Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Ao longo dos treze anos que ficou no Brasil, D. João VI envolveu-se em três conflitos armados. O primeiro
foi a invasão da Guiana Francesa, colônia que o país de Napoleão mantinha na América do Sul. Foi uma
ação rápida e tranquila: com setecentos homens e a ajuda naval inglesa, a capital Caiena foi tomada em
janeiro de 1809. O território seria devolvido à França em 1817. Em julho de 1821, depois de anos de
escaramuças na fronteira sulista, D. João incorporou ao Brasil a Banda Oriental do Uruguai, que seu
exército havia tomado em 1817. Rebatizado de Província Cisplatina, o novo território permaneceria sob
controle do Brasil até 1825.
O conflito interno mais grave ocorrido durante o período de D. João VI no Brasil foi a chamada Revolução
Pernambucana de 1817. Movimento autonomista de inspiração republicana e maçônica, foi fruto do forte
sentimento nativista e separatista que grassava em Pernambuco desde a expulsão dos holandeses, em 1654.
Em março de 1817, um grupo de revolucionários assumiu o poder na província, declarando-a uma
república separada do resto do Brasil. O novo regime só durou até maio, quando tropas portuguesas
invadiram o Recife e debelaram o movimento. Seus três principais líderes (entre eles o padre Miguelinho)
foram fuzilados.


D
Capítulo
14
O BRASIL DOS VIAJANTES
ecididos a impedir que a exuberância dos recursos e da natureza
brasileira despertassem a cobiça dos demais povos europeus, por três
séculos os portugueses mantiveram o Brasil completamente fechado aos
olhos estrangeiros. Essa situação só começou a se modificar a partir de 1808,
com a chegada da família real ao Rio de Janeiro e a abertura dos portos. A partir
daí, um ávido enxame de sábios, cientistas e naturalistas desembarcou no Brasil.
E houve um efeito-cascata: cada trabalho publicado na Europa atraía novas levas
de estudiosos. Antes disso, porém, Portugal impedira que alguns cientistas de
renome estudassem a natureza brasileira. Em 1768, por exemplo, ao realizar sua
grande viagem de circum-navegação, o capitão James Cook aportou no Rio de
Janeiro – mas os botânicos, os zoólogos e os astrônomos que o acompanhavam
foram proibidos de desembarcar. Mais grave ainda foi o fato de as autoridades
portuguesas terem impedido a entrada no Brasil, em 1800, do maior de todos os
sábios naturalistas, o barão alemão Alexander von Humboldt, que estava na
Venezuela. Os prejuízos para o desenvolvimento da ciência no Brasil foram
imensos – e irremediáveis.
Embora a “abertura” oficial do Brasil ao olhar estrangeiro tenha se dado em
1808, pouco antes Portugal já baixara a guarda – e evidentemente em favor dos
ingleses. É o que explica a entrada no país, em 1802, do viajante Thomas
Lindsey. Mais surpreendente ainda foi a permissão que seu compatriota John
Mawe obteve para visitar a fechadíssima região das Minas Gerais, em 1807 – e
escrever minuciosamente sobre elas. Três outros ingleses logo viriam ao Brasil:
John Luccock, em 1808, e Henry Koster, no ano seguinte, ambos autores de
relatos notáveis. O terceiro viajante era Richard Francis Burton, príncipe dos
exploradores britânicos, tradutor das Mil e uma Noites e do Kama-Sutra,
descobridor das nascentes do Nilo e primeiro ocidental a entrar em Meca. Burton
foi cônsul britânico em Santos – SP e redigiu dois livros sobre o Brasil, um deles


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perdido para sempre. Na esteira dos ingleses – e muito influenciados pela obra
de Humboldt – chegaram alemães e austríacos, como o príncipe Maximiliano,
Langsdorff, Spix e Martius.
Todos trouxeram grandes artistas consigo e, assim, além de publicarem textos
notáveis sobre o Brasil, foram responsáveis também pela produção de belas
obras de arte.
OS CIRCUM-NAVEGADORES
urante os anos de clausura, as autoridades portuguesas só permitiam que
ancorassem no Brasil expedições de circum-navegação – e apenas para
reequiparem seus navios com a maior brevidade possível. Desde a primeira
viagem ao redor do globo, realizada, sob bandeira espanhola, pelo navegador
lusitano Fernão de Magalhães, o Rio de Janeiro serviu de ponto de escala.
Magalhães partiu da Espanha em 20 de setembro de 1519, com cinco navios e
250 tripulantes, e chegou ao Rio em 13 de dezembro. Sua viagem foi narrada
pelo italiano Francesco de Pigafetta, um nobre que conseguiu embarcar na nau
Trinidad e que seria um dos únicos dezoito sobreviventes a retornar, três anos
depois, ao ponto de partida.
Pigafetta não se surpreendeu apenas com a beleza da baía de Guanabara:
também as frutas, como o abacaxi, os animais, como a preguiça, e, em especial,
a franqueza sexual das nativas o espantaram. Os primeiros homens a navegar em
torno do globo partiram da “Terra do Verzino” (como Pigafetta chamou o Brasil)
no dia 27 de dezembro de 1519. Cerca de um ano depois, acharam o estreito que
unia o Atlântico ao Pacífico e que foi batizado com o nome de seu descobridor.
A descoberta abriu caminho para os corsários ingleses Drake e Cavendish, os
circum-navegadores seguintes.
O temível Francis Drake passou ao largo do Brasil antes de atacar o Peru, em
1578. Treze anos depois, a colônia não teria a mesma sorte: no dia de Natal de
1591, Thomas Cavendish atacou Santos, antes de se arriscar pelo estreito de
Magalhães. Impedidos de atracar no Rio, os holandeses Olivier van Noort, em
1598, e Joris van Spilbergen, em 1614, usaram Ilhabela, em São Paulo, como
porto de reabastecimento antes de cruzar o amedrontador estreito e completar a
volta ao mundo.


As viagens ao redor do globo iriam adquirir nova dimensão depois que o
capitão James Cook partiu de Plymouth, Inglaterra, em agosto de 1768. Levando
consigo botânicos, zoólogos e astrônomos – e financiado pela Royal Society –,
Cook estava inaugurando a era das grandes expedições científicas. Embora seu
navio tenha obtido permissão para abastecer-se de água no Rio, seus tripulantes
não puderam desembarcar. O botânico Joseph Banks – um cientista genial –
ficou desolado. Teve de se contentar com uma breve excursão pela ilha Rasa,
onde foi capaz de recolher 320 espécies, entre as quais orquídeas e bromélias
lindíssimas, logo retratadas pelo artista Sidney Parkinson.
A BUGANVÍLIA

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