Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano


Texto 1 Tiradentes: um herói republicano



Baixar 8.19 Mb.
Página308/464
Encontro08.10.2019
Tamanho8.19 Mb.
1   ...   304   305   306   307   308   309   310   311   ...   464
Texto 1

Tiradentes: um herói republicano

Na primeira imagem, há uma representação de Tiradentes que o aproxima do imaginário cristão. Nesse quadro de Pedro Américo (1893), um dos pintores acadêmicos mais importantes do fim do século XIX, Tiradentes é representado após a execução, com o corpo esquartejado de acordo com a sentença que o condenou. O modo como o rosto foi retratado, com cabelos e barbas longos, ao lado de um crucifixo, é de modo a evocar a imagem do sacrifício de Cristo, o homem bom levado ao suplício para a redenção dos seus iguais.

Na segunda figura, vê-se outro retrato de Tiradentes, num contraste radical com o anterior. Trata-se de um quadro de José Washt Rodrigues, pintor dos anos 1940. Nele, Tiradentes aparece como oficial português, trajando roupa militar e ostentando expressão marcial, nada parecido, pois, com a figura quase sagrada do outro quadro. O autor da pintura, frequentador de círculos integralistas, desejou mostrar um Tiradentes mais de acordo com o ideário que ele defendia, retratado como um militar e ator político convicto de seus ideais.

Primeiramente, é preciso destacar que a transformação de Tiradentes em herói e símbolo republicano foi um processo que levou anos para ser completado. A sua escolha para o papel não era óbvia, pois havia outros candidatos ao lugar de herói – como, por exemplo, frei Caneca e Floriano Peixoto. A figura de Tiradentes parece ter caído nas graças do pensamento republicano devido a algumas características que permitiram a ampla divulgação e aceitação dele pelo imaginário popular. Um dos principais elementos, naturalmente, foi o seu destino trágico na forca. A morte provocada por sua ação política conferiu-lhe uma aura de herói e mártir. Por outro lado, a forma como morreu, o esquartejamento, o martírio, enfim, permitiu que fosse identificado ao Cristo, elemento que Castro Alves explorou em poema célebre. O fato de não pertencer às elites foi outro ponto importante, já que facilitava sua aceitação por camadas mais amplas da população.

Por fim, vale lembrar que ele tinha vantagem aos candidatos a herói contemporâneos da Proclamação da República: estava distante no tempo e sua subida ao “panteão” não beneficiaria nenhum grupo em particular.

SÁ MOTTA, R. P.; FIGUEIREDO, B. G. et al. História no vestibular 2005: provas e comentários. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2006. p. 39.




Catálogo: editoras -> liepem18 -> OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> HISTÓRIA%20CAMINHOS%20DO%20HOMEM%201%20AO%203º%20ANO%20-%20BASE -> DOCX
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Ronaldo vainfas
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Oficina de história: volume 1
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Gilberto Cotrim Bacharel e licenciado em História pela Universidade de São Paulo Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie Professor de História e advogado Mirna Fernandes
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Geografia Espaço e identidade Levon Boligian, Andressa Alves 3 Componente curricular Geografia
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do professor
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do Professor História Global
DOCX -> Caminhos do homem: das origens da humanidade à construção do mundo moderno, 1º ano
DOCX -> Caminhos do homem: da era das revoluções ao Brasil no século, XIX, 2º ano


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   304   305   306   307   308   309   310   311   ...   464


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal