Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano


A cultura brasileira: uma contribuição de brancos, negros e índios



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A cultura brasileira: uma contribuição de brancos, negros e índios

De acordo com o senso comum, a cultura brasileira resultou da contribuição de brancos, negros e índios. No entanto, essa questão é mais complexa, uma vez que se corre o risco de generalizações e simplificações.



Fábio Colombini

Sueli Bispo, uma baiana do acarajé. Salvador (BA), 2013.

Na atualidade, é comum a presença, especialmente nas ruas de Salvador, das “baianas do acarajé”, cujo ofício foi considerado Patrimônio Cultural do Brasil em 2005 pelo Iphan. Essa atividade possui origens longínquas, que remetem à África há muitos séculos. Em diversas regiões desse continente, a presença de mulheres vendendo produtos diversos, principalmente alimentos em seus tabuleiros, era bastante comum. Elas eram chamadas kitandeiras e, atualmente, em alguns países, como Angola, são conhecidas como zungueiras. Mas a palavra kitanda tinha também outro sentido na região centro-ocidental da África, onde kitandas eram os locais nos quais se vendia tudo: facas, copos, canecas, moringas, espelhos, linhas, tecidos, agulhas, contas etc. A palavra “quitanda” adquiriu significados diversos no Brasil desde a época colonial. Na Região Centro-Oeste, por exemplo, dizia respeito ao espaço de venda de doces ou pastéis, onde mulheres africanas, escravizadas ou forras adaptavam receitas portuguesas com ingredientes brasileiros. No plural, o termo designava (e ainda designa) os biscoitos caseiros feitos especialmente por cozinheiras negras.


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Afinal, quando se fala de brancos, é preciso considerar não apenas os portugueses (a chamada “matriz portuguesa”), mas também os imigrantes italianos, espanhóis, alemães, poloneses, ucranianos, holandeses, sírios e libaneses, entre outras nacionalidades. Muitos desses imigrantes chegaram ao Brasil a partir da segunda metade do século XIX e, já no princípio do século XX, mais precisamente a partir de 1908, esse fluxo imigratório ganhou uma dimensão ainda maior com a vinda de japoneses. Mais tarde, outros grupos asiáticos, como coreanos e chineses, também emigraram para o Brasil.

O vocábulo negro também é uma generalização que camufla a enorme multiplicidade étnico-linguística e cultural dos africanos que foram trazidos e se estabeleceram em determinadas regiões do território brasileiro no contexto do tráfico atlântico.

Se há alguns anos era comum fazer referência à “contribuição dos africanos na formação sociocultural brasileira”, destacando-se quase sempre a capoeira, o samba e a culinária, na atualidade, esse “legado” é muito questionado, uma vez que simplifica e banaliza a complexidade da história da cultura, relegando às etnias negras apenas um papel secundário em torno do eixo eurocêntrico.

Em algumas áreas, como no polo açucareiro de Salvador, a presença africana e de seus descendentes foi tão expressiva que alguns autores sugerem que houve “uma contribuição portuguesa” em um processo de africanização sociocultural.

O mesmo raciocínio também se aplica aos índios e às suas contribuições (hábito de dormir na rede, tomar banho de rio, culinária etc.). É preciso considerar que, em 1500, eles eram aproximadamente cinco milhões de indivíduos e que, em termos linguísticos, podiam ser agrupados em dois grandes troncos, o macro-jê e o macro-tupi, que englobavam mais de 600 línguas, o que por si só sugere a enorme diversidade cultural dos povos indígenas.



Essa questão se torna mais complexa quando se considera que, em determinadas regiões, como na Amazônia, a cultura indígena foi hegemônica no contexto da formação sociocultural da região.

Coleção Particular



Tambores do Maranhão (1998), de Waldomiro Deus. Acrílica sobre tela, 195 cm x 158 cm.

Professor, se achar pertinente, oriente uma pesquisa sobre as contribuições e o intercâmbio cultural entre esses povos. A pesquisa pode ser feita em grupos e apresentada aos colegas de classe.




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