Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Alcácer-Quibir na p. 88). Após a morte do jovem D. Sebastião, o cardeal D.
Henrique assumiu o trono. Mas 17 meses depois, quando ele morreu sem
herdeiros, a luta pelo poder tornou-se feroz. Havia cinco candidatos ao trono. O
ambicioso Filipe II era o mais poderoso, o melhor armado e o mais eficaz deles –
e logo suplantou seus adversários.
A notícia levou quase um ano para chegar à Bahia, mas o Brasil, como
Portugal, acabou se sujeitando em relativa paz ao regime de Filipe II. Foi uma
decisão acertada: durante os 60 anos da União Ibérica, o Brasil teria suas
vantagens.
Filipe II, filho da infanta portuguesa D. Isabel (por sua vez, filha do rei D.
Manuel) e do altivo Carlos V, líder da casa dos Habsburgo, foi um dos mais
ambiciosos imperadores da Espanha. Ainda assim, depois de conquistar
Portugal, preferiu adotar uma política generosa e conciliatória: em vez de
dominar o reino, manteve sua autonomia, suas leis, sua língua e sua estrutura


administrativa. Assegurou grandes vantagens à alta nobreza lusitana, que o
apoiara desde o início: deu-lhes o “assiento” (o direito de transportar os escravos
da África para a América) e continuou comprando-lhes os navios que, já antes da
“conquista”, haviam feito a grandeza da armada espanhola.
Sob Filipe II – e, depois, no reinado de seu sucessor Filipe III , o Brasil pôde
sair de uma posição “regional”, a de mero coadjuvante no jogo das trocas
comerciais, para adquirir um novo e mais honroso papel geopolítico, integrando-
se à trama do império “atlântico” concebido por Filipe II. De 1580 a 1615, o
Brasil também se expandiria internamente: a Paraíba e o Maranhão foram
definitivamente conquistados, fundaram-se duas dezenas de povoados, abriram-
se novas linhas de comércio, criaram-se novos cargos públicos, estabeleceu-se
definitivamente a ligação entre o Sul do Brasil e a região do Prata. Além disso, o
foco da atividade econômica desviou-se da agricultura e do extrativismo vegetal
para voltar-se à busca de riquezas minerais – e isso provocaria uma profunda
guinada nos rumos e nos destinos da futura nação.
Foi também durante a época dos Filipes que os bandeirantes paulistas agiram
com desenvoltura dificilmente concebível fora de um período no qual os limites
das possessões da Espanha e de Portugal não estivessem tão “misturados”.
Quando a União Ibérica se encerrou, com o frágil reinado de Filipe IV e a
restauração portuguesa, o imenso território tomado (e devastado) pelos
bandeirantes passou a pertencer ao Brasil. Embora fundamental na história do
país, o período dos Filipes continua sendo um dos menos estudados no Brasil.
Volumosa documentação inédita segue esquecida no Arquivo Geral de
Simancas, na Espanha.
Embora “União Ibérica” seja um evidente eufemismo – afinal, a Espanha
assumiu o controle absoluto sobre Portugal –, no que diz respeito ao Brasil o
termo de fato até faz certo sentido.
Afinal, no Brasil realmente ocorreu uma espécie de síntese entre o modelo
lusitano e o novo estilo castelhano de governar. Muitos historiadores concordam
que, de 1580 a 1621, ao longo dos reinados de Filipe II e de seu filho e sucessor,
Filipe III, o Brasil desfrutaria várias vantagens sob o domínio espanhol. A partir
da posse de Filipe IV, em março de 1621, porém, a boa administração desanda.
Não é mera coincidência o fato de em 1624 os holandeses terem deflagrado sua
primeira tentativa de invadir o Brasil, feito que iriam concretizar em 1630,


quando a administração filipina do Brasil já dava os mais claros sinais de
desregramento e ineficiência. Também foi em função do domínio castelhano que
piratas ingleses passaram a atacar o Brasil.
O TRÁGICO DESTINO DE D. SEBASTIÃO

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