Caderno de Leituras e ditora s chwarcz


 Teatro,  tv  e música em sala de aula,  86   23



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22.
 Teatro, 
tv
 e música em sala de aula
86
 
23.
  Diálogo entre textos e entre culturas, 
90
 
24.
  Imagens e apenas imagens na ampliação do universo literário, 
93
 
25.
  Sustos e arrepios como fonte de prazer na leitura literária, 
96
 
26.
  Ouvir os mitos e aprender com eles, 
101
 
27.
  Quadrinhos para todas as idades, 
105
 
28.
  Histórias e personagens de lá e de cá, de hoje e de sempre, 
109
 
29.
  Ler, apreciar, falar e ouvir sobre livros e leituras, 
113
   
Sugestões para a biblioteca do professor, 
116
   
Créditos das ilustrações, 
121
Sumário


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Um ato vital
 
Quanto melhor uma criança lê, mais ela gosta de ler; quanto mais hábil na leitura, mais 
autonomia tem para buscar os livros como fonte de conhecimento e prazer. Tudo pode ga-
nhar sentido (e às vezes brilho) através da língua: um conto de fadas, o enunciado de um 
exercício de matemática, uma pintura clássica, um verbete de dicionário, uma explicação 
sobre o que é o tempo.
Com este Caderno de Leituras, que apresenta algumas possibilidades de trabalho em sala 
de aula, os selos da Companhia das Letras dirigidos a leitores jovens querem estar mais perto 
das pessoas que ensinam as crianças a ler, ou melhor: a gostar de ler.
São textos que abordam problemas surgidos da própria literatura e do trabalho pedagó-
gico em sala de aula: o tipo de histórias a oferecer aos alunos e em que momento oferecê-las, 
a organização da biblioteca da classe, as indicações bibliográficas para trabalho coletivo, a 
sistematização de certos saberes aparentemente desvinculados de qualquer utilidade, a ade-
quação entre as leituras indicadas e o desenvolvimento afetivo e intelectual dos estudantes e 
assim por diante.
Nossas sugestões pretendem ser, antes de tudo, uma forma de trocar experiências com o 
professor, e por isso mesmo a ideia não é tanto destacar uma lista específica de livros. Impor-
ta mais indicar um tipo de relação com eles, um modo de valorizá-los, para que se tornem 
objeto de apreço dos nossos pequenos e jovens leitores.
O editor


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Introdução
A escola tem a tarefa institucional de garantir que os estudantes se tornem usuários efe-
tivamente hábeis do sistema de representação escrita, pois saber ler e escrever é condição in-
dispensável ao exercício pleno da cidadania. E, juntamente com ensinar a ler para aprender
é preciso também ensinar a ler por ler. Ou seja, além de ter estratégias de ensino para desen-
volver a fluência e a eficiência nos usos da escrita associados às demandas sociais, a escola 
deve favorecer também a qualidade do vínculo dos alunos com a literatura e a capacidade de 
dialogar com os textos lidos por satisfação pessoal, por necessidades individuais.
É importante que os alunos aprendam a ter a leitura também como instrumento de pra-
zer, como ferramenta lúdica que nos permite explorar outros mundos reais ou imaginários, 
que nos aproxima de outras pessoas e de outras ideias. Por isso, em todos os níveis de es-
colaridade deve haver tempo e espaço programados para a leitura gratuita, para ler para si 
mesmo, sem outra finalidade senão a de sentir como pode ser bom entregar-se à leitura. 
Fomentar esse prazer individual não é uma prática independente de ensinar a ler. 
Este Caderno de Leituras foi produzido com base nessas ideias e traz algumas indicações 
do que se pode propor para que, ao longo da escolaridade, os alunos criem e consolidem 
uma relação positiva com a leitura, ao mesmo tempo que adquirem e formalizam um con-
junto crescente de conhecimentos acerca da escrita, da literatura e do ato de ler.
Apresentamos algumas sugestões de como a literatura pode se prestar como instrumento 
didático, sem contudo se destituir de suas propriedades mais importantes, isto é, mantendo 
o caráter estético, permitindo múltiplas interpretações por diferentes pessoas, incentivando o 
estabelecimento de relações entre o que se lê e as experiências pessoais e, ainda, incitando uma 
assimilação prazerosa das histórias que os livros guardam. 
Cada texto se compõe de uma justificativa para os conteúdos abordados, em seguida de 
encaminhamentos possíveis para diferentes momentos da escolaridade. As estratégias de 
trabalho que eles contêm estão organizadas em duas vertentes: uma propõe formas de estru-
turar situações em que os alunos experimentem diferentes procedimentos de leitura e escrita 
e, com isso, se desenvolvam como leitores e escritores; a outra indica caminhos para que eles 
estreitem suas relações com os livros como fonte de informações variadas e de prazer.
Por fim, acreditando que o professor que ensina a ler é, também ele, um leitor, uma pes-
soa para quem a leitura é intimamente necessária, tomamos a liberdade de sugerir alguns 
títulos para sua biblioteca pessoal.
Bom trabalho.


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1
 
De onde vêm  
as histórias?
Uma das fontes mais ricas da literatura é a experiência  
individual e o modo como ela se integra à memória  
das pessoas. Também na escola o ato de lembrar  
pode ser uma ponte sólida para o ato de escrever.
A criação literária bebe na fonte das lembranças e experiências pessoais. As passagens pi-
torescas, as pessoas, as recordações e saudades de um tempo, de um lugar, de alguém podem 
se tornar história, romance, conto, poema, prosa, verso. A história da literatura é repleta de 
exemplos que confirmam essa ideia.
Quando os alunos produzem textos narrativos, raramente expressam suas lembranças e 
ideias pessoais; na maior parte das vezes reproduzem histórias que conhecem, na íntegra ou 
aproveitando alguns elementos como ambientes, personagens ou ações que estes realizaram.
Embora saibamos que o uso desse recurso constitui uma boa estratégia para que os es-
tudantes aprendam a criar suas próprias histórias, a proposta aqui é evidenciar, para esses 
escritores pouco experientes, que suas memórias também podem render uma boa história. 
Essa característica da produção literária precisa ser conhecida, apreciada e experimentada 
pelos alunos. Com isso, talvez seja possível desmontar a crença, bastante difundida entre 
adultos e crianças, segundo a qual só é possível compor textos quando existe a inspiração.
Sendo assim, é fundamental ler histórias em que o autor se explicita como escritor de 
memórias e lembranças. 
No livro Histórias de índio  há um toque de emoção em cada texto do autor, desde o conto 
inicial, em que ele revisita o seu povo, até a breve autobiografia, escrita em tom bastante en-
volvente. Daniel Munduruku também faz uso de crônicas que relatam o espanto, o encanto, 
o medo, a ignorância das pessoas diante de um índio. 
Paralelamente à leitura, os alunos podem ser convidados a escrever suas próprias lem-
branças. Situações desse tipo favorecem o aprendizado de que a língua escrita registra a 
memória, seja de um minuto, seja de um século


14
Nas classes de educação infantil, quando ficção e realidade se misturam o tempo todo, 
o professor deve localizar qual é o lugar do autor no texto lido para a turma, esclarecendo 
sobre o que ele escreve, de onde veio a ideia para aquele texto etc.


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