Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano



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1. (d)

Comentário: a criação do programa Hora do Brasil inseriu-se no contexto mais amplo da chamada “Era Vargas” (1930-1945) e cumpriu um importante papel ao referendar os projetos políticos continuístas de Vargas, além de reforçar o carisma dele junto ao operariado e consolidar sua imagem como um governante protetor das massas, conforme indicado na alternativa (d). O programa foi grande aliado do governo ao divulgar amplamente suas realizações e contribuir para que se construísse a mística tão cara ao ditador, entre 1937 e 1945, de “Pai dos Pobres”. É importante considerar que, naquela época, o movimento sindical estava atrelado ao Estado em função do corporativismo e em decorrência da regulação estabelecida pelo Ministério do Trabalho.



2. (c)

Comentário: conhecida pela expressão “Guerra do Contestado”, o conflito ocorrido entre 1912 e 1916 no interior dos estados do Paraná e de Santa Catarina envolveu, além de pequenos proprietários, principalmente a população sertaneja, que foi gravemente afetada pelo avanço do capitalismo e da “ modernização” na região. Estes geraram a desorganização da economia tradicional, que sustentava os posseiros e os trabalhadores rurais conforme indicado na alternativa (c). Do ponto de vista econômico, a precariedade da grande massa sertaneja levou-a a “contestar” a política do governo da Primeira República (1889-1930) de construir uma ferrovia que passaria pela região ao interligar o Rio Grande do Sul e São Paulo, implicando a derrubada de matas nativas, afetando a economia local, conforme mencionado no texto que dá suporte à questão, uma vez que “os ervais nativos (...) eram destruídos”. Apesar da “Guerra do Contestado”, de acordo com a versão oficial e também do ponto de vista ideoló-


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gico, ser justificada como uma luta contra o atraso, a ignorância, a barbárie a religiosidade popular e o messianismo da população local, outras vertentes historiográficas conferem ao conflito a característica de resistência popular contra o autoritarismo da Primeira República.



3. (a)

Comentário: as ruínas de Canudos foram reconhecidas como patrimônio cultural material pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) por reunirem um conjunto de objetos arqueológicos na área que resgata a memória de resistência dos sertanejos que participaram da “Guerra de Canudos” (1893-1897), duramente reprimida pelas forças militares da Primeira República, além da preservar o entorno paisagístico do local, conforme indicado na alternativa (a).

Não há no sítio arqueológico de Canudos acervos bibliográficos ou museológicos, representados respectivamente por livros, esculturas, pinturas ou documentos, razão pela qual se exclui a alternativa (b). Também a alternativa (c) pode ser excluída, uma vez que não existe um núcleo etnográfico na região. Considere-se, ainda, a inexistência de práticas e representações de uma sociedade, o que elimina a alternativa (d), assim como a alternativa (e) também carece de sentido, uma vez que não há registros de técnicas de uma sociedade extinta; Canudos, por certo, dominava técnicas e modos das sociedades agrárias de sua época, que foram se modificando ao longo do tempo até os nossos dias.

4. (c)

Comentário: a construção da imagem de Tiradentes como herói cívico, capaz de ser percebido como representante da “unidade nacional”, foi uma das preocupações das elites políticas que estiveram à frente do movimento político-militar que culminou na instauração da República em 1889. Tratava-se de legitimar a ação dessas mesmas elites, uma vez que, conforme salientou o jornalista e ativista republicano, nomeado ministro do Interior pelo novo regime Aristides Lobo (1838-1896), em artigo escrito no próprio dia 15 de novembro e publicado no Diário Popular de São Paulo, em 19 de novembro: “o povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada”. A absoluta ausência de raízes populares, conforme indicado na alternativa (c), foi a principal razão pela narrativa que se construiu a partir de então, da figura de Tiradentes como “mártir da causa republicana” e que estaria acima de possíveis divergências de classes. Deve-se desconsiderar a alternativa (a), uma vez que inexistiu um “caráter nacionalista” na Conjuração Mineira (1789). Da mesma forma, a alternativa (b) carece de sentido, pois o Positivismo, ideologia vinculada às ideias do filósofo francês Auguste Comte (1798-1857), foi difundido nos meios militares apenas a partir da década de 1870. A alternativa (d) também não se sustenta, uma vez que não há representações iconográficas de Tiradentes, e a associação da imagem dele com a de Jesus Cristo foi uma construção realizada no contexto da Proclamação da República, com o intuito de apresentá-lo como um “Cristo cívico”.



5. (e)

Comentário: a concentração fundiária, o mandonismo local e regional favorecido pelo caráter federativo da primeira Constituição republicana (1891), conforme indicado na alternativa (e), além da aguda pobreza e miséria das camadas populares historicamente excluídas, encontravam-se nas raízes do fenômeno do “Coronelismo” que marcou a vida política brasileira durante a Primeira República. O desdobramento “natural” desse fenômeno foi o chamado “voto de cabresto”, facilitado pela inexistência do voto secreto e da Justiça Eleitoral, recorrendo-se até mesmo à violência para garantir o controle absoluto das eleições por parte dos “coronéis”. Estes também se valiam de seu poderio econômico, de sua influência política e de sua ascendência social sobre as grandes massas rurais para se perpetuarem no poder, obrigando os eleitores a votarem nos candidatos de sua preferência.



6. (d)

Comentário: para a “vanguarda revolucionária” que esteve à frente do movimento político e que foi denominado por ela própria de “Revolução de 1930”, era importante desmontar a ideia de que 1889, quando a República foi instaurada, havia representado o ápice da ideia republicana no Brasil. Ao deslegitimar o 15 de novembro de 1889, carregando-o com tintas negativas por seu caráter excludente (“o povo assistiu bestializado...”), por sua vertente militarista (os militares estiveram à frente do processo) e pelas influências estrangeiras (positivismo de Auguste Comte), conforme registrado no texto que dá suporte à


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questão, os líderes da “Revolução de 1930” pretenderam consolidar a ideia de que “o Brasil brasileiro teria nascido em 1930”. Ao mesmo tempo, procedendo dessa forma, conforme indicado na alternativa (d), eles acabavam por legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse “novo” grupo ao poder.



7. (c)

Comentário: a fonte documental que serve de suporte à questão faz referência à política corporativista implementada no contexto do Estado Novo (1937-1945). Inspirada na “Carta del Lavoro” de 1926, documento da Itália Fascista, a legislação trabalhista brasileira elaborada durante o governo Vargas, tinha por objetivo máximo conter a luta de classes e harmonizar as relações entre capital e trabalho por meio da mediação do Ministério do Trabalho e da constituição de um sindicalismo atrelado ao Estado, arrefecendo, assim, o histórico conflito entre burguesia e operariado. Nesse sentido, a alternativa (c) está correta ao fazer referência à concepção de organização sindical característica da Era Vargas.



8. (a)

Comentário: a fonte iconográfica que dá suporte à questão faz referência à eclosão de uma violenta manifestação popular que tomou conta das ruas do Rio de Janeiro, então capital da República, em novembro de 1904. A charge, de autoria do artista Leonidas, foi utilizada como capa da revista satírica O Malho, publicada em 29 de outubro de 1904, ou seja, pouco antes da eclosão da chamada “Revolta da Vacina”. A título de informação, registra-se que essa revista foi veiculada entre 1902 e 1954, quando saiu de circulação. O corpo de ilustradores da revista contou com a colaboração de grandes artistas da época como J. Carlos, Angelo Agostini, Nássara, Kalixto e Storni, dentre outros. A análise atenta da capa da revista permite dimensionar a reação popular que se voltou contra os agentes sanitaristas que agiam sob o comando do médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), nomeado pelo presidente Rodrigues Alves (1902-1906), em 1903, diretor-geral da Saúde Pública. O próprio Oswaldo Cruz está representado e satirizado na imagem, segurando uma seringa e sendo atacado pela multidão. Apesar da iniciativa de Oswaldo Cruz ter por objetivo erradicar a febre amarela e a varíola, a vacinação obrigatória não foi precedida de uma efetiva informação ao público, isto é, foi realizada de forma autoritária e “de cima para baixo”. Verificou-se, então, uma reação generalizada, que se manifestou por meio de discursos contrários na Câmara e no Senado, em manifestações da Escola Militar, na imprensa (conforme se pode perceber pela análise da fonte iconográfica que acompanha a questão) e em uma violenta explosão popular que ganhou corpo em novembro de 1904. Essa revolta popular, conforme indicado na alternativa (a), resultou da insatisfação do povo “com os benefícios de uma modernização urbana autoritária”.



9. (d)

Comentário: no imaginário da maioria da população paulista, a figura do “bandeirante” sempre esteve associada ao herói desbravador que foi decisivo no alargamento das fronteiras durante o período colonial, favorecendo a incorporação de vastas regiões ao território brasileiro.

A imagem do “bandeirante”, retomada em várias circunstâncias históricas foi, mais uma vez, utilizada no contexto da chamada “Revolução Constitucionalista de 1932”, cuja narrativa oficial esmerou- -se em apresentar esse movimento como uma reação contra os projetos continuístas de Vargas, que ascendera ao poder da República em 1930. Por essa razão, a charge apresenta um representante do “bandeirantismo” – símbolo máximo do estado de São Paulo, apresentado em primeiro plano – que, em nome das liberdades individuais e conforme corretamente indicado na alternativa (d), está sufocando o então presidente Getúlio Vargas ao mesmo tempo em que se vale de um slogan legitimador: “Abaixo a Dictadura” (de acordo com a grafia da época). No entanto, as origens da chamada “Revolução Constitucionalista de 1932” são mais complexas e não se vinculam apenas ao autoritarismo do novo regime implementado por Vargas, mas à nomeação de um interventor para governar o estado de São Paulo, ao fim da política de valorização do café em um momento globalmente crítico (Crise de 1929) e ao fato das tradicionais oligarquias paulistas terem sido apeadas do poder em 1930.

10. (d) Comentário: o texto que dá suporte à questão, de autoria do economista Celso Furtado (1920-2004), faz referência ao colapso da economia cafeeira em função da Crise de 1929 e da recessão dos anos 1930. A impossibilidade de se manter a política de valorização do café, definida anteriormente segundo os parâ-
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metros do Convênio de Taubaté (1906), em função da absoluta escassez de recursos e financiamentos, fez com que o governo brasileiro, sob a liderança de Vargas, a partir de 1930, colocasse em prática uma política de desenvolvimento industrial, conforme indicado na alternativa (d). Essa política industrializante alicerçou-se na forte presença do Estado na economia que, no médio prazo, passou a atuar em setores considerados essenciais à soberania nacional, tais como extração mineral, geração de energia, siderurgia e petroquímica, que demandavam altos investimentos de capital e cujo retorno somente se dava a longo prazo, inviabilizando, portanto, naquele momento, a atuação da iniciativa privada.



11. (b)

Comentário: o texto do historiador José Murilo de Carvalho, que dá suporte à questão, faz referência à “Política dos Governadores”, implementada oficialmente durante a presidência Campos Sales (1898- -1902) que, no entanto, preferia denominá-la de “Política dos Estados”. Por meio desta, ao se inaugurar na política brasileira a máxima do “é dando que se recebe”, buscou-se, conforme indicado na alternativa (b), atrair o apoio das oligarquias regionais, uma vez que estas eram permanentemente favorecidas pela União em troca de apoio parlamentar e dos estados membros da federação às políticas oficiais do presidente da República. Esses mecanismo ocorriam, conforme o próprio Campos Sales percebeu, “por cima das multidões que tumultuam agitadas nas ruas da capital da União”.



12. (b)

Comentário: o modelo desenvolvimentista alicerçado no Programa de Metas, posto em execução durante o governo JK (1956-1961) e alicerçado no slogan “50 anos de progresso em 5 de governo” deixou profundas sequelas do ponto de vista econômico e social. Nessa perspectiva, conforme salientado no texto que dá suporte à questão, no início dos anos 1960, já sob o governo Jango, os trabalhadores se recusaram a pagar as “sobras” do modelo econômico juscelinista: espiral inflacionária, dívida externa, contração de créditos, diminuição da oferta de empregos e desvalorização dos salários. Portanto, conforme indicado na alternativa (b), foram as contradições econômicas do modelo desenvolvimentista e as tensões sociais delas decorrentes que se encontram na raiz do golpe de 1964 que pôs termo à democracia populista.



13. (b)

Comentário: a questão explora a contradição existente na sociedade brasileira, muito bem sintetizada pela alternativa (b), segundo a qual a existência da lei não basta como garantia de justiça para as vítimas e testemunhas dos casos de tortura. A mais absoluta impunidade dos agentes públicos responsáveis por milhares de casos de tortura, apesar de desde 1997 a legislação brasileira ter tipificado a tortura como crime, acaba estimulando esta prática já banida do ordenamento jurídico de vários países que se propõem a construir um projeto civilizacional. Em síntese, em nosso país, apesar da legislação que criminaliza a tortura ter sido elaborada em pleno regime democrático, sob os pressupostos mais amplos da Constituição “cidadã” de 1988, a prática da tortura continua disseminada no Brasil nos dias de hoje, o que é revelador da permanência de uma mentalidade que compromete a construção efetiva da cidadania brasileira.

Capítulo 2 – Cultura material e imaterial: patrimônio e diversidade cultural no Brasil


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DOCX -> Caminhos do homem: da era das revoluções ao Brasil no século, XIX, 2º ano


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