Cap -cosmeticos e perfumes Brasil Empresas f



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Os cosméticos e os perfumes no Brasil 

“O povo era o melhor e mais perfumado fruto desta terra.  

Um povo que fez da miscigenação a base de uma nacionalidade chamada 

brasileira, que somou as mais diversas influências  

culturais para criar a sua própria essência” (Renata Ashcar) 

 

Até o século XIX a grande maioria dos brasileiros desconhecia o que podia 

ser  um  perfume,  a  não  ser  pelas  raízes  perfumadas  empregadas  há  séculos  por 

índios,  caboclos  e  sertanejos  para  o  preparo  de  banhos  cheirosos.  Para  essas 

pessoas  o  perfume  era  como  poção  mágica  para  atrair  prosperidade  e  até  curar 

doenças.  O  hábito  de  consumir  perfumes  industrializados  e  comercializados  em 

belos frascos parece ter surgido com a corte portuguesa, que chegou ao Brasil em 

1808, fugindo dos exércitos de Napoleão, trazendo usos e costumes da metrópole 

europeia.  

Só  aos  poucos  a  corte  portuguesa  foi  permitindo  a  fabricação  local  de 

artigos  de  luxo,  como  frascos  de  fragrâncias  e  outros  produtos  cosméticos  e  de 

higiene pessoal. A manipulação era restrita às boticas de remédios e perfumes. Foi 

o caso do português José Antônio Coxito Granado, que abriu em 1870 a Imperial 

Drogaria e Pharmacia de Granado & Cia (Ashcar, 2001, p. 108). Em 1897, surge 

uma  pequena  fábrica  de  sabões,  a  José  Milani  &  Cia.,  no  interior  de  São  Paulo, 

que  desenvolveu  um  novo  produto,  em  1913:  o  sabonete  Gessy,  cujo  sucesso 

rebatizou a empresa. 

Durante  as  primeiras  décadas  do  século  XX,  a  Casa  Granado  e  outras 

similares produziam diversas linhas de toalete. Os principais e venerados produtos 

eram águas-de-colônia, pós-de-arroz, talcos, dentifrícios, algumas loções capilares 

e cremes de barbear. Alguns se tornaram referência, como o Polvilho Anti-séptico 

e o Sabonete de Glicerina, fabricados ainda hoje pela Granado. 

É nessa época que surge também o primeiro xampu, seguido do secador de 

cabelos  e,  anos  depois,  dos  salões  de  beleza.  Essa  fase  marcou  o  início  do  que 

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mais tarde se chamou de a Belle Epoque brasileira. A nova ordem econômica e a 



nova  filosofia  financeira  impunham  reordenação  das  cidades  por  meio  de 

saneamento, embelezamento e remodelação de hábitos e costumes sociais. Afinal, 

imaginava-se  que  fosse  preciso  alinhar  as  cidades  aos  padrões  da  civilização 

europeia.  Floresciam  propagandas  no  Brasil:  eram  anúncios  de  teatros,  perucas, 

alfaiates, lojas elegantes de tecidos, moda e produtos de beleza que disputavam a 

atenção dos consumidores.  

Em 1911 surgiu a primeira emulsão de água  e óleo, desenvolvida por um 

farmacêutico  de  Hamburgo,  inaugurando  o  conceito  de  hidratação  e  o  hábito  de 

cuidar da pele com produto especificamente direcionado a este fim: o creme Nívea 

(Ashcar, 2001, p. 149). No Brasil, o utilizado e conhecido era o creme Rugol, um 

produto local, desenvolvido por volta de 1921.

 

 



O  movimento  em  prol  da  beleza  feminina  era  alimentado  com  novidades 

na  moda  e  na  cosmética.  As  mulheres  mais  corajosas  ousavam  cabelos  curtos, 

como os de Coco Chanel, sucesso na  França. Essa estilista disseminou um estilo 

que  respeitava  o  corpo,  com  menos  detalhes  e  mais  cômodo.  Em  1921  lançou  o 

perfume  feminino  Chanel  nº  5,  inovador  na  época  e  na  apresentação.  Além  de 

estar em um frasco art déco, foi a primeira fragrância com nome de grife e a que 

estava associado todo o estilo de Chanel. O perfume ficou ainda mais conhecido 

depois  da  declaração  da  atriz  americana  Marilyn  Monroe  de  que  dormia  apenas 

“vestida” com algumas gotas do perfume.  

Na  década  de  20  iniciou-se  a  história  da  marca  Phebo.  Interessados  pela 

crescente  exportação  da  borracha  na  Amazônia,  os  portugueses  Mário  e  Antônio 

Santiago  instalaram-se  em  Belém.  Mas  cultivaram  outro  desejo:  produzir  um 

sabonete  tão  bom  quanto  o  famoso  inglês  Pear´s  Soap,  muito  caro  e  muito 

perfumado.  Conseguiram  tornar  o  sonho  realidade.  Um  sabonete  à  base  de 

glicerina, em tom escuro e com forte odor de rosas (Ashcar, 2001, p. 110 e 112). 

O  grande  salto  veio  em  1943  com  a  Lavanda  Phebo,  posteriormente  renomeada 

como  Seiva  de  Alfazema.  No  Rio  de  Janeiro,  em  1929,  a  L.R.  Companhia 



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