Brasil, uma história



Baixar 2.26 Mb.
Pdf preview
Página76/193
Encontro22.07.2022
Tamanho2.26 Mb.
#24335
1   ...   72   73   74   75   76   77   78   79   ...   193
Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
O
RIGEM DO NOME
: Os principais ideólogos da rebelião se uniam em torno de
um jornal, o Diário Novo. Como a tipografia que o imprimia se localizava na rua
da Praia, os liberais pernambucanos ficaram conhecidos como “Praieiros”.


D
P
OR QUÊ
: Em setembro de 1848 caiu, no Rio de Janeiro, o gabinete liberal.
Em seu lugar, assumiram os conservadores, sob a chefia de Araújo Lima (que já
havia sido regente). Um novo presidente, ligado ao Partido Conservador,
assumiu então a Presidência da Província de Pernambuco e começou a substituir
todos os liberais (ou praieiros) dos cargos que ocupavam. O ódio entre liberais e
conservadores, existente em todo o Brasil, era especialmente exarcebado em
Pernambuco. Os conservadores chamavam os liberais de “chimangos”
(referência a uma ave de rapina), ao passo que os liberais haviam apelidado os
conservadores de “gabirus” (espécie de ratazana). As mais tradicionais famílias
de Pernambuco – os Cavalcanti e os Rego Barros, ambos senhores de engenho –
formaram um governo oligárquico na província, e foi contra esse estado de
coisas que a revolta liberal eclodiu.
Q
UANDO
: No dia 7 de novembro de 1848, sob a liderança de deputados
liberais, um grupo de rebeldes tomou a cidade de Igaraçu, de onde logo foram
expulsos pelas tropas legalistas. Três dias mais tarde, irrompia um novo conflito
entre os dois grupos, deixando 23 “imperiais” e 43 praieiros mortos. Em
fevereiro de 1849, os rebeldes tentaram tomar o Recife, mas foram rechaçados.
Um dos líderes do movimento, o deputado Joaquim Nunes Machado, foi morto.
A partir de então se iniciou uma guerra de guerrilhas, circunscrita ao interior da
província. Mais de trezentos praieiros morreram nessas escaramuças. Por fim,
embora os rebeldes ainda tentassem invadir a Paraíba, em agosto de 1849, com a
prisão de Antônio Borges da Fonseca, o movimento começou a arrefecer. Em
fevereiro de 1850, o capitão Pedro Ivo – líder das guerrilhas – foi capturado, o
que decretou o fim do levante. Logo após a supressão da Praieira, o Segundo
Reinado ingressaria em um período de grande estabilidade, com a constituição
do chamado “Gabinete da Conciliação”, que harmonizou os interesses de liberais
e conservadores.
A GUERRA DOS FARRAPOS
e todas as rebeliões provinciais que abalaram a Regência, nenhuma foi mais
duradoura e violenta do que a Guerra dos Farrapos. Embora tenha se
prolongado por dez anos e apresentado inúmeras reviravoltas, a verdade é que,
para quem se debruça sobre a vasta bibliografia originada por esta luta fratricida,


a sensação é a de estar lidando não com uma, mas com várias guerras distintas –
reveladas em versões absolutamente divergentes. Comandantes que lutavam de
um lado de repente surgem do outro. Batalhas épicas tornam-se massacres
cometidos à traição. Grandes feitos militares viram um embuste sem resultados
práticos. Heróis são vilões, e vilões são heróis. A razão está do lado dos vivos. E
mortos não falam. Como em todas as guerras, também na Guerra dos Farrapos a
primeira vítima foi a verdade.
GENERAL NETTO
A Guerra dos Farrapos iniciou-se quando, sob o comando de Bento Gonçalves da Silva, um coronel
monarquista, o Rio Grande se levantou contra os desmandos do presidente da província Antônio Rodrigues
Fernando Braga (que, por ironia, fora indicado para o cargo pelo próprio Bento Gonçalves). Vários
ressentimentos dos gaúchos eclodiram a seguir. E, então, assim sem mais, um general, Antônio de Sousa
Netto, proclamou a “independência” da República Rio-Grandense. O “causo” nunca foi bem explicado e

Baixar 2.26 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   72   73   74   75   76   77   78   79   ...   193




©historiapt.info 2023
enviar mensagem

    Página principal