Brasil, uma história


partiu para uma inspeção a Santos, o futuro imperador e Domitila já eram



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

partiu para uma inspeção a Santos, o futuro imperador e Domitila já eram
amantes – e o seriam por sete longos e abrasadores anos. Mas nem a diarreia
nem as vertigens da paixão impediriam D. Pedro de tomar a maior decisão de
sua vida. Aos 24 anos, o príncipe estava desde os dez no Brasil. Aqui, tivera seus
primeiros cavalos e suas primeiras mulheres; aqui, vencera seus primeiros
desafios, políticos e pessoais. Não restavam dúvidas de que D. Pedro amava o
país. Parecia o homem certo para torná-lo uma nação independente. Foi
justamente o que ele fez.
AS ESPOSAS
A primeira esposa de D. Pedro foi D. Leopoldina, filha do imperador Francisco I de Habsburgo. Os noivos
casaram sem se conhecer, em maio de 1817, embora D. Leopoldina tenha se apaixonado após ver uma
imagem do marido. Ao vivo, a partir de novembro de 1817, a paixão aumentou – antes de arrefecer. Nos
dois primeiros anos, D. Pedro foi-lhe fiel. D. Leopoldina lhe deu sete filhos, morrendo em 1826, em
consequência de um parto. Em 1829, D. Pedro casou com a princesa Amélia de Leuchtenberg, com quem
teve uma filha. Viúva aos 22 anos, D. Amélia não mais se casaria. Morreu aos 70 anos.
UM PRÍNCIPE BRASILEIRO
o retornar de uma audiência com o regente de Portugal D. João VI, em abril
de 1805, o embaixador da França em Lisboa, Andoche Junot, anotou no


diário: “Meu Deus! Como é feio! Meu Deus! Como é feia a princesa! Meu Deus!
Como são todos feios! Não há um só rosto gracioso entre eles, exceto o do
príncipe herdeiro”. Junot, que dali a três anos invadiria o país, estava se
referindo ao garoto Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de
Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pasqual Sipriano Serafim de
Bragança e Bourbon. O segundo filho varão de D. João e Carlota Joaquina
nascera no dia 12 de outubro de 1798, na sala D. Quixote do palácio de Queluz,
em Lisboa. Antônio, primogênito de D. João, morreu em 1801, aos seis anos de
idade, tornando D. Pedro o primeiro na linha sucessória. Apesar disso, nem o
regente nem D. Carlota se preocuparam com a educação do filho. Em 1808,
depois que D. Pedro se mudou com os pais para o Brasil, esse desleixo assumiria
proporções quase criminosas. Criado solto na Quinta da Boa Vista ou na fazenda
Santa Cruz (propriedade tomada dos jesuítas, a cerca de 80 quilômetros do Rio),
o jovem D. Pedro andava sozinho na mata, brigava a pau e soco com outras
crianças, bolinava as escravas. Ali, tornou-se um exímio mas imprudente
cavaleiro: caiu do cavalo 36 vezes.
A rudeza desses primeiros anos pode ter agravado a epilepsia congênita: aos
18 anos, D. Pedro já sofrera seis ataques da doença. Alguns, durante cerimônias
oficiais – que o príncipe não tolerava (no beija-mão, ele a estendia a adultos,
mas, se uma criança se aproximava, ele a socava no queixo). Mas, desde a
infância, Pedro revelou ser um sujeito despojado e de bom coração. Andava com
roupas de algodão e chapéu de palha, tomava banho nu na praia do Flamengo,
ria, debochava e zombava com quem quer que fosse.
Era mau poeta e mau latinista, mas bom escultor e excelente músico: tocava
clarinete, flauta, violino, fagote, trombone e cravo. Também tocava um
instrumento e um ritmo malditos: o violão e o lundu, que aprendera em lugares
mal-afamados no Rio, como a taverna da Corneta, na rua das Violas, onde o
príncipe conheceu aquele que viria a ser seu melhor amigo, Francisco Gomes da
Silva, o Chalaça. Deve ter sido lá também que Pedro teve sua iniciação sexual.
E, depois que começou, não parou mais: por toda a vida, D. Pedro foi um amante
latino, dândi liberal que tomava o que gostava – cavalos, mulheres ou roupas.
Mas quem convivera com ele concordava com algumas de suas últimas palavras:
“Orgulho-me de ser verdadeiro, humano e generoso e de ser capaz de esquecer
as ofensas que me são feitas”.


E
INTRIGA NAS CORTES DE LISBOA
mbora tenha começado a romper seus grilhões coloniais no momento em
que D. João VI abriu os portos “às nações amigas”, em janeiro de 1808, os
fatos que antecederam – e anteciparam – a independência do Brasil estão
diretamente ligados à Revolução Liberal do Porto, que eclodiu em agosto de
1820.
Portugal era então governado pelo marechal inglês Beresford, que expulsara,
ainda em 1808, os franceses do reino. Indignados com a situação – e com o fato
de custearem a onerosa permanência de D. João VI no Brasil –, os revoltosos se
aproveitaram da ida de Beresford ao Rio para deflagrar o movimento. Além de
forçar D. João a retornar a Portugal, a junta provisória que assumiu o controle da
nação decidiu reconvocar as “Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da
Nação Portuguesa”, que habitualmente eram reunidas em épocas de crise. E foi
graças à intransigência das Cortes que os fatos se precipitaram, não deixando aos
brasileiros outra opção que não a luta pela independência.
AS AMANTES

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