Camila quadros



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atlântico: identidades e projetos políticos. 1 ed. Rio de Janeiro: Editora da UFF, 2014, v. 1, p. 32-45.  
Idem. “Evaristo de Moraes. O juízo e a história”. In: LARA, Silvia Hunold; MENDONÇA, Joseli Maria Nunes. 
(Org.). Direitos e Justiças no Brasil. Ensaios de História Social. 1ed. Campinas: Editora Unicamp, 2006, v. 1, p. 
303-342.  
30
 MORAES, Evaristo de. A campanha abolicionista: 1879 – 1888. 2ª edição. Brasília, UnB, 1986. 


17
 
 
determinantes naquele contexto, como as fugas escravas e o movimento popular (por exemplo, 
através  das  sociedades  abolicionistas),  mas  sempre  associando  às  medidas  e  discussões 
parlamentares  nos  últimos  anos  da escravidão.  Ao longo do trabalho,  ele retoma os  embates 
entre  os  políticos  do  partido  conservador  e  liberal,  as  consequências  disso  nos  gabinetes 
ministeriais que legislaram o país entre as décadas de 1870 e 1880, e políticos que exerceram 
grande  influência  naquele  contexto,  por  exemplo,  Joaquim  Nabuco.  Moraes  afirma  que  a 
ascensão  de  Nabuco  ao  Parlamento  (1880),  assim  como  o  discurso  proferido  pelo  deputado 
Jerônimo Sodré (5 de março de 1879), iniciam a campanha pela libertação dos escravos. Em 
suas palavras, “tem o início da nova campanha data precisamente fixada, pelo menos quanto à 
ação parlamentar, que precedeu à popular” (grifos nossos).
31
 
Apesar de o autor enfatizar as ações parlamentares que determinaram os últimos anos 
da  escravidão,  ele  também  trata  da  campanha  popular  que  foi  empreendida  pela  causa 
abolicionista,  especialmente  através  do  associativismo.  Ele  analisa  a  fundação  de  diversas 
sociedades por todo o país na década de 1880, a relação que mantinham com a imprensa, com 
a  população  em  geral  e  também  com  os  cativos.  Naquela  época  se  tornavam  recorrentes  as 
publicações  abolicionistas  nos  jornais,  assim  como  festejos  em  prol  dessa  causa.  Eles 
auxiliavam  nas  fugas  dos  escravos  e  nas  relações  com  os  senhores,  quando  aqueles 
denunciavam  qualquer  tipo  de  abuso  de  autoridade,  como  castigos  excessivos.  Entre  as 
sociedades apresentadas, Moraes destaca a Confederação Abolicionista, fundada em 1880, no 
Rio de Janeiro, a qual ele descreve da seguinte forma:  
Desde então, toda a propaganda libertadora foi, mais ou menos, dirigida pela 
Confederação Abolicionista, e esta movimentada por um grupo de associados, 
entre  os  quais  força  é  destacar:  José  do  Patrocínio,  João  Clapp,  Domingos 
Gomes  dos  Santos  (o  Radical),  Serpa  Júnior.  Promovia  a  Confederação 
conferências, quermesses, benefícios teatrais, concertos, a favor da libertação 
dos  escravos.  Era  ela  que,  junto  aos  poderes  públicos,  reclamava  contra  os 
abusos  do  Cativeiro,  e,  perante  a Justiça,  pleiteava  ou  protegia  a  causa  dos 
escravos.
32
  
 
Assim, de acordo com o que Moraes argumenta em seu livro, a campanha abolicionista 
foi  suscitada  pelas  discussões  parlamentares  que  se  acentuaram  naquele  período,  graças  à 
atuação de deputados como Nabuco, o que repercutiu e assim encontrou apoio no campo social, 
já que essa causa vinha sendo cada vez mais propagada na sociedade. Além disso, o autor indica 
outros fatores que, segundo ele, explicam a Lei Áurea:  
a)intransigência  escravista  do  Barão  de  Cotegipe,  levando-o  a  excessos,  na 
reação contra o Abolicionismo e na perseguição dos escravos; b) a revogação 
                                                           
31
 Ibidem, p. 30. 
32
 Ibidem, p. 48. 


18
 
 
do art. 60 do Cód. Criminal e da lei n.º 4, de 10 de junho de 1831 (na parte em 
que esta impunha a pena de açoites); c) as manifestações antiescravistas do 
Imperador (...); d) a atitude das autoridades judiciárias e policiais francamente 
simpáticas à causa dos cativos; e) o protesto enérgico oposto pelos escravos 
ao  fato  da  própria  escravidão,  traduzindo-se  por  fugas  em  massa  e  pelas 
exigências  de  libertação  e  salário;  f)  a  representação,  só  aparentemente 
respeitosa, dos militares, mostrando-se pouco dispostos a perseguir escravos 
fugidos;  g)  a  viravolta  na  opinião  de  Antônio  Prado,  decidindo  pela 
emancipação  em  curtíssimo  prazo  a  maioria  dos  proprietários  paulistas  e 
desanimando  qualquer  resistência  por  parte  dos  outros;  h)  a  transformação, 
tanto  sentimental,  quanto  por interesse  dinástico,  da  Princesa  Regente,  que, 
sob o impulso dos acontecimentos, se desprendeu da pressão reacionária do 
Barão de Cotegipe.
33
 
 
Observando  todos  esses  elementos  apontados  por  Moraes,  percebemos  que  ele 
considera  o  fim  da  escravidão  como  resultado  do  abolicionismo  e  do  encaminhamento 
parlamentar.  Entre  as  justificativas  descritas,  ele  associa  a  fatores  ligados  à  pressão  social 
exercida  pelos  escravos,  abolicionistas  e  até  mesmo  pelos  militares.  Além  disso,  o 
fortalecimento político que a causa ganhou, por meio de medidas legislativas e com o apoio da 
Princesa  e do  Imperador. Assim, o autor se  aproxima daquilo que Nabuco defendeu  em  seu 
livro, pois ele também enfatiza a ação parlamentar, e ressalta a abolição como consequência de 
um processo que foi empreendido ao longo da década de 1880.  
 



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