Brasil, uma história


parte (1769-1821) foi um dos maiores generais da história. Assumiu o poder na França



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Napoleão Bonaparte (1769-1821) foi um dos maiores generais da história. Assumiu o poder na França
depois de liderar uma brilhante campanha militar no Egito. Seu regime autocrático foi bem aceito
após o caos provocado pela Revolução Francesa.
Em 1804, Napoleão proclamou-se imperador – e ele próprio se coroou. Entre 1805 e 1810, conquistou
praticamente toda a Europa: só não venceu a Inglaterra, a qual bloqueou por mar. Em 1807, enviou a
Portugal um ultimato, forçando-o a declarar guerra aos britânicos. Ainda que por vias indiretas, o
Brasil iria lucrar duplamente com Napoleão: além da vinda da família real, deve a ele o envio da
missão artística francesa, em 1816.
Andoche Junot era um velho conhecido de D. João VI: pouco antes, fora
embaixador da França em Lisboa. Agora, à frente de um exército de 23 mil
soldados, ele marchava para tomar a capital. Embora mal-armada, maltreinada,
faminta e fatigada, a tropa de Junot era identificada com a máquina de guerra
que esmagara os exércitos da Áustria e da Rússia. Por isso, os franceses
entraram em Portugal sem encontrar resistência e, em 25 de novembro, estavam
nos arredores de Lisboa.
Desde o dia 20, chovia sem parar e, desde a tarde do dia 27, a família real já
estava embarcada. Só no dia 29, porém, o tempo mudou. O dia rompeu radioso,
e o vento soprou do nordeste. Foi o chamado “vento espanhol” que empurrou a
esquadra real para a segurança do Brasil, no exato instante em que Junot tomava
Lisboa e, do alto da Torre de Belém, bombardeava os navios em fuga, atingindo
apenas um e caindo em desgraça com Napoleão.
O RIO REMODELADO


E
mbora desde o dia de sua descoberta o cenário geográfico monumental que
envolve a baía de Guanabara tenha encantado a navegadores, viajantes e
poetas, o fato é que, em 1808, a cidade do Rio de Janeiro era precária,
malcheirosa, provinciana, suja e descuidada. Os membros da corte e da família
real não precisaram mais do que dez minutos para percebê-lo. “Que horror.
Antes Luanda, Moçambique ou Timor”, teria dito a princesa Carlota Joaquina. A
viagem fora incômoda: na pressa, os pertences de cada grupo foram postos em
navios diferentes. Velas foram cortadas para se transformar em camisas; a
comida não era suficiente, a água era pouca e ruim. Nos primeiros dias no Rio,
porém, a situação não melhorou muito.
A família real e seus 350 lacaios ficaram, de início, instalados no Paço do
Vice-Rei, “moradia miserável para a realeza”, apenas “dignificada com o nome
de palácio”. Para alojar milhares de nobres e cortesãos, cerca de duas mil casas
foram requisitadas – e seus moradores simplesmente desalojados. De início,
muitos cariocas ficaram felizes em ceder seus lares, mas, ao perceber que a
espoliação era feita sem rodeios e parecia ser permanente, revoltaram-se. Casas
confiscadas eram marcadas com as letras P. R. (de “Príncipe Regente”). O povo
logo passou a traduzi-las por “Ponha-se na rua” ou “Propriedade roubada”.
Ainda assim, a cidade ganharia, em breve, tantos melhoramentos que poucos
realmente saíram perdendo.
Aceitando a oferta de Elias Antônio Lopes, um rico traficante de escravos, D.
João VI se mudou para a Quinta da Boa Vista (abaixo). A seguir, determinou o
início das obras de remodelamento do Rio: charcos foram drenados, ruas
ampliadas e calçadas construídas, novos e suntuosos bairros, como Glória,
Flamengo e Botafogo, praticamente criados, e a rua Direita, toda modernizada.
Antes disso, horrorizado com o aspecto “bárbaro” conferido à cidade pelos
muxarabis – grades de madeira ripada que cobriam as janelas –, D. João baixou
um decreto, em junho de 1809, obrigando todos os moradores a retirá-los. Em
menos de cinco anos, o Rio já estava bastante modificado. Com a chegada da
missão francesa, em 1816, a cidade iria lentamente adquirir ares imperiais.
A MISSÃO FRANCESA
oi uma missão civilizatória – e, como todas as demais, incompreendida pelos


F
“nativos”. Disposto a declarar o Brasil um reino e fazer do Rio uma cidade
digna de um rei, D. João VI decidiu trazer ao país um grupo de pintores,
escultores, gravadores e arquitetos franceses. A obra deles daria à cidade um
verniz de civilização. Quem se encarregou de selecionar os artistas foi Antônio
de Araújo de Azevedo, o conde da Barca, intelectual francófilo. Quem contratou
a missão foi o marquês de Marialva, embaixador de Portugal em Paris. Marialva
e Barca não tiveram dificuldades em encontrar mestres dispostos a trocar Paris
pelo Rio: a missão francesa seria formada por artistas que apoiaram Napoleão e
que, com a derrota do autoproclamado imperador, tinham caído em desgraça na
França. Era um time de primeira, indicado pelo barão de Humboldt:

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