Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano



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1. (d)

Comentário: durante a segunda metade da década de 1950 e os primeiros anos da década de 1960, a cultura brasileira passou por uma grande efervescência, a partir do surgimento de significativos movimentos na esfera artística que ganharam um notável impulso e traduziram-se por novas formas de conceber o cinema, o teatro, a música, a literatura e as artes, caracterizando-se não apenas pela reflexão crítica sobre nossos atávicos problemas sociais, mas também pela busca de novos temas, novas formas e novas linguagens. Todo esse dinamismo vinculou-se, também, à consolidação de uma classe média urbana então em franca expansão, até mesmo em decorrência dos acessos de milhares de representantes desse segmento social às universidades. Abriu-se espaço, assim, para a expressão de uma cultura popular, de perfil nacionalista, e que deveria ter como responsabilidade a denúncia de nossas mazelas sociais e de suas origens, além de apresentar alternativas consideradas essenciais à efetiva transformação social e emancipação política do país. É nessa perspectiva que se deve compreender a montagem do espetáculo


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musical Opinião, sob a direção do dramaturgo, ensaísta, escritor e diretor de teatro Augusto Boal (1931- -2009), produzido pelo Teatro de Arena e por integrantes do Centro Popular de Cultura da UNE. Paradoxalmente, o espetáculo, um “show-manifesto”, estreou em dezembro de 1964, quando o país já vivia sob a opressão do regime militar. Contando em seu elenco com a participação de Nara Leão, posteriormente substituída por Maria Bethânia, João do Vale e Zé Kéti, o espetáculo intercalava canções e narrações que denunciavam os seculares problemas sociais brasileiros, tais como a concentração fundiária, o êxodo rural, a exclusão social, a precariedade da vida da maioria da população do país, a sistemática repressão aos movimentos populares, a pobreza e a miséria, em textos assinados por Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes. O show Opinião tornou-se, desde sua estreia, uma referência da chamada “música de protesto”, o que pode também ser percebido pelo indicado na alternativa (d) (“denúncia da situação social e política do país”) e pela leitura atenta da letra da música inserida na questão.



2. (d)

Comentário: a questão faz referência ao processo histórico de construção de uma memória oficial no Brasil que se deu no contexto da criação do Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (SPHAN) durante a ditadura estado-novista (1937-1945). Essa iniciativa coadunava-se com os projetos nacionalistas da época e tinha por objetivo, também, o fortalecimento do controle estatal sobre a sociedade e, em particular, sobre a cultura brasileira, sob o prisma da construção de uma identidade nacional vinculada aos pressupostos do varguismo. Portanto, tal iniciativa ocorreu “de cima para baixo”, a partir dos interesses governamentais e de parte da elite cultural dominante do período, não raramente cooptada para um projeto desta natureza. Apesar desses pressupostos, a ideia de patrimônio cultural público, desde então, perpassou o imaginário do conjunto da sociedade. Ao mesmo tempo, como bem indicado na alternativa (d), a criação do SPHAN contribuiu para resguardar da destruição as obras representativas da cultura nacional, por meio de políticas públicas preservacionistas, embora sempre seletivas.



3. (d)

Comentário: embora o gabarito oficial tenha apontado a alternativa (d) como opção correta, a questão suscitou polêmica entre os professores e abriu espaço para inúmeros debates que, ao final, apontaram a possibilidade das alternativas (b) e (c) serem respostas bastante aceitáveis.

Na alternativa (c), o caráter amplo das normas morais, ao contrário da lei formal, não são de cumprimento obrigatório por imposição da esfera jurídica, é seguido da afirmação a respeito da incapacidade humana de cumpri-las na sua totalidade. Tal assertiva é inteiramente compatível tanto com a resposta considerada oficialmente correta – alternativa (d) – quanto com o que é proposto no enunciado e dá suporte à questão, que por seu caráter abstrato permite múltiplas interpretações e leva à ambiguidade. A alternativa (d), ao considerar a lei como uma referência moral, também pode ser considerada correta, uma vez que as normas morais, embora não necessariamente alicerçadas em instâncias jurídicas impositivas, são códigos sociais e, de uma maneira geral, não são menosprezados pelos indivíduos em sua busca de aceitação por parte dos grupos sociais de seu convívio.

Em relação a afirmação na letra (b), deve-se considerar que a ética pode ser definida como o conjunto de valores e princípios os quais norteiam a conduta dos homens em sociedade, ao passo que a moralidade relaciona-se ao uso que se faz desses princípios e valores, isto é, ao comportamento humano alicerçado nessa ética, sendo que é a interação social dá sentido às duas (ética e comportamento). De acordo com a perspectiva do filósofo Immanuel Kant (1724-1804) e com seu conceito de “imperativo categórico”, as pessoas agem moralmente motivadas pela noção de dever, a qual consistiria no reconhecimento do que é racionalmente correto e, exatamente por essa razão idealizada, as normas são cumpridas. Considere-se, ainda, que nas sociedades complexas os códigos culturais, que dão sentido aos preceitos morais, não são necessariamente universais e, dessa forma, não precisam obrigatoriamente ser cumpridos por todos os indivíduos de uma determinada sociedade.

Pelas razões apresentadas, deve-se considerar que a questão não atendeu aos pressupostos estabelecidos no TRI, uma vez que tanto os alunos que possuem um determinado grau de conhecimento e habilidades que permeiam a área de Ciências Humanas quanto aqueles que não dispõem dessa bagagem intelectual tiveram extrema dificuldade em identificar a resposta considerada oficialmente correta.
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Referências




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OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do professor
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do Professor História Global
DOCX -> Caminhos do homem: das origens da humanidade à construção do mundo moderno, 1º ano
DOCX -> Caminhos do homem: da era das revoluções ao Brasil no século, XIX, 2º ano


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