Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano



Baixar 8.19 Mb.
Página265/464
Encontro08.10.2019
Tamanho8.19 Mb.
1   ...   261   262   263   264   265   266   267   268   ...   464
Sabendo um pouco mais

Lula e a burguesia industrial

Luiz Inácio Lula da Silva e o PT exploraram amplamente essa insatisfação do grande capital industrial durante a campanha eleitoral. A pregação do PT contra a “especulação” e a favor da “produção”, contra as altas taxas de juros, por reforma tributária que desonere a produção e seu discurso pelo crescimento econômico [...], todos esses pontos visavam introduzir uma cunha no interior do bloco no poder, mostrando à grande burguesia industrial interna que ela tinha por que apoiar a candidatura Lula.

BOITO JÚNIOR, A. Neoliberalismo e relações de classe no Brasil. In: ______ (Org.). Ideias: revista do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, ano 9, n. 1. p. 23, 2002.

Reeleito em 2006, Lula deu continuidade a seus projetos e o governo apresentou as seguintes características:

• manutenção de baixas taxas de inflação;

• grande aumento das exportações, que em 2008 atingiram quase 200 bilhões de dólares;

• aumento da confiança dos investidores internacionais no país;

• crescimento da renda dos trabalhadores;

• implementação de programas sociais que contribuíram para que milhões de brasileiros que viviam abaixo da chamada “linha da pobreza” saíssem dessa situação;
Página 225

• consolidação da autossuficiência em petróleo e a perspectiva de que o Brasil se torne um grande exportador com a exploração das reservas do Pré-Sal;

• consolidação dos programas de pesquisa de fontes de energia alternativa, como o biodiesel.

As duas eleições de Lula simbolizaram a vitória de um projeto social alternativo para a consolidação da cidadania plena no país. Os grandes avanços obtidos em várias áreas, a maior inserção da economia brasileira no capitalismo global, a emergência da chamada “classe C-D” e a ampliação de programas sociais que favorecem os mais pobres são indicadores amplamente positivos do governo Lula.

Em 2010, o país foi mais uma vez às urnas para eleger o presidente da República, em um processo histórico marcado pela consolidação das instituições democráticas. Afinal, após o “ciclo militar” (1964-1985) em que o Estado de exceção foi a regra, a sociedade brasileira, exercendo sua plena cidadania, teve o direito de escolher, pelo voto direto, quem estaria à frente do cargo máximo do Poder Executivo no quadriênio 2011-2014.

As eleições apontaram a vitória, no segundo turno (31 de outubro de 2010), de Dilma Vana Rousseff, ex-militante política que em sua juventude havia se engajado na luta armada, atuando em grupos de resistência à ditadura militar, como o Comando de Libertação Nacional (Colina) e a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), tendo sido, inclusive, presa e torturada (1970-1972) durante os chamados “anos de chumbo”.

Contando com o apoio direto do ex -presidente Lula, de quem foi ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, filiada ao PT e à frente de uma grande coalização político-partidária, derrotou o candidato do PSDB, José Serra, tendo alcançado expressivos 55 725 529 votos, que contabilizaram 56,05% do total de votos válidos.

Imediatamente após sua eleição, delineou as políticas de seu governo, que, de uma maneira geral, priorizou:

• a valorização das instituições democráticas;

• a defesa das liberdades individuais e da liberdade de imprensa;



• a valorização do papel da mulher e das minorias étnicas na sociedade;

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A valorização do papel das mulheres foi evidenciada em diferentes setores do governo e da sociedade. Na fotografia acima, um registro da posse de Nilma Lino Gomes, primeira reitora afrodescendente de uma universidade federal, ao lado da então ministra Eleonora Menicucci. Brasília (DF), 2015.
Página 226

•o comprometimento com os fundamentos macroeconômicos que garantiriam o controle do déficit público, a valorização do real, o controle da inflação, o estímulo ao mercado interno e uma melhor distribuição de renda;

•a melhoria dos serviços públicos, com avanços nas áreas de saúde e educação;

•a desoneração tributária de alguns setores da economia, como a indústria automotiva, no intuito de manter aquecido o mercado interno e fazer frente à crise global deflagrada em outubro de 2008;

•a preocupação em combater as desigualdades socioeconômicas, o que ficou bem evidenciado quando, em seu primeiro pronunciamento como presidente da República, afirmou:

Vou fazer um governo comprometido com a erradicação da miséria e dar oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras. Mas, humildemente, faço um chamado à nação, aos empresários, trabalhadores, imprensa, pessoas de bem do país para que me ajudem.

Apesar das graves dificuldades da economia global, que tem apresentado sinais de estagnação e mesmo recessão econômica, como em alguns países que fazem parte da zona do euro, a economia brasileira, em que pese um menor ritmo de crescimento, expandiu-se durante os primeiros dois anos de seu governo (2011 e 2012) com alguns indicadores significativos:

•expressivo aumento das exportações, que em 2011 atingiram o valor de US$ 256 bilhões (27% maior do que no ano anterior);

•significativo crescimento do agronegócio (café, soja, milho, carnes etc.), que representa, atualmente, mais de 40% das exportações do país;

•redução das taxas de juros que contribuem para o aquecimento do mercado interno;

•redução da taxa de desemprego no país;

•ampliação do Programa de Aceleração Econômica, com estímulos à infraestrutura em diversos setores (portos, aeroportos, rodovias, hidrelétricas etc.) e incentivo às grandes obras, visando a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas no Rio de Janeiro (2016);

•ampliação de programas que têm por objetivo criar oportunidades para que mais brasileiros cursem universidades, como o Fies e o Prouni.

Merece destaque, também, a atuação da presidente no sentido de viabilizar a formação da Comissão da Verdade.



Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press. Brasil.

Membros da Comissão Nacional da Verdade em reunião no Centro Cultural Banco do Brasil. Brasília (DF), 2013.
Página 227

Em novembro de 2011, a presidente Dilma Rousseff sancionou duas novas leis que puderam, finalmente, resgatar parte da memória e “passar a limpo” o mais traumático período da história recente do país: a ditadura militar, que se abateu sobre a sociedade brasileira entre 1964 e 1985. Tanto a Lei de Acesso às Informações Públicas quanto a instituição da Comissão da Verdade possibilitaram, respectivamente, a mais ampla divulgação de documentos governamentais e a investigação a respeito dos crimes de violação dos direitos humanos ocorridos no período 1946-1988, portanto, entre o fim da ditadura Vargas (1937-45) e a promulgação da atual Constituição brasileira. Na prática, no entanto, as investigações se concentraram no período da ditadura militar.

As duas novas leis se articularam, uma vez que a Lei de Acesso foi essencial para esclarecer, enfim, fatos vergonhosos de nossa história recente, condição básica para que a Comissão da Verdade – formada por sete membros indicados pela Presidência da República – examinasse e trouxesse à tona episódios nos quais milhares de brasileiros foram presos, torturados, exilados e/ou assassinados, sendo que muitos simplesmente “desapareceram” nos “porões da ditadura”, vítimas da truculência de um regime de exceção, sem que suas famílias tivessem a oportunidade de enterrar dignamente seus mortos.

A Comissão da Verdade, que iniciou seus trabalhos em maio de 2012, teve o prazo de dois anos para investigar, documentar e colher depoimentos. No entanto, limitada pela Lei de Anistia (1979), não pôde responsabilizar criminalmente os agentes do Estado que, à margem da lei, perpetraram os crimes contra os direitos humanos.



Professor, a temática da Comissão da Verdade pode ser um bom início de debate a respeito da importância da preservação da memória.


Catálogo: editoras -> liepem18 -> OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> HISTÓRIA%20CAMINHOS%20DO%20HOMEM%201%20AO%203º%20ANO%20-%20BASE -> DOCX
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Ronaldo vainfas
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Oficina de história: volume 1
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Gilberto Cotrim Bacharel e licenciado em História pela Universidade de São Paulo Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie Professor de História e advogado Mirna Fernandes
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Geografia Espaço e identidade Levon Boligian, Andressa Alves 3 Componente curricular Geografia
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do professor
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do Professor História Global
DOCX -> Caminhos do homem: das origens da humanidade à construção do mundo moderno, 1º ano
DOCX -> Caminhos do homem: da era das revoluções ao Brasil no século, XIX, 2º ano


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   261   262   263   264   265   266   267   268   ...   464


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal