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O LUTO DOS PAIS NA DESCOBERTA DA HOMOSSEXUALIDADE DOS FILHOS



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4 O LUTO DOS PAIS NA DESCOBERTA DA HOMOSSEXUALIDADE DOS FILHOS
Alves (2012, p. 90) versa:
Existem dois tipos de morte: concreta e simbólica. A morte concreta é quando uma pessoa morre e desaparece para sempre. A morte simbólica, ou morte em vida, são rupturas que ocorrem durante a vida do ser humano. Essas rupturas deflagram o mesmo processo de luto da morte concreta.
Outra autora, Elizabeth Kübler-Ross (1998), também propõe a existência de cinco estágios de enfrentamento da morte e de vivência do luto, sendo eles, a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação.

Modesto (2015, p. 195) aponta:


Para nós, é como se aquele filho querido desse lugar a outro, estranho, desconhecido... Quando você sabe que tem um filho gay, uma filha lésbica, passa por um período comparável ao luto.
Conforme apontado por Hart e Richardson (1981) em suma, os pais não estão preparados para esse acontecimento, não compreendem que seu filho (a) poderá não assumir no futuro o papel que presumiriam que ele (a) ocuparia. Estes autores, ainda afirmam: “Nos pais, predominam os sentimentos de culpa; eles acham que, de algum modo, erraram na criação do (a) filho (a) e que seus erros conduziram a esse resultado”. (HART e RICHARDSON, 1981, p. 230).

Importante o questionamento levantado por Modesto (2015, p. 182) para a compreensão deste fenômeno: “Por que alguns pais têm mais facilidade de aceitação do que outros?” e complementa: “uma pessoa é diferente da outra, portanto as mães são diferentes umas das outras”. Cada membro da família vai tentar lidar com esse processo à sua maneira. (MODESTO, 2015).

Portanto, não há uma regra geral quanto às reações dos pais frente à revelação da homossexualidade de um filho (a). Cada reação depende de diversos fatores que se relacionam mutuamente, como a dinâmica familiar, as relações estabelecidas entre os pais e filhos, entre irmãos, os dogmas religiosos, o moralismo social, à autonomia de cada sujeito, as particularidades de cada membro da família, os conflitos intrafamiliares, inclusive, o grau de exposição da família perante a sociedade. (TOLEDO e FILHO, 2013).

Castañeda (2007, p. 73) corrobora o exposto:

Tal luto irá abranger todas as fases descritas por Elizabeth Kübler-Ross em sua obra Sobre a morte e o morrer. Segundo este livro clássico sobre o tema, o luto inclui necessariamente uma serie de reações próprias de qualquer perda afetiva importante. Quando morre algo ou alguém que conta para nós, passamos pela negação, a raiva, a negociação, a depressão, a culpa e finalmente a aceitação. Este luto geralmente se dá por etapas e termina com a aceitação da homossexualidade, mas isso raramente é total ou definitivo. O luto ressurge periodicamente em momentos importantes da vida, e o mesmo volta então a questionar-se e aceitar, em novos termos, sua orientação sexual.
A primeira fase no processo de luto dos pais na descoberta da homossexualidade dos filhos, assim como nos processos de luto descritos por Kübler-Ross é a Negação. Nesta fase, os pais buscam os mais diversos subterfúgios para minimizar a homossexualidade do filho, acreditar que é uma fase, ignorar sua existência ou silenciá-la.

O estágio da Raiva, apresentando pelos pais neste processo de luto na descoberta da homossexualidade de um (uma) filho (a) é um dos estágios mais longos, perigosos e difíceis para todos os envolvidos. Nesta fase, os pais podem apresentar comportamentos que variam desde a rejeição do (a) filho (a) homossexual e de seu (sua) companheira, até a episódios de agressões físicas. O terceiro estágio, coadunado com o luto proposto por Kübler-Ross, é denominado de Barganha. As reações inerentes à esta fase são semelhantes às vividas no luto concreto, na qual, os pais buscam negociar com alguma deidade a possibilidade da heterossexualidade de seu (sua) filho (a).

O quarto estágio vivido pelos pais neste processo é o estágio da Depressão. Esta fase apresenta indícios de uma aceitação tácita da homossexualidade, porém, traz consigo sentimentos como vergonha, medo, resignação, tristeza, desespero, culpa e frustração.

O último estágio deste processo é a Aceitação. Importante frisar, que muitos pais jamais chegarão a esta fase, pois, estarão estagnados em algum dos estágios anteriores. Quando os pais atingem essa fase, eles compreendem que nada poderão fazer para mudar a orientação sexual de seu (sua) filho (a), que esta condição não é uma doença. Na fase da aceitação, os pais são capazes de sobrepujar os estigmas sociais, conversar abertamente sobre a homossexualidade dos filhos, ressignificar os conceitos acerca da homossexualidade e, por fim, reajustar a dinâmica familiar, porém, o processo da aceitação não é estático e nem finito, pois, os pais podem apresentar retrocessos às fases anteriores, de acordo com as circunstâncias vividas.

Destarte, assim como já citado alhures, este processo de luto vivenciado pelos pais é muito mais amplo e complexo do que aqui citado, englobando diversos outros sentimentos aqui não descritos e que se misturam de acordo com as fases apresentadas, haja vista, os fatores subjetivos, familiares, sociais e históricos envolvidos neste processo.




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