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  As  revoltas  escravas  e  a  luta  pela  liberdade:  Clóvis  Moura  e  Lana  L.  da



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1.3  As  revoltas  escravas  e  a  luta  pela  liberdade:  Clóvis  Moura  e  Lana  L.  da 
Gama Lima. 
Entre as interpretações historiográficas sobre a escravidão e a abolição que abordam a 
resistência  escrava,  destacamos  o  autor  Clóvis  Moura
49
.  Em  seu  livro,  ele  discorre  sobre  as 
                                                           
47
 Ibidem, pp. 210 e 211. 
48
  Um  texto  que  firma  as  bases  teóricas  dessa  forma  de  pensar  a  transformação  histórica  é  o  Prefácio  à 
Contribuição à Crítica da Economia Política, de Karl Marx. Nele o autor considera que a transformação histórica 
decorre de alterações ocorridas na base econômica da sociedade. MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia 
política; tradução e introdução de Florestan Fernandes. 2ª edição. São Paulo: Expressão Popular, 2008. 288 p. 
49
 MOURA, Clóvis. Rebeliões da Senzala. Quilombos, insurreições, guerrilhas. 2ª edição. Editora Conquista: 1972. 


23
 
 
insubordinações  escravas,  existentes  em  todo  o  período  de  escravização  no  Brasil, 
considerando,  principalmente,  as  fugas  e  as  rebeliões.  No  primeiro  capítulo,  apresenta  a 
participação escrava em alguns movimentos políticos, desde a colonização até o Império, por 
exemplo,  na  Revolta  de  Filipe  dos  Santos,  Inconfidência  Mineira,  Revolta  dos  Alfaiates 
(também conhecida como Conjuração Baiana) e Confederação do Equador.  
Ao abordar essas revoltas, Moura afirma que seus líderes usavam o apoio dos escravos 
para  fortalecer  os  movimentos,  nos  quais  eles  eram  inseridos  porque  havia  interesses 
convergentes, como a causa abolicionista. Por exemplo, ao tratar sobre a Inconfidência Mineira, 
o  autor  defende  “(...)  que  os  inconfidentes,  de  um  modo  geral,  eram  abolicionistas,  não  há 
muitas dúvidas. (...) Outros inconfidentes viram na escravaria de Minas Gerais, àquele tempo 
organizada  em  quilombos  em  diversas  zonas  da  Capitania,  material  humano  e  social  muito 
importante.”
50
. Para ele, os escravos eram envolvidos nesses movimentos políticos por serem 
vistos  como  uma  força  de  apoio  importante.  Sendo  assim,  é  constante  a  seguinte  ideia:  “a 
primeira forma de participação mostra o escravo  alienado, ainda idelogicamente estruturado 
nos quadros institucionais que vigoravam, isto é, participando sem se transformar em elemento 
de  negação  do  sistema  escravista  (...).”
51
  Ou  seja,  ele  reconhece  que  houve  a  contribuição 
escrava,  em  algumas  revoltas,  inclusive,  foi  fundamental,  como  na  Conjuração  Baiana.  No 
entanto,  pela  visão  dele,  isso  ocorreu  de  forma  alienada,  sem  que  os  escravos  tivessem 
consciência de suas ações.  
Outro fator interessante é a forma como o autor elabora seu trabalho, pois ele narra 
uma série de acontecimentos sem analisar as diversas perspectivas possíveis. Exemplificamos 
com o caso de uma revolta situada em Minas Gerais, por volta do ano de 1821, que foi relatada 
nas pesquisas do historiador Miguel Costa Filho.
52
 Segundo as fontes relatadas, essa consistiu 
em um grupo de negros e escravos - de acordo com os registros, chegou a ter 15 mil indivíduos 
-, liderados por um negro com  posses, chamado  Argoins.  Ao saberem  da nova  constituição, 
aprovada na Revolução Liberal do Porto, ocorrida na Metrópole, eles concluíram que não havia 
mais escravidão no Brasil e saíram pela região da província proclamando tal fato e afrontando 
quem os contrariava. Tais relatos, de acordo com Moura, carecem de mais documentos, pois só 
se encontrou o registro no Diário Extraordinário da Europa.  
Considerando  que  tal  episódio  é  verídico,  impressiona  pensar  como  esses  negros 
tiveram  acesso  ao  fato  de  uma  nova  constituição  ter  sido  aprovada  em  Portugal  e  ainda 
                                                           
50
 Ibidem, pp. 60 e 61. 
51
 Ibidem, p. 73. 
52
 Ibidem, p. 73. 


24
 
 
associarem tal novidade em favor da sua situação, decretando estarem livres. Essa seria uma 
perspectiva  a  ser  notada  e  já  renderia  muitas  reflexões.  A  interpretação  dada  por  Moura, 
entretanto, segue outro raciocínio: “(...) como se pode constatar sem muito esforço ou exibição 
de inteligência, havia muita confusão, muita contradição e muitas limitações na mente desses 



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