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HOMOSSEXUALIDADE E FAMÍLIA



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3 HOMOSSEXUALIDADE E FAMÍLIA

Sendo a família um grupo inomogêneo, complexo e constituído a partir de diversos membros, torna-se complexo restringir sua definição a um conceito uno e universal.

Paulo (2006, p. 14) afirma:
Se consultarmos manuais de etnografia, antropologia ou sociologia, ou se simplesmente passarmos a analisar as relações familiares de um mesmo povo no transcorrer de sua história, perceberemos que são tantos e tão variados os tipos de estrutura familiar, que dificilmente poderíamos reduzi-los a uma descrição tão simples.
Faco e Melchiori (2009, p. 122), em análise sobre os conceitos trazidos por Petzold, destacam que existem aproximadamente 196 tipos diferentes de família e ainda completam dizendo: “o modelo nuclear de família composto por pai, mãe e seus filhos biológicos não é suficiente para a compreensão da nova realidade familiar que incorpora, também, outras pessoas ligadas pela afinidade e pela rede de relações”.

Borges (2004, p. 23), atribui às mudanças ocorridas na família no século XX, aos seguintes fatores:


[...] ligadas ao decréscimo dos casamentos, às famílias numerosas, ao crescimento das concubinagens, aos divórcios, aos recasamentos, ao trabalho assalariado das mulheres, ao Movimento Feminista, ao Movimento Negro, ao Movimento Homossexual, à modernização, à urbanização decorrente da industrialização, ao aumento da longevidade, ao elogio da individualidade e do descartável, às uniões cada vez mais tardias, às mudanças dos papeis exercidos pelas mulheres, à possibilidade de controle da fecundidade com a contracepção, à escolha do momento de ter filhos e do número de filhos, e, também às Grandes Guerras.
Atualmente, a maleabilidade e flexibilidade das relações evidenciam formas alternativas de conjugalidade, cedendo espaço para parcerias, aos descasamentos e recasamentos sucessivos, ocasionando uma crise nos referenciais simbólicos e papeis de homens e mulheres, crianças e filhos diante das mudanças nos grupos familiares e nas novas formas de parentesco. (BORGES, 2009).

O parentesco, a coabitação, a afinidade entre outras características, definem a composição do grupo familiar, em detrimento dos fatores sanguíneos e biológicos, considerados historicamente. Sendo assim, não é tão simples identificar, classificar e moldar o conceito de família, tampouco seus membros. (PRÁ, 2013).

É nessa vasta gama de configurações familiares, de nuances e matizes que situa-se a família alvo de nossa pesquisa: a família constituída de pais e mães heterossexuais com filhos homossexuais.

Sendo a base da família brasileira, fulcrada na família patriarcal dos séculos XVII e XIX, indubitavelmente que a construção das famílias atuais, trazem consigo valores e reflexos arraigados de tal período, entre eles, principalmente as questões concernentes ao machismo, à virilidade e a supremacia masculina. (PRATA, 2007).

Afinal, conforme questiona Prata (2007, p. 19) “de quem é a culpa por ter um filho ou filha homossexual? Este é o grande questionamento da família quando se descobre um possível caso de homossexualidade entre os seus”.

O termo “homofobia familiar”, utilizado por Schulman (2009), delineia as relações de uma família heterossexual com a descoberta de um membro homossexual, na qual, referido sujeito, por vezes, sofre de múltiplas maneiras o ônus de sua homossexualidade. Evitação, exclusão, agressão, são algumas das formas personificadas da homofobia em âmbito familiar, reforçadas pela sociedade, pela legislação e pelas instituições, impedindo que o filho (a) homossexual identifique-se com algum membro da família e até mesmo com seus “iguais”, produzindo no indivíduo consequências dramáticas nas experiências sociais, nas relações afetivo-sexuais e intrapsíquicas. (SCHULMAN, 2009).





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