Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano


TRABALHANDO COM FONTES HISTÓRICAS



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TRABALHANDO COM FONTES HISTÓRICAS

O caricaturista Theo faz referência ao “homem da vassoura”, símbolo utilizado por Jânio Quadros na campanha presidencial. Com a vassoura, pretendia “varrer a corrupção e a bandalheira”. Tendo feito uma rápida carreira política (vereador, prefeito paulistano e governador do estado de São Paulo), Jânio foi o mais jovem candidato eleito para a presidência.



Bandalheira: roubalheira.

Henri Ballot/O Cruzeiro/EM/D.A Press



Caricatura de Jânio Quadros.

Jânio Quadros. Brasília (DF), 1955.

Registre em seu caderno:

1. Em sua opinião, quais características e da personalidade de Jânio Quadros o caricaturista procurou ressaltar?

Seu curto governo, de apenas sete meses, caracterizou-se por forte oposição interna, que se ampliou à medida que o presidente tentou implantar uma política externa independente, com o restabelecimento das relações com a União Soviética e com a China, além da condecoração de Ernesto Che Guevara, herói da Revolução Cubana.

Sua política econômica também foi bastante impopular, uma vez que houve corte de gastos públicos, aumento da taxa de juros e contenção salarial, medidas consideradas importantes para combater a inflação herdada do governo JK.
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Em um gesto que surpreendeu o país, em 25 de agosto de 1961, Jânio renunciou, afirmando estar sendo pressionado por “forças terríveis”. Imaginou que teria apoio popular e que as Forças Armadas não aceitariam a posse do vice-presidente, João Goulart, ex-ministro do Trabalho e herdeiro político de Getúlio Vargas.

Assim, para permanecer na presidência, ele exigiria uma reforma da Constituição que lhe ampliasse os poderes. No entanto, seu pedido de renúncia foi prontamente aceito, pois já não tinha apoio no Congresso. Abriu-se, a partir de então, uma grave crise político-institucional, uma vez que amplos setores, formados por empresários, latifundiários, militares e representantes do capital externo, eram contra a posse de João Goulart.

Porém, João Goulart foi apoiado por um movimento cívico-militar liderado pelo governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola (1922-2004), que insistia na defesa da ordem constitucional, criando a Rede da Legalidade, que mobilizou boa parte da opinião pública a favor da posse de Goulart.

Como “solução de compromisso”, foi adotada uma emenda à Constituição, estabelecendo o parlamentarismo no país. Com essa medida, João Goulart assumiu a presidência e foi criado o cargo de primeiro-ministro, cabendo a ele, de fato, o exercício do poder.

Um plebiscito, realizado em janeiro de 1963, decidiu maciçamente pela volta ao sistema presidencialista. Recuperando os poderes, Goulart não conseguiu evitar que a crise política e econômica caminhasse rapidamente para um impasse ao tentar levar adiante um amplo programa de reformas de base (reforma agrária, universitária, bancária etc.).

Sabendo um pouco mais

Por meio da leitura do texto a seguir, você compreenderá por que as elites brasileiras se sentiram ameaçadas com as reformas de base.



Professor, incentive um debate com os estudantes a respeito das reformas de base e os motivos que as levaram a ser percebidas como ameaça à elite.

É fácil perceber que as reformas de base não se destinavam a implantar uma sociedade socialista. Eram apenas uma tentativa de modernizar o capitalismo e reduzir as profundas desigualdades sociais do país a partir da ação do Estado. Isso, porém, implicava uma grande mudança à qual as classes dominantes em geral, e não apenas os latifundiários como se pensava, opuseram forte resistência.

FAUSTO, B. História do Brasil. 2. ed. São Paulo: Edusp/FDE, 1995. p. 448-449.

A partir de então, as tensões políticas, o aumento da inflação e o aprofundamento da crise econômica e social tornaram-se ainda maiores em virtude dos seguintes fatores:

•pressões dos sindicatos e do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) por aumentos salariais;

•tentativa do governo de controlar a remessa de lucros das empresas multinacionais;

•temores de amplos setores da classe média de que o presidente pretendia transformar o Brasil em uma “nova Cuba”;
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•pressões dos movimentos sociais rurais, que se manifestavam por meio das Ligas Camponesas, exigindo “reforma já” e “reforma agrária na lei ou na marra”;

•reações dos grandes proprietários de terra que se recusavam a cumprir o Estatuto do Trabalhador Rural, aprovado em 1963, estendendo aos trabalhadores do campo a legislação trabalhista já garantida para os trabalhadores urbanos;

•apoio de empresas multinacionais, sobretudo norte-americanas, aos grupos políticos de oposição;

•inconformismo dos militares, os quais com base na Doutrina de Segurança Nacional entendiam que o presidente era incapaz de controlar os grupos radicais de esquerda que o pressionavam;

•oposição de setores conservadores da Igreja Católica preocupados com o “perigo vermelho”;

•críticas da imprensa conservadora em relação à aproximação do governo Goulart com os países socialistas;

•pressões diplomáticas do governo dos EUA preocupado com o que parecia ser uma “esquerdização” do governo Goulart.



Professor, é possível propor uma reflexão a respeito dos movimentos sociais da atualidade, destacando suas formas de atuação e suas motivações, com ênfase naqueles existentes na cidade em que vivem os estudantes.


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