégias  políticas  e  administrativas  para  a  utilização  da  Educação  Popular 

como instrumento de gestão de políticas sociais. ( VASCONCELOS ,2004) 

 

 



Segundo  ALBUQUERQUE  e  STOTZ  (2004)  A  educação  popular  pode 

ser  um  instrumento  auxiliar  na  incorporação  de  novas  práticas  e  serviços  de 

saúde.  Dentro  do  seu  ideal  teórico,  valorizando  o  saber  do  outro, 

compreendendo  que o  conhecimento é  um processo de  construção  coletiva  e 

tendo  sido utilizada pelos serviços buscando um novo entendimento das ações 

de saúde como ações educativas

 

 



Na  década  1990,  os  profissionais  de  área  de  saúde  envolvidos  com 

práticas de Educação Popular, organizaram a Rede de Educação Popular, com 

a  finalidade  de  fortalecer  as  discussões  sobre  as  relações  educativas  nos 

serviços de saúde tornando-se desse modo, uma destacada organização social 

institucional  no  campo  da  educação  em  saúde,  foram  organizados  encontros 

em  vários  estados,  em  congressos  nacionais,  proporcionando  espaços 

significativos  de  reflexões  sobre  o  tema,  sendo  criados  também  grupos 

acadêmicos  e  operativos.  Mas  ainda  é  considerada  uma  estruturação  muito 




 

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frágil,  tendo  em  vista  o  grande  número  de  profissionais  de  saúde  que  se 

dedicam  e  se  preocupam  com  relações  educativas  com  a  população. 

(VASCONCELOS, 2004) 

 

No  final  dos  anos  90  em  Pernambuco,  foi  com  os  recursos  do  Projeto 



Nordeste  que  se  iniciou  a  estruturação  das  ações  de  educação  popular  em 

saúde  e  a  criação  dos  núcleos  de  educação  popular  em  saúde.  Foi  um 

começo, mas mesmo assim, ainda foi muito pequeno o número de profissionais 

capacitados  quando  comparado  com  o  conjunto  de  trabalhadores  do  sistema. 

(ALBUQUERQUE e STOTZ, 2004). 

 

 



 

 

 



 

 




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