Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
A maior derrota militar de Bento Gonçalves se deu no combate da ilha de Fanfa, no rio Jacuí, nos
arredores de Porto Alegre, em outubro de 1836. E o pior é que ele foi vencido por seu ex-companheiro,
Bento Manoel Ribeiro, que, logo após o início da revolução, abandonou os farrapos e passou para o
lado dos imperiais. Auxiliado pela frotilha do norte-americano John Greenfell – que fora contratado
pela Marinha imperial –, Bento Manoel cercou Bento Gonçalves na ilha. Cento e vinte rebeldes
morreram durante o cerco – muitos deles afogados, Bento Gonçalves se rendeu, e Bento Manoel
prometeu que, se jurasse lealdade ao Império, nem ele nem seus novecentos seguidores seriam presos.
Mas a promessa não foi cumprida, e Gonçalves foi enviado a ferros para o Rio de Janeiro. Na prisão,
foi visitado pelo revolucionário Giuseppe Garibaldi, que resolveu aderir à causa dos farrapos. Após
uma tentativa de fuga, Gonçalves foi transferido para o Forte do Mar, na Bahia, de onde escapou
espetacularmente em setembro de 1837, retornando ao Rio Grande do Sul e assumindo a Presidência
da República Rio-Grandense, para a qual tinha sido eleito em novembro de 1836. De 1836 ao fim da
guerra, Bento Gonçalves foi o líder inconteste da República gaúcha e do exército farrapo. Em 1844,
exonerou-se do cargo para evitar conflitos internos entre os rebeldes. Ainda assim, teve de matar, em
duelo, o velho amigo Onofre Pires. Morreu dois anos após o fim da guerra, só, empobrecido e
amargurado.
GIUSEPPE GARIBALDI
omo sua vida foi brilhantemente romanceada por Alexandre Dumas, em
Memórias de um camisa-vermelha, o revolucionário italiano Giuseppe
Garibaldi passou à história como um grande herói libertário. Mas a verdade é
que sua participação na Guerra dos Farrapos, embora repleta de cenas épicas e
de um caso de amor clássico, foi um fiasco. Nascido em Nice, em 1807, deixou a
Europa fugindo de uma condenação à morte e da peste em Marselha. Exilou-se
no Rio de Janeiro, onde conheceu o conde italiano e revolucionário Tito Lívio
Zambecari e seu companheiro Bento Gonçalves – ambos “farroupilhas”
encarcerados nas prisões do Império.
Garibaldi falhou na tentativa de resgatá-los do cárcere. Mas logo a seguir já
estava no Rio Grande do Sul, portador de uma “carta de corso” que o autorizava
a percorrer a lagoa dos Patos em um lanchão saqueando barcos imperiais. Vários
ataques fracassaram. A mais grandiloquente participação de Garibaldi na Guerra
dos Farrapos foi a condução por terra dos lanchões Seival e Rio Pardo. Apesar
disso, o ataque a Laguna, com os lanchões, não teve grandes resultados práticos.
Pelo menos não para a guerra, já que, para o mercenário Garibaldi, significou o


C
encontro com a mulher de sua vida, Anita (leia box página anterior). Em 1845,
Garibaldi renegou sua ligação com os Farrapos. Em 1848, em companhia de
Anita, retornou para a Itália. Participou das lutas nacionalistas, enfrentou os
austríacos, esteve nos EUA, no Peru e na China – sempre em combate. Morreu
em 1882. Em seguida, foi eternizado pelo criador de Os três mosqueteiros.
ANITA
Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva era costureira em Laguna – SC quando se apaixonou pelo
aventureiro loiro e revolucionário Garibaldi (à direita). Então, largou o marido, pegou em armas, teve
seu batismo de fogo em muitos combates, foi inúmeras vezes abandonada pelo amante, para sempre
reencontrá-lo, tornando-se ela própria um símbolo de paixão e desprendimento. Anita e Garibaldi
casaram-se em Montevidéu, em 1842 (ela se fez passar por solteira). Em 1847, já com três filhos,

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