Brasil, uma história


participado da derrota imposta pelos batavos à esquadra do conde da Torre



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

participado da derrota imposta pelos batavos à esquadra do conde da Torre,
governador-geral do Brasil. Com mais de mil homens, Raposo tomou parte,
então, na grande marcha dos derrotados, ao pé do cabo São Roque, no Rio
Grande do Norte, até a Bahia: 2.700 quilômetros percorridos em quatro meses.
Nada que se possa comparar à derradeira e monumental aventura do maior
dos bandeirantes: em fins de 1648, com 1.142 homens – brancos, mamelucos e
índios –, Raposo Tavares partiu de São Paulo para atacar o Itatim. Embora duas
reduções tenham sido destruídas, a empresa fracassou. Em abril de 1649, porém,
em vez de ordenar o retorno, Raposo marchou rumo ao desconhecido. Em
fevereiro de 1651, 58 homens que, de acordo com uma carta escrita pelo padre
Antônio Vieira, “pareciam mais desenterrados do que vivos” chegaram ao forte
de Gurupá, próximo a Belém, no Pará. Por dois anos, tinham feito um “grande
rodeio” por terras jamais percorridas: do Itatim (sul de Mato Grosso), a tropa
chegara às cercanias dos Andes, na Bolívia. E então, descendo os rios Guaporé,
Madeira e Mamoré, seguiram o Amazonas até Belém. Ao chegar em São Paulo,
em fins do mesmo ano, Raposo Tavares estava tão desfigurado que nem mesmo


A
parentes e amigos puderam reconhecê-lo.
FERNÃO DIAS E A MIRAGEM FATAL
trágica jornada de Fernão Dias rumo à miragem de Sabarabuçu reprisou, em
terras brasileiras, as vertiginosas viagens dos espanhóis em busca do
Eldorado. Ao longo dos sete anos em que permaneceu no sertão à cata de
esmeraldas que não estavam lá, a expedição se defrontou com todas as
turbulências: fome, peste, traição, assassinato, delações, miséria e filicídio. A
única concessão de um destino de resto inclemente foi permitir que, ao morrer,
num delírio febril, Fernão Dias tivesse certeza de que eram esmeraldas as
turmalinas que arrancara da terra.
Em 1672, quando o rei de Portugal o conclamou para ajudar na caça às
pedras verdes, Fernão Dias Pais era um dos mais experientes e bem-sucedidos
sertanistas de São Paulo – e um dos mais idosos. Aos 64 anos, já participara dos
“saltos” às reduções do Tape – RS, já investira contra o Itatim – MS e caçara
indígenas pelos arredores de São Paulo. De uma só vez trouxe, de Apucarana –
PR, cinco mil Guayaná cativos. Possuía duas enormes fazendas, uma em
Parnaíba – SP, outra em Pinheiros (hoje bairro da cidade de São Paulo), nas
quais seus escravos plantavam o trigo que o governo comprava para alimentar as
tropas em luta contra os holandeses no Nordeste. Nascido dos “mais velhos clãs
vicentinos”, filho e neto de pioneiros ilustres, Fernão Dias Pais Leme era um dos
homens mais ricos e famosos da São Paulo seiscentista. E um dos mais
“piedosos” também: os padres não cansavam de elogiá-lo por ter erguido, à
própria custa, o mosteiro de São Bento.
Em 1674, porém, Fernão Dias largou tudo – a mulher enferma, as seis filhas,
as fazendas –, vendeu sua prata, seu ouro e seu gado e partiu em busca das
“recônditas pedras verdes”. Tinha 66 anos.
A lenda indígena de Sabarabuçu, a serra resplandecente, há muitos anos fazia
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