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particularismos locais e regionais, além de propagar de um extremo a outro do



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particularismos locais e regionais, além de propagar de um extremo a outro do
Ocidente modelos de comportamentos uniformizados (Duby, 1991a). Quando
estes particularismos locais ou históricos antepunham obstáculos efetivos, as
novas tendências respondiam com o mais simples e direto dos métodos, atacan-
do-os em seu primeiro plano: a destruição.
Na cidade medieval não se encontrava normalmente uma autoridade central
que ditasse os caminhos e os modos de sua expansão. Textos fixando normas de
comportamento urbano começaram a aparecer no decurso do século XII;
burgomestres e maires comunais eram, de acordo com Henri Pirenne (1964),
de criação relativamente recente, não encontráveis muito antes do século XIII.
As ameaças de multa para os que lançassem lixo sobre o solo urbano começa-
ram a aparecer em Paris no final do século XIV, e foi de 1388 a primeira lei
inglesa sobre higiene pública.
Tais inovações pertencem a uma época em que o espírito das instituições
tendia a se modificar, em que as assimetrias sociais possibilitavam maior centraliza-
ção e poder mais independente. Gradativamente foi-se formando um direito urbano,
mais duro e severo que o das localidades camponesas. Nas palavras do mesmo
autor, esse direito
prodigaliza os castigos corporais: enforcamento, decapitação, castra-
ção, amputação de membros (...) propõe-se a reprimir os delitos pelo
terror  (...) a cidade encontra-se, por assim dizer, em estado de sítio
permanente  (...) impõe a todos sua impiedosa regulamentação (...)  a
cidade forma um território jurídico distinto (...). (Pirenne, 1964:153-154)


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No século XVII, René Descartes já sintetizava, na segunda parte de seu
Discurso sobre o Método, as direções do processo urbano, afinando-o com as trans-
formações culturais e políticas de seu tempo, e já prenunciando o barão Haussmann:
É constatável que as edificações que um único arquiteto planejou e
executou são de modo geral mais elegantes e cômodas que aquelas que
vários tencionaram melhorar fazendo uso de velhas paredes construídas
para outros fins. Também as antigas cidades que, sendo no princípio
apenas aldeias, tornaram-se no correr dos tempos grandes cidades,
são geralmente mal traçadas em comparação às cidades regularmente
construídas que um arquiteto profissional planejou livremente, numa
planície aberta; desse modo, embora os vários edifícios das primeiras
possam muitas vezes igualar ou superar em beleza os das últimas, quando
se observa sua justaposição indiscriminada, ali um grande prédio aqui
um pequeno, e a conseqüente sinuosidade e irregularidade das ruas,
fica-se disposto a admitir que o acaso, mais que qualquer vontade
humana guiada pela razão, deve ter levado a uma tal disposição (...).
Eis-nos, pois, na ‘cidade da Razão’, com seu planejamento impositivo. Eis-
nos na ‘capital’, com suas grandes e planas avenidas; com suas linhas retas e
homogêneas. Eis-nos na cidade em que cada espaço desenvolve uma atividade


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