Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano



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1. Controle do déficit fiscal.

2. Cortes de gastos públicos.

3. Reforma tributária.

4. Administração das taxas de juros.

5. Administração da taxa de câmbio.

6. Política comercial de abertura do mercado e liberação de importações.

7. Liberdade para a entrada de investimentos externos.

8. Privatização das empresas estatais.

9. Desregulamentação da economia, eliminação de barreiras, regras restritivas e leis trabalhistas.

10. Lei de patentes e garantia de direitos da propriedade.

A questão israelo-palestina: um permanente foco de tensão

É no Oriente Médio que se encontra uma das mais controversas questões geradoras de tensão no tempo presente: a questão israelo-palestina.

As origens da atual questão israelo-palestina remontam à Antiguidade, uma vez que a região, parte integrante do chamado Crescente Fértil, sempre foi objeto de disputas entre diversos povos. Antes da ocupação romana no século I a.C., o Reino Hebreu, cuja capital era Jerusalém, foi dominado, sucessivamente, por assírios (930-600 a.C.), babilônios, persas e helênicos (323-142 a.C.).
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Em 70 d.C., após uma tentativa de levante contra a dominação romana, os judeus foram dispersados (“Segunda Diáspora” – a primeira ocorreu por ocasião da invasão babilônica, no século VI a.C.) por várias áreas do Império Romano. Na primeira metade do século VII, a região foi incorporada ao domínio árabe e, já no século XVI, foi anexada ao Império Turco-Otomano.

Entre 1517 e 1917, a Palestina fez parte desse império.

Em fins da Primeira Guerra Mundial (1914- -1918), iniciou-se a dominação britânica. Em 1917, com a Declaração Balfour, o Reino Unido comprometeu-se a apoiar a criação de um Estado judeu. Paralelamente, intensificou-se o movimento sionista.

Criado em 1896 pelo jornalista austro-húngaro Theodor Herzl, o objetivo desse movimento era a criação de um “lar nacional judaico”.O termo sionismo é uma referência ao Monte Sion, localizado em Jerusalém.

Na década de 1920, intensificou-se a imigração de judeus europeus para a Palestina, particularmente poloneses e russos. Esse fato provocou veementes protestos da comunidade árabe radicada na região. A partir de 1933, com a ascensão de Hitler na Alemanha, cresceu a onda migratória, particularmente de judeus alemães, para a Palestina, o que desencadeou uma “revolta árabe” entre 1936 e 1939.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com a divulgação do Holocausto, em que milhões de judeus foram vítimas nos campos de concentração e de extermínio nazistas, o movimento sionista ganhou intensidade e apoio da comunidade internacional.

Em 1947, a ONU apresentou uma proposta de divisão da Palestina, então sob mandato britânico, entre árabes palestinos e judeus, com a criação de Israel e de um Estado palestino, sendo que Jerusalém, cidade considerada sagrada por muçulmanos, cristãos e judeus, ficaria sob controle internacional. A proposta, aceita pelos judeus, foi rechaçada pela comunidade árabe, contrária à criação do Estado de Israel em terras que, segundo esta, pertenceria historicamente ao mundo árabe. No entanto, em 14 de maio de 1948, sob a liderança de David Ben Gurion, foi declarada a independência de Israel.



Desde a formação do Estado de Israel, em 1948, a região do Oriente Médio tornou-se particularmente explosiva. Em 1956, quando o presidente Nasser, no Egito, nacionalizou o Canal de Suez, Grã-Bretanha e França, que procuravam manter sua influência naquela área, contando com o apoio de Israel, organizaram uma ação militar contra aquele país. Pressionados pelos EUA, contrários ao nacionalismo anglo-francês, e pela URSS, que se posicionou a favor do Egito, os ingleses, franceses e israelenses foram forçados à retirada. Essa fonte iconográfica, uma charge soviética, satiriza o fiasco de Suez: o leão britânico e o galo francês conseguem escapar de Suez, com o rabo e as penas da cauda arrancados por uma esfinge furiosa (que representa o Egito).



Professor, esse pode ser um momento para trabalhar juntamente com a disciplina de Sociologia, explorando as formas que o povo judeu utiliza para manter sua unidade e suas tradições, mesmo longe de sua terra natal. Este livro pode contribuir com esse trabalho: BRENNER, Michael. Breve história dos judeus. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

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Mario Yoshida



Fonte: FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Agência Folha, 16 maio 1999. / FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Agência Folha, 9 mar. 1997.

Mario Yoshida

Fonte: FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Agência Folha, 16 maio 1999. / FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Agência Folha, 9 mar. 1997.

Professor, orientar a leitura dos mapas, observando a Faixa de Gaza e a presença em Jerusalém.

Entre maio de 1948 e janeiro de 1949, travou-se a guerra de independência, na qual forças israelenses, com apoio logístico dos EUA, derrotaram tropas palestinas, egípcias, iraquianas, sírias, jordanianas e libanesas. Como resultado, Israel anexou territórios, anteriormente reservados pela própria ONU, à criação do Estado palestino.

Ao mesmo tempo, cerca de 700 mil palestinos, que haviam sido expulsos da região, refugiaram-se em Gaza, Cisjordânia e Jordânia, e a cidade de Jerusalém foi dividida entre Israel e Jordânia.

Em 1956, uma nova guerra abalou a região. Forças israelenses, britânicas e francesas atacaram o Egito, que havia anunciado a nacionalização do Canal de Suez. A intervenção soviética e norte‑americana forçou um cessar - -fogo. Em 1964, foi criada a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo objetivo era (e continua sendo) a fundação de um Estado palestino. Três anos depois, em 1967, um novo conflito na região culminou na Guerra dos Seis Dias, travada entre israelenses, egípcios, sírios e jordanianos.


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Como resultado da vitória de Israel, seu território foi multiplicado por três, uma vez que foram anexadas a ele a Faixa de Gaza, a Península do Sinai (ambas pertencentes ao Egito), a Cisjordânia, as Colinas de Golan ( Síria) e a zona oriental de Jerusalém (anteriormente controlada pela Jordânia).

Em 1969, Yasser Arafat (1929-2004) foi eleito presidente da OLP. Em 1973, teve início a Guerra do Yom Kippur (referência à festa judaica que corresponde ao Dia do Perdão), travada entre Israel, Síria e Egito, sendo os dois últimos apoiados pela Jordânia e pelo Iraque.

Novamente, os países árabes foram derrotados. A partir de então, estes, grandes produtores de petróleo e principais membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), criada em 1960, passaram a aumentar sistematicamente o preço do produto, a fim de pressionar a comunidade internacional a apoiar a causa palestina.

O impacto provocado pelos sucessivos aumentos no preço do barril de petróleo fez com que muitos países mergulhassem em uma grave recessão econômica na década de 1970, inclusive o Brasil. Em 1974, a ONU reconheceu a OLP como única representante dos palestinos.

Em fins da década de 1970, iniciou-se uma aproximação entre Israel e um de seus mais tradicionais inimigos, o Egito. Tendo como mediadores os Estados Unidos, os dois países chegaram aos históricos Acordos de Camp David (1978-1979), por meio dos quais o Egito recuperou a Península do Sinai.

Os Acordos de Camp David pareciam apontar para o encaminhamento de uma solução pacífica para a questão palestina. No entanto, em 1982, sob o pretexto de expulsar as organizações palestinas estabelecidas na região, forças militares israelenses invadiram o sul do Líbano, criando uma “zona de segurança” na fronteira entre os dois países.

Em 1987, a reação palestina se intensificou, causando o início da Intifada (“revolta das pedras”), uma série de levantes na Faixa de Gaza e Cisjordânia contra a ocupação israelense.



Em setembro de 1993, Israel e a OLP iniciaram um processo de paz com a assinatura dos Acordos de Oslo, em Washington (as conversações a respeito das etapas do processo ocorreram em Oslo, capital da Noruega). Houve o reconhecimento mútuo e foi assinada uma carta de princípios que previa um sistema de autonomia limitada para os palestinos na Faixa de Gaza e na cidade de Jericó (Cisjordânia) por um período de cinco anos (após esse período, a autonomia também se estenderia à Cisjordânia). O eixo central do processo de negociação era “terra

Mario Yoshida

Fonte: FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Agência Folha, 16 maio 1999. / FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Agência Folha, 9 mar. 1997.

Professor, se achar pertinente, explore com os estudantes o conteúdo das Intinfadas, revoltas em que pedras eram atiradas nos judeus, com o objetivo de combater a ocupação judaica.
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em troca de paz”. Como reconhecimento do esforço político-diplomático empreendido pelos líderes dos dois lados, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, o chanceler Shimon Peres e o dirigente palestino Arafat receberam o prêmio Nobel da Paz (1994).



yoram biberman/Getty Images



Crianças judias. Jerusalém, Israel, 2013.

THOMAS COEX/AFP/Getty Images

Judeus ortodoxos no Muro das Lamentações. Jerusalém, Israel, 2016.

As negociações de paz não prosperam, em grande parte por causa do radicalismo tanto de judeus como de grupos extremistas palestinos. Para os judeus ortodoxos, o eixo central da questão (“terra em troca de paz”) é uma concessão que enfraquece Israel e inviabiliza a formação do “Grande Israel”. Já para extremistas palestinos, as concessões acordadas em 1993 eram pouco significativas e não contemplavam uma solução para o problema de Jerusalém (os palestinos reivindicam a parte oriental da cidade como capital de seu futuro Estado, enquanto Israel considera Jerusalém como sua “capital espiritual e indivisível”). Outro ponto polêmico é a questão dos refugiados: os palestinos exigem o retorno deles ao território (ao todo são cerca de 3,5 milhões, que vivem em países da região), mas Israel repudia tal ideia, que daria a um possível Estado palestino um peso demográfico muito grande.

Em 1995, as áreas sob autonomia palestina em Gaza e na Cisjordânia foram ampliadas. Em novembro do mesmo ano, o premiê Yitzhak Rabin foi assassinado por um extremista judeu contrário às concessões até então feitas. Shimon Peres assumiu o cargo de primeiro-ministro até as eleições de maio de 1996, quando foi derrotado, por estreita margem, pelo conservador Benyamin Netanyahu. Durante o governo Netanyahu, o processo de paz ficou praticamente paralisado.

Em 1998, as pressões internacionais a favor da retomada do processo de paz levaram o governo israelense a aceitar a proposta de um encontro com o líder Arafat. O encontro foi realizado em um centro de conferências em Wye Plantation, nos Estados Unidos. O acordo de Wye Plantation previa, entre outros pontos:

• a retirada das tropas israelenses de 13% do território da Cisjordânia;

• a construção de duas vias seguras de trânsito entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia;

• a abertura de um aeroporto em Gaza;

• a eliminação, por parte dos palestinos, de cláusulas de sua Carta Nacional consideradas hostis por Israel.


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Com a eleição do líder trabalhista Ehud Barak, em maio de 1999, o processo de paz foi retomado. Em julho, Barak e Arafat reuniram-se em Camp David, nos Estados Unidos, para uma tentativa de acordo. Pela primeira vez, o governo israelense ofereceu aos palestinos a soberania em certas áreas de Jerusalém Oriental, mas Arafat recusou a proposta por defender a soberania palestina plena nos locais sagrados de Jerusalém.

Em virtude das concessões feitas ao palestinos, os partidos políticos que apoiavam Barak no Parlamento abandonaram a coalizão.

Em 28 de setembro de 2000, uma onda de violência teve início após a visita do líder da direita israelense, o general da reserva Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas, o local mais sagrado de Jerusalém para os palestinos.

A visita do ex-chanceler e ex-ministro da Defesa à praça onde ficam as duas mesquitas reverenciadas pelos muçulmanos, na parte antiga de Jerusalém, provocou uma reação (previsível) dos palestinos. No dia seguinte, tropas israelenses reprimiram violentamente todos os protestos.

Entretanto, a repressão não conseguiu inibir os protestos dos palestinos.Três pontos impedem a continuidade do processo de negociação da paz entre palestinos e israelenses:




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