Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Paraná-Uruguai (área 4): as reduções por excelência, também chamadas de Trinta Povos Guaranis,
erguidas vários anos após a devastação do Guaíra, na mesopotâmia dos rios Uruguai e Paraná,
floresceram em paz, a partir de 1670, até serem bruscamente abandonadas com a expulsão dos jesuítas, em
1759. Enquanto das primeiras reduções nada sobrou, dos Trinta Povos restam hoje ruínas monumentais.
A escravização dos índios “reduzidos” era rigorosamente ilegal. Mas,


vivendo no topo do planalto, um tanto distantes do litoral e afastados das
capitanias bem-sucedidas de Pernambuco e da Bahia, os paulistas logo
adquiriram uma mentalidade independente e rebelde. Julgando-se abandonados
pela metrópole e se sentindo o refugo da colônia, criaram uma civilização
própria, fundamentada em temeridade e cobiça vertiginosas. São Paulo forjou
sua própria lei e transformou as demais em letra morta.
Por mais de um século, a maioria da população de São Paulo (cerca de seis
mil brancos em 1700) dedicou-se à captura de indígenas. O bandeirismo tornou-
se um negócio cuja técnica era passada de pai para filho – inúmeros jovens iam
para o sertão e muitas bandeiras eram empresas familiares unindo pais, filhos,
tios, cunhados e genros. Embora promovidas por brancos, as bandeiras não
teriam sobrevivido no sertão não fossem as técnicas indígenas. Na verdade, mais
pareciam tropa Tupiniquim do que patrulha europeia: avançavam em fila indiana
(as “trilhas de pé posto”), utilizavam canoas de tronco (as “ubás”), sobreviviam à
base de pinhões, mel e palmito (quase extinguindo colmeias e palmiteiros ao
longo das trilhas). O grosso da tropa era constituído de indígenas, escravos ou
não.
As bandeiras se tornaram, assim, uma cruel perversão dos costumes
guerreiros dos Tupi-Guarani, cujos conflitos não tinham por objetivo mais do
que a captura de vítimas para a consumação do rito antropofágico. Outro aspecto
psicológico perturbador das bandeiras se refere aos mamelucos (nome vindo dos
soldados de uma milícia turcoegípcia formada por escravos): filhos de pais
brancos e de mães indígenas, eles atacavam os índios com ódio redobrado.
A máquina escravista aperfeiçoada pelos bandeirantes começou a operar em
larga escala a partir de agosto de 1627, quando Manuel Preto e Raposo Tavares
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