Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
J
OÃO
F
ERNANDES
V
IEIRA
:: Natural da ilha da Madeira, mas vivendo no
Brasil desde os dez anos de idade, lutara bravamente contra os holandeses
até ser preso por eles em 1635. Então, aliou-se ao invasor e, tornando-se
negociante e senhor de engenho, adquiriu “a maior fortuna da terra”. Em
dívida com a WIC, liderou a revolta após a saída de Nassau.
A
NDRÉ
V
IDAL DE
N
EGREIROS
:: Mais um rico senhor de engenho que
virou chefe das guerrilhas. Tomou o Recife em 1654, tornando-se
governador de Pernambuco e de Angola até 1666.
F
ELIPE
C
AMARÃO
: Potiguar nascido em 1591, Antônio Poti (“camarão”
em tupi) se converteu ao cristianismo, virou um dos mais fiéis aliados dos
portugueses e o indígena mais respeitado do Brasil. Chefe de um batalhão


S
com apenas 170 índios, obteve grandes vitórias. Em 1633, o rei Filipe III
lhe deu brasão de armas e pensão de 40 milréis. Antônio Poti tornou-se
então D. Felipe Camarão. Em 1635, ganhou comenda da Ordem de
Cristo. Em geral, combatia ao lado da mulher, Clara. Depois da primeira
batalha dos Guararapes, Camarão adoeceu, morrendo em agosto de 1648.
H
ENRIQUE
D
IAS
: Filho de negros libertos, se apresentou a Matias de
Albuquerque à frente de um batalhão de negros “de quatro nações: Minas,
Ardas, Angolas e Crioulos”. Ferido na batalha de Camandituba, teve
amputado metade do braço. Depois da expulsão dos holandeses, foi
nomeado “Governador dos Crioulos, Negros e Mulatos”.
D
OMINGOS
C
ALABAR
: Guerrilheiro mulato, lutou ao lado de Matias de
Albuquerque, mas passou para o lado dos holandeses em abril de 1632.
Deu muito trabalho aos brasileiros. Capturado em julho de 1634, foi
torturado, enforcado e esquartejado. Destino similar ao dos caciques
janduí, poti e paraupaba, que haviam ajudado os invasores.
BRASIL HOLANDÊS: FUTURO DO PRETÉRITO
empre tão pródigo e eficiente na autodepreciação – cujo reflexo mais
perverso e ambíguo talvez se manifeste numa autoindulgência tão
nefasta quanto o desprezo que devota à própria imagem –, o Brasil
enraizou em seu imaginário historiográfico a ideia de que poderia ter se
transformado num paraíso eficiente e produtivo, luzindo ao Sol do
trópico, caso tivesse permanecido sob o domínio holandês, livrando-se da
herança lusitana. Além do quadro psicológico tão revelador, que verdades
históricas poderiam se esconder por trás desse anseio tão frequentemente
apresentado como fato? Um suposto Brasil holandês seria realmente uma
alternativa melhor do que o real Brasil português? Nada permite supor
que sim – pelo contrário.
Em 1971, o historiador Mário Neme debruçou-se sobre a questão e, no
seu bem documentado Fórmulas políticas do Brasil holandês, concluiu
que a tese de que os holandeses estavam dispostos a fazer do Brasil uma
nação democrática, igualitária e eficiente nasceu nos textos do frei
português Manuel Calado, cronista do Brasil holandês que foi “comensal


confesso do conde de Nassau”.
Em sua monumental História do Brasil, lançada em 1854, Francisco
Varnhagem ecoou a tese de Calado. Mas, conforme Neme, Varnhagem
escreveu numa época em que “a inteligência nacional está por inteiro
predisposta contra Portugal… momento em que a reação da antiga
colônia – tomando consciência plena das oportunidades perdidas – entra
na fase emocional da racionalização de todos os ressentimentos,
insuflados pelas lutas da independência, da abolição e da república”.
Nada permite supor, segundo Neme, que um Brasil holandês seria melhor
que o Brasil lusitano.
Não se trata de opinião solitária. “A ideia de que a colonização
holandesa teria sido superior à portuguesa, pelo senso de organização,
nível cultural e grau de liberdade, baseia-se num preconceito, numa ilusão
de ótica e num erro de informação”, escreveram os historiadores Arno e
Maria José Wehling em Formação do Brasil Colonial. “A ilusão de
ótica… é admitir a existência de colonizações ‘melhores’ ou ‘piores’,
quando a natureza da instituição colonial faz com que ela seja objeto – de
lucro, em geral, mas também de populações excedentes – e não sujeito da
relação”.
O mito de um esplêndido Brasil holandês surgiu graças ao governo de
Nassau, muito superior à rudeza portuguesa de até então. Porém, como
notou o historiador Bóris Fausto, “Nassau representava apenas uma
tendência, e a Companhia das Índias Ocidentais, outra, mais próxima do
estilo do empreendimento colonial luso”. Na verdade, basta analisar o que
se passou nas demais colônias holandesas – no Caribe, nas Guianas e na
Ásia – para concluir que, sem Nassau, o Brasil holandês dificilmente teria
um destino fulgurante. Além do mais, como observou o professor
Gonsalves de Mello, “os holandeses não se tinham apoderado do Brasil
com a intenção de o colonizar (…) de para aqui se transferir com as
famílias e estabelecer um renovo da pátria: movia-os sobretudo o
interesse mercantil”. Quando os grandes lucros prometidos pelo açúcar
minguaram, os holandeses preferiram abrir mão de suas conquistas. Ao
fazê-lo, abandonaram inapelavelmente os Tapuia e os Potiguar, seus
aliados indígenas de mais de vinte anos – e jamais moveram uma palha


para defendê-los da terrível vingança luso-brasileira.
RURAL X URBANO

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