Brasil, uma história


participaram de um comício-monstro na praça da Candelária, no centro do Rio



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

participaram de um comício-monstro na praça da Candelária, no centro do Rio,
para clamar por eleições diretas para a Presidência da República. Seis dias mais
tarde, no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, outro comício, em tudo
similar ao do Rio de Janeiro, revelou-se a ponta mais reluzente do iceberg da
campanha pelas “Diretas Já”, que agitou o país no verão-outono de 1984-85.
Embora os anseios da campanha (e da absoluta maioria da população urbana do
Brasil) fossem frustrados pela votação da Câmara dos Deputados (onde faltaram
22 votos para a aprovação da emenda que estabelecia a volta de eleições diretas
para presidente), tais manifestações virtualmente marcaram o fim do regime
militar.
Onze meses após a derrota da emenda, o Brasil teria seu primeiro presidente
civil em mais de vinte anos. Eleito pelo Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de
1985, Tancredo Neves recebeu 480 votos contra 180 dados a Paulo Maluf.
Desgraçadamente, um dia antes da posse, prevista para 15 de março, Tancredo
foi internado por causa de um tumor no intestino. Durante 37 dias, o país viveria
horas inesgotáveis de aflição e suspense, refém de boletins médicos fantasiosos,
até que, em 21 de abril – Dia de Tiradentes –, Tancredo foi declarado morto.
Então, as ruas do Brasil, especialmente as de São Paulo, Belo Horizonte e São
João Del Rei, voltariam a ser tomadas por multidões, saudando, entre lágrimas e
desmaios, o presidente que não foi e, mais ainda, o presidente que poderia ter
sido.


F
Com a morte de Tancredo, tornou-se presidente o vice José Sarney, que já
ocupava o cargo interinamente desde 15 de março. Sarney deu início à
redemocratização do país, que se configurou com uma nova Constituição
promulgada em 5 de outubro de 1988. Graças à nova Carta, Sarney acabou
permanecendo cinco anos no poder, prolongando em um ano o que, para muitos,
era só um período de transição entre a ditadura (à qual Sarney estivera
vinculado) e a democracia plena. Durante algum tempo, Sarney quase se tornou
um herói popular, graças ao seu Plano Cruzado, o pacote econômico que
congelou os preços e elevou brutalmente o consumo de leite, carne, cerveja,
produtos eletroeletrônicos, discos, livros e carros no país. Mas o plano acabou
naufragando (até pelo aumento desenfreado do consumo) e frustrando a atuação
dos “fiscais do Sarney” – como eram chamados os cidadãos que pretendiam
conferir se os preços estavam de fato congelados, num dos únicos exercícios de
cidadania já levados a cabo no país. Sarney não se envolveu nas eleições para
seu sucessor. De todo modo, o Brasil teria de esperar até o último mês do último
ano da década de 1980 antes de, enfim, eleger por voto direto seu primeiro
presidente em quase trinta anos (o último fora Jânio Quadros, eleito em 1961).
Em dezembro de 1989, após uma campanha acirrada e votação equilibrada, o
país saía de fato dos anos de chumbo (já muito desgastados) para mergulhar de
cabeça nos anos de lama da Era Collor.
A CAMPANHA PELAS DIRETAS JÁ
oram as maiores manifestações públicas da história do Brasil. Nos dias 10 e
16 de abril de 1984, cerca de um milhão de pessoas se concentraram
primeiro na praça da Candelária, no Rio, e depois no Vale do Anhangabaú, em
São Paulo, dispostas a derrubar o legado mais claro da ditadura militar e exigir
eleições diretas para a Presidência da República. Esses comícios foram o apogeu
de um movimento nacional que começara dois anos antes, por iniciativa de um
novo partido, o dos trabalhadores (PT). Fundado em 1980, após a reforma
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