Camila quadros



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CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
Nosso  objetivo  principal  nesse  trabalho  de  pesquisa  foi  o  de  abordar  a  abolição  da 
escravidão, através de uma outra perspectiva, procurando ampliar as interpretações sobre esse 
tema. Isso porque consideramos que essa história também deve ser escrita por grupos inseridos 
em uma cultura negra, como a capoeira, que reivindicam um discurso e uma identidade própria. 
Para isso era necessário entender o que já havia sido dito sobre o fim da escravidão no Brasil. 
Foi isso que realizamos no primeiro capítulo, cotejando fontes teóricas (como a obra 
de  Joaquim  Nabuco  e  Evaristo  de  Moraes)  e  historiográficas,  a  fim  de  investigar  como 
interpretavam  a  abolição.  Tal  esforço  foi  satisfatório,  pois  compreendemos  que  não  há  uma 
única  versão,  já  que  os  autores  destacam  diferentes  causas  e  enfatizam  sujeitos  históricos 
distintos.  Percebemos  que  eles  se  opõem,  à  medida  que  alguns  se  baseiam  em  questões 
econômicas, outros legislativas e, mesmo os que tomam como referencial as pressões escravas, 
no processo para o fim da escravidão, também não compactuam de uma mesma análise.  
 Assim,  pudemos  verificar  que  há  debates  em  torno  desse  tema.  É  inegável  a 
importância que a abolição tem na formação da sociedade brasileira, o que justifica ela ser tão 
discutida e constantemente questionada. Nas canções que analisamos, algumas consideram que 
a  Lei  Áurea  contribuiu  para  o  processo  de  marginalização  dos  negros  no  país.  Outras 
consideram  que  ela  não  passou  de  um  papel  assinado  por  uma  princesa.  Porém,  enquanto 
historiador, não nos cabe julgar a história, mas sim tentar reconhecer e esclarecer os fatos que 
a  constituem,  tentando  demonstrar  como  ela  é  escrita  e  porque  ela  contribui  para 
compreendermos a construção da sociedade em que vivemos. 
As fontes históricas que embasaram nossa pesquisa são músicas cantadas na capoeira 
atualmente, evidenciando vários aspectos e significados que não se explicavam por si só. Por 
isso, buscamos entendê-los, por meio de uma pesquisa histórica, investigando a formação da 
capoeira  contemporânea.  O  que  fizemos  estudando  autores  que  abordavam  os  primeiros 
registros  (durante  a  colônia)  e  as  trajetórias  ao  longo  da  história,  no  período  imperial  e 
republicano.  Dessa  forma,  constatamos  que  a  capoeira  é  algo  diverso,  carrega  tradições, 
significados e inúmeras finalidades. Ela é uma luta, uma brincadeira, uma fuga das opressões 
sociais, um esporte, uma cultura, resistência, identidade, entre vários outros valores. Tudo isso 
serve para que ela construa suas próprias memórias e narrativas, as quais são compartilhadas 
pelos capoeiristas, através da convivência entre eles, dos rituais e também pelas canções. O que 
procuramos demonstrar em nossas análises das fontes. 


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Por  fim,  trabalhando  com  as  canções,  pudemos  reconhecer  semelhanças  e  relações 
com aquilo que havíamos abordado. Os discursos sobre a abolição, que, em alguns casos, se 
assemelhavam ao que os autores haviam dito, e em outros se opunham. As músicas conferem 
o protagonismo a agentes sociais distintos, enquanto algumas louvam a princesa Isabel, outras 
cultuam Zumbi dos Palmares, como o grande libertador. Notamos que muitas canções servem 
como denúncia dos problemas sociais que persistem, como o racimo, a discriminação social e 
os preconceitos que ainda estruturam nossa sociedade. Assim, elas fortalecem uma identidade 
negra,  valorizam  a  cultura  e  a  história  negra,  ressignificando  o  passado  da  escravidão  e  a 
capoeira, colocando-a como a verdadeira libertação. 
Portanto, o principal intuito com esse trabalho era analisar a abolição da escravidão, 
através  das  canções  da  capoeira.  No  entanto,  ele  foi  muito  além  disso,  pois  nos  permitiu 
entender um fato histórico tão importante para a nossa história, como a abolição; conhecer mais 
a história da capoeira, permeada por tantas transformações; e contribuiu na formação enquanto 
historiadora e também capoeirista. A minha trajetória enquanto capoeirista começou há cinco 
anos,  já  proporcionou  grandes  aprendizados  e  é  enriquecedor  perceber  que  eles  não  se 
esgotaram, pois esse trabalho é a prova disso. Assim como, encerrar a graduação estudando a 
história, através da capoeira, também foi bastante positivo, pois reconheci que a história se faz 
com vários instrumentos, sejam livros, os ensinamentos do Mestre para seus alunos, ou músicas 
cantadas em rodas do mundo todo. E é isso que a torna ainda mais rica e significativa. 



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