Brasil, uma história


partir dali, estendia seu domínio por toda a costa até o Maranhão. Em 1593



Baixar 2.26 Mb.
Pdf preview
Página38/193
Encontro22.07.2022
Tamanho2.26 Mb.
#24335
1   ...   34   35   36   37   38   39   40   41   ...   193
Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

partir dali, estendia seu domínio por toda a costa até o Maranhão. Em 1593,
retornando à França depois de ter inspecionado a então denominada ilha do
Maranhão, Riffault conseguiu convencer um rico cavalheiro francês, Charles des
Vaux, a investir seu dinheiro numa expedição colonizadora. Em 15 de março de
1594, Riffault e Des Vaux partiram para o Maranhão, com cerca de 150 colonos
e soldados a bordo de três navios. Um naufrágio e uma série de outras
dificuldades fizeram fracassar a empresa.
Em 1604, porém, Charles des Vaux retornou à França para informar às
autoridades que os Tupinambá do Maranhão queriam se converter ao catolicismo
e fazer uma aliança contra os portugueses. E assim, depois de demorados
preparativos e várias viagens de inspeção, em março de 1612 enfim partiram da
França com destino ao Maranhão três navios e quinhentos homens, comandados
por Daniel de la Touche de la Ravardière. Em 26 de julho, a frota chegou à baía
do Maranhão; no dia 12 de agosto, foi celebrada a primeira missa e, no dia 8 de


O
setembro, iniciada a construção da fortaleza que daria origem à cidade de São
Luís, assim batizada em homenagem ao rei-menino Luís XIII.
Quando a notícia da invasão se propagou, o rei Filipe II – que mantinha
Portugal e Espanha unidos sob a Coroa de Castela – determinou o ataque às
tropas de La Ravardière. Em novembro de 1614, o exército luso-brasileiro
comandado pelo mameluco Jerônimo de Albuquerque venceu os franceses, que
capitularam. Mas Filipe II exigiu uma rendição incondicional, e, em novembro
de 1615, De la Touche entregou São Luís e partiu para Lisboa a ferros e sem
direito a indenização. Por três anos, permaneceria encarcerado na Torre de
Belém, triste desenlace de mais uma malfadada tentativa francesa de estabelecer
uma colônia no Brasil.
OS CORSÁRIOS DO RIO
Rio de Janeiro parecia ser uma obsessão francesa. Quase um século e meio
depois do malogro da França Antártica (e cerca de cem anos após a
fracassada tentativa de colonizar o Maranhão), o corsário Jean-François Duclerc
protagonizou nova investida contra o Brasil – e no mesmo local de onde seus
compatriotas haviam sido expulsos em 1566. Contando com o apoio do rei Luís
XIV, Duclerc chegou ao Rio com cinco navios e mil homens, no dia 6 de agosto
de 1710. Depois de várias escaramuças com os portugueses, desembarcou nas
cercanias de Guaratiba, praia próxima da Barra da Tijuca e, entrando pela zona
rural, atacou a cidade pela retaguarda na madrugada do dia 11. No entanto,
auxiliado por voluntários e estudantes, o governador Castro Morais resistiu.
Mais de 300 franceses foram mortos, e os demais, presos, inclusive Duclerc e 41
de seus oficiais. Confinado numa das melhores casas da cidade, Duclerc acabou
sendo assassinado em abril de 1711, “por dois homens embuçados”
(mascarados), supostamente parentes e a mando do governador Castro Morais.
Seis meses após a misteriosa morte de Duclerc e com o suposto propósito de
vingálo, outro corsário francês atacou o Rio de Janeiro. Foi René Duguay-
Trouin, que, no dia 20 de setembro de 1711, à frente de uma frota com 18
navios, 5.764 homens, 740 peças de artilharia e 10 morteiros, não teve
dificuldades para tomar a cidade, evacuada pelo governador Castro Morais.
Trouin exigiu 600 mil cruzados, 100 caixas de açúcar e 200 bois para não


destruir o Rio. O governador pagou o resgate – mas perdeu o cargo e ganhou um
apelido depreciativo: “Vaca.” Trouin, entretanto, pouco desfrutou o milionário
butim: na viagem de retorno, sua frota foi atingida por uma tormenta, e dois dos
melhores navios afundaram, com 1.200 homens e muito dinheiro a bordo. Ainda
assim, a expedição foi lucrativa, e Duguay-Trouin foi promovido a chefe de
esquadra pelo rei Luís XIV.


O
Capítulo
8
O BRASIL ESPANHOL
poderoso Filipe II ainda estava em Badajoz, na Espanha, aguardando a
completa ocupação de Portugal por suas tropas, comandadas pelo duque
de Alba – capítulo final das ações que o levaram a se apoderar do trono
luso e uni-lo ao da Espanha –, quando, em 25 de setembro de 1580, alguém lhe
sugeriu que seria prudente enviar um emissário ao Brasil para saber a posição da
colônia ante a iminente vitória castelhana.
Por séculos, Portugal não fora mais do que uma extensão do reino de Castela.
Em 1385, porém, D. João I, fundador da dinastia de Avis, deu início ao combate
contra os castelhanos e em 1411 obteve a independência portuguesa. Ao longo
dos dois séculos seguintes, a dinastia de Avis tornaria Portugal o primeiro
império global a ter possessões em todos os continentes. Uma batalha
fracassada, porém, travada em 1578 e na qual morreu o rei D. Sebastião, faria
sucumbir, em poucas horas, esforços de 200 anos (leia sobre a derrota em

Baixar 2.26 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   34   35   36   37   38   39   40   41   ...   193




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal