Brasil, uma história


Partido Conservador. Matos foi atacado, na Câmara, pelo deputado Simplício



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

Partido Conservador. Matos foi atacado, na Câmara, pelo deputado Simplício
Rezende, amigo e correligionário do comandante punido, que o acusou de
covardia na Guerra do Paraguai. Quando se defendeu em artigos de jornal –
recurso que era vedado aos militares –, Matos foi preso por dois dias, acirrando
ainda mais a questão.
Em 23 de setembro de 1886, Júlio de Castilhos escreveu, em seu próprio
jornal, um artigo intitulado “Arbítrio e inépcia”, atacando o Império e
transformando a Questão Militar em “questão” política e nacional. O texto de
Castilhos apresentava o Exército como a única força que se mantinha “impoluta”
em meio a uma “nação em ruínas”. Duas semanas antes, o marechal Deodoro,
comandante em armas e presidente em exercício da Província do Rio Grande do
Sul, havia decidido que não iria punir Sena Madureira, mas o ministro da
Guerra, Alfredo Chaves, que antes mandara prender Cunha Matos, já o havia
feito.
Em outubro, os alunos da Escola Militar da Praia Vermelha – conhecida
como “tabernáculo da Ciência” e berço da chamada “mocidade militar” –
declararam seu apoio a Deodoro (que fora exonerado e transferido para Mato
Grosso) e a Sena Madureira (que se demitira do Exército).
Ao chegar ao Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 1887, Deodoro e Sena
Madureira foram recebidos como heróis pelos cadetes. A tensão estava se
tornando incontrolável, e D. Pedro II precisou tomar decisões que preservassem
a integridade do Império. Em maio do mesmo ano, Chaves caiu, Madureira,
Deodoro e Cunha Matos foram perdoados e a Questão Militar supostamente se
encerrou. Pela primeira vez na história do Brasil, os militares haviam se


E
afirmado como classe unida, antecipando o papel que teriam dois anos mais
tarde.
O REPUBLICANISMO
mbora o papel de golpistas tenha sido confiado aos militares e as fricções
com a Igreja tenham ajudado a abalar a imagem pública do Império – sem
falar de todo o desgaste político decorrente da tortuosa luta pela abolição –, o
fato é que, sem a base social fornecida por um largo setor da burguesia cafeeira
de São Paulo, politicamente organizada em torno do Partido Republicano
Paulista (PRP), o movimento de novembro de 1889 jamais se concretizaria.
O ideal republicano no Brasil era bem anterior à fundação do PRP. Tanto é
que não apenas a Conjuração Mineira como várias revoltas internas do período
regencial já sonhavam com a queda da monarquia. Mas a tais movimentos
faltara sempre base legalista e econômica – além do apoio das classes
conservadoras.
Em 1870, surgira, no Rio, o Partido Republicano – a primeira organização
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