Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano


A complexidade do estudo da cultura brasileira



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A complexidade do estudo da cultura brasileira

Quando se estuda a cultura brasileira, é preciso considerar também, em meio a tanta heterogeneidade, as diferenças entre as culturas urbana e rural; do litoral e do interior; erudita e popular etc.

Esses e diversos outros contrapontos tornam ainda mais complexo o estudo da cultura que foi engendrada no Brasil, considerando-se que ela resultou, em grande parte, de culturas transplantadas que sofreram permanentes processos de transformação.

Engendrada: gerada, produzida.
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Sabendo um pouco mais

A seguir, é apresentado um texto da historiadora Isabel Lustosa, destinado à apresentação do livro Que cara tem o Brasil?: culturas e identidade nacional, da historiadora Mônica Velloso.



É coisa nova, é coisa nossa

“Todo artista tem que ir até onde o povo está”, como diz a música de Milton Nascimento. Assim pensavam os modernistas, que cruzaram o Brasil revirando as tradições populares mais remotas, buscando nelas a inspiração para uma arte toda nova, uma moderna arte brasileira. Seu símbolo maior é o Abaporu: o homem que come, do quadro de Tarsila do Amaral. Esta é a grande representação da cultura brasileira, a dos índios antropófagos que devoraram o bispo Sardinha, incorporando seu espírito e produzindo algo que já não era índio, nem português, era brasileiro. Esta grande vitória da cultura brasileira é expressa sobretudo em sua música popular [...].

Nela se reconhecem os elementos da cultura do outro associados às nossas mais remotas tradições negras, portuguesas, índias, mas já não são eles nem elas: é coisa nova, é coisa nossa.

LUSTOSA, I. apud VELLOSO, M. Que cara tem o Brasil?: culturas e identidade nacional. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. p. 12-13.



Museu de Arte Latino-americana (MALBA), Buenos Aires (Argentina).



Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 85 cm × 73 cm.

O Abaporu, obra de Tarsila do Amaral representada ao lado, é um símbolo do modernismo brasileiro. Esse movimento artístico e cultural, que ganhou maior dimensão a partir da década de 1920, tinha uma postura crítica diante das influências da cultura europeia sobre a cultura nacional. Os modernistas entendiam que se devia aproveitar (ou “digerir”) apenas o que interessava da cultura europeia e eliminar o restante. Essa obra de arte é de 1928 e atualmente integra a coleção Eduardo Constantini e o acervo do Malba, em Buenos Aires, Argentina.



Unesco: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, Unesco). Órgão criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 16 de novembro de 1946, com sede em Paris, para incentivar a colaboração internacional em educação, ciência, cultura e comunicação, fomentar a cooperação internacional para preservar o patrimônio cultural e natural mundial, além da promoção dos direitos humanos.

O estudo da cultura não pode deixar de fazer referência às manifestações culturais imateriais. Essas, segundo a Unesco, são as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais


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que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural.

A cultura imaterial, transmitida por meio das gerações, é permanentemente recriada pelos indivíduos por meio da interação deles com a natureza e sua história, fortalecendo, dessa maneira, o sentimento de identidade. Nessa perspectiva, ela contribui para a formação da cidadania e para o respeito à pluralidade cultural.

Os múltiplos sentidos que a palavra “cultura” apresenta – alguns, inclusive, contraditórios – tornam o estudo do tema ainda mais complexo.



Preconceitos fortemente enraizados no senso comum emergem em expressões como “fulano é inculto”, “determinado indivíduo tem uma cultura inferior”, ou, ainda, que “aquela pessoa tem uma sólida formação cultural”.

Andre Dib/Pulsar Imagens

Produção de queijo da Serra Canastra. Sacramento (MG), 2013.

Segundo o Iphan, os bens que fazem parte do patrimônio imaterial abrangem todas as formas tradicionais e populares de cultura, inclusive aquelas transmitidas oralmente ou por gestos, e devem ser registrados levando-se em consideração os saberes, as celebrações, as formas de expressão e os lugares. Na imagem, pode-se observar um exemplo da cultura imaterial brasileira: o queijo da Serra da Canastra.

Professor, apresente aos estudantes um levantamento de bens imateriais da região onde vivem, de forma a aproximá-los desse conceito.


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