Brasil, uma história


partir de 1963, virou chefe da conspiração civil. Chegou a armar 20 mil homens



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

partir de 1963, virou chefe da conspiração civil. Chegou a armar 20 mil homens
da Polícia Militar de Minas e, junto com os governadores do Rio de Janeiro,
Carlos Lacerda, de São Paulo, Ademar de Barros, e do Rio Grande do Sul, Ildo
Meneghetti, tramou a derrubada de Jango.
Magalhães acabaria tendo participação decisiva no desfecho do golpe, pois,
quando Castelo Branco considerou “precipitada” a partida das tropas de Olímpio
Mourão de Minas para o Rio e ligou para Magalhães ordenando que o
movimento fosse detido, o governador recusou-se a transmitir o recado.
Outro conspirador civil de grande importância para o desfecho do golpe foi
Carlos Lacerda. Na verdade, este jornalista esteve envolvido em quase todas as


conspirações que agitaram a nação desde os anos 1930. Em 1935, quando era
comunista, lançara o nome de Prestes para a Presidência da recém-fundada
ANL, o que provocou o fechamento da entidade, a eclosão da Intentona
Comunista de 1935 e o golpe do Estado Novo. Em 1939, rompido com os
comunistas, Lacerda começou a colaborar com a DIP. Seis anos depois, em
1945, já afastado de Vargas, fez uma entrevista (com o ex-candidato à
Presidência José Américo) que ajudou a acabar com a censura, forçou Vargas a
marcar eleições para 1946 e precipitou a queda do ditador. Em 1949, vereador
pela UDN e convertido ao catolicismo, Lacerda fundou a Tribuna da Imprensa.
O jornal se tornaria o mais violento foco da oposição a Vargas, fazendo com que
os colaboradores íntimos do presidente tentassem assassinar Lacerda.
A crise após o atentado da rua Toneleros levou Vargas ao suicídio. Em 1955,
Lacerda conspirou contra a posse de JK. Dois anos depois, tornou-se o líder da
UDN na Câmara e em 1960 foi eleito governador da Guanabara. Iniciou a
oposição a Jânio e, ao acusar o presidente de tramar o golpe, foi o maior
responsável por sua renúncia. Lacerda passou então a conspirar de todas as
formas imagináveis, primeiro contra a posse e a seguir contra o governo Goulart
(ele publicara cartas falsas em 1955, tentando vincular Jango a Perón). Censurou
jornais, fez aliança com militares do Brasil e dos Estados Unidos e envolveu os
governadores Ney Braga – PR e Ildo Meneghetti – RS na conspiração.
A terceira ponta do tripé dos governadores golpistas era ocupada por Ademar
de Barros – cujo slogan, nos anos 1950, fora “rouba mas faz”. Filho da
oligarquia cafeeira, Ademar participara da luta dos paulistas contra Vargas, em
1932. Mas, em 1937, após o Estado Novo, conseguiu, por indicação de Filinto
Müller, ser nomeado interventor em São Paulo, ocupando o cargo até 1941.
Fundador do PSP, Ademar se tornou um dos expoentes do populismo à
brasileira. Governador de São Paulo em 1947, perdeu as eleições para
governador, em 1954, para Jânio Quadros. Em 1955, foi vencido por JK nas
eleições para presidente, mas, em 1962, elegeu-se governador paulista. Em abril
de 1963, Ademar de Barros lançou contra Goulart o “Manifesto dos
governadores democratas”, assinado, entre outros, por Ney Braga e Ildo
Meneghetti.
Prefeito de Porto Alegre em 1951 (quando venceu as eleições contra Brizola)
e governador em 1954, Ildo Meneghetti voltaria a se eleger em 1962. Em 1955,


A
fora contra a posse de JK, e, em 1961, contra a de Jango. Durante o estouro do
golpe de 1964, retirou-se para Passo Fundo e só voltou à capital após a vitória da
“revolução”.
O clero conservador, liderado pelo cardeal D. Jaime Barros, do Rio, e pelo
padre norte-americano Patrick Peyton, também se envolveu na trama contra o
governo. No Congresso, a oposição a Goulart era liderada pelo presidente da
UDN, deputado Olavo Bilac Pinto, e pelo bloco Ação Democrática Popular,
cujos parlamentares, em sua maioria, tinham sido eleitos com o apoio financeiro
dos Estados Unidos.
Em outubro de 1964, Magalhães Pinto, Lacerda e Ademar iriam romper com
Castelo Branco por discordarem de sua política econômica.
OS CONSPIRADORES MILITARES
conspiração militar contra o governo de João Goulart começara antes
mesmo de sua posse, em setembro de 1961. Após a renúncia de Jânio
Quadros, os três ministros militares – general Odílio Denys, da Guerra;
brigadeiro Grün Moss, da Aeronáutica; almirante Sílvio Heck, da Marinha –
foram radicalmente contrários ao retorno de Goulart ao Brasil, “por razões de
segurança nacional”. Quando o arranjo parlamentarista permitiu não só a volta,
mas a posse de Jango, a trama para derrubá-lo teve início.
Na verdade, a arqueologia do golpe de 1964 remete ao movimento que
encurralara Vargas em 1954 – e acabaria sendo abortado por seu dramático
suicídio. Pouco antes da morte de Getúlio, fora lançado o “Manifesto dos
Coronéis”. Criticando a proposta de aumento de 100% do salário-mínimo (feita
por Jango, então ministro do Trabalho), o documento era assinado por 42
coronéis, entre os quais Amauri Kruel e Antônio Carlos Murici, mais 39
tenentes-coronéis, como Sílvio Frota, Ednardo Melo e Golbery do Couto e Silva.
Liderada por Odílio Denys e pelo general Cordeiro de Farias, revolucionário de
1930, a conspiração dos coronéis se reaqueceu assim que Jango assumiu a
Presidência. A esse grupo juntou-se o general Olímpio Mourão Filho (à direita,

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