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Partido Conservador e os Guaiamuns foram bases do Partido Liberal



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Partido Conservador e os Guaiamuns foram bases do Partido Liberal.
115
 
 
Conduru também faz menção a esses “serviços políticos” prestados pelos capoeiristas, 
afirmando que eles dissolviam comícios, roubavam ou falsificavam urnas eleitorais, coagiam 
eleitores  e  atacavam  políticos  dos  partidos  rivais.
116
  Dessa  forma,  é  compreensível  a 
argumentação de Pires: “era impossível aos líderes políticos realizar eleições, defender as zonas 
eleitorais e suas próprias vidas sem as alianças com os capoeiras, que foram, provavelmente, 
“líderes comunitários” em diversas freguesias.”
117
 
Tais relações com a política monarquista resultou na formação da Guarda Negra, após 
a  assinatura  da  Lei  Áurea,  que  tinha  como  objetivo  defender  a  Princesa  Isabel, 
consequentemente a monarquia. De acordo com Conduru, esse grupo chegou a receber verbas 
da polícia do Governo de João Alfredo, a fim de enfrentar os movimentos republicanos, por 
exemplo, intervindo em comícios e reuniões.
118
 O autor argumenta que a organização interna 
das  maltas,  juntamente  com  suas  mobilizações  políticas,  fez  com  que  elas  se  associassem  à 
Guarda  Negra,  por  exemplo,  a  malta  da  Glória,  chamada  “Flor  da  Gente”,  que  mantinha 
relações com o Partido Conservador, conforme indica Pires.
119
 
Portanto,  podemos  notar  que  as  transformações  ocorridas  na  capoeira,  durante  o 
período Imperial, fez com que ela assumisse novas formas. Ela passou a ser vista como uma 
prática que perturbava a ordem pública; que envolvia os mais diversos grupos sociais, e não 
somente africanos  e crioulos; se tornou um  instrumento de poder na sociedade urbana, pois, 
                                                           
114
 Ibidem, p. 40. 
115
 Ibidem, p. 46. 
116
 CONDURU. Op. Cit, p. 26. 
117
 PIRES. Op. Cit, p. 48. 
118
 CONDURU. Op. Cit, p. 27. 
119
 PIRES. Op. Cit, 47. 


46
 
 
através da luta, seus praticantes impunham poder nas regiões onde habitavam, determinando 
seus próprios limites. Conforme defende Pires,  
A capoeira no século XIX, até o final do regime monarquista em 1890, passou 
por  diversas  transformações.  Entendo  que  nas  primeiras  décadas  do  século 
XIX ela tenha sido uma prática dos escravos africanos, em sua maioria, e de 
seus filhos, os escravos nascidos no Brasil. Ao passar dos tempos, com o fim 
do  tráfico  negreiro,  restou  aos  seus  descendentes  manter  a  cultura 
genuinamente escrava. O modelo da prática da capoeira no século XIX surge 
enquanto  forte  fator  de  adaptação  dos  escravos  africanos  ao  novo  contexto 
social urbano. A organização dos grupos, de forma geral, seguiu uma lógica 
de  interesses  locais,  dividindo  os  indivíduos  não  mais  por  etnias,  ou 
nacionalidades, mas pela relações de poder produzidas no contexto brasileiro. 
(...) As chamadas “maltas de capoeiras” ou “partidos” tinham seus membros 
por toda a sociedade carioca. Os grupos exerciam poder de fato, criando suas 
leis  e  demarcando  território,  entrando  em  sintonia  com  o  regime  político 
monarquista  e  suas  representações  partidárias  na  cidade  do  Rio  de  janeiro. 
Grupos  e  capoeiras  participaram  de  momentos  importantes  no  cenário 
nacional  e  ganharam  identidade  própria,  desenvolveram  uma  cultura 
hegemônica, uma dinâmica de expansão e enraizamento na sociedade carioca 
do século XIX.
120
  
 
 



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