Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
indispensável, houve muita discussão sobre a nacionalização das reservas depois que o primeiro poço
brasileiro foi perfurado na Bahia, em 1939. Vargas já criara, em 1938, o Conselho Nacional do
Petróleo. Em 1936, Monteiro Lobato, favorável ao uso de capital privado nacional na exploração das
jazidas, acendera a polêmica com a publicação do livro O escândalo do petróleo. Foi depois do fim da
II Guerra que o petróleo se revelou um produto tão importante quanto o aço. Companhias americanas,
como Texaco e Standard Oil, controlavam a produção e a distribuição de petróleo no Brasil. Em 1947,
no governo Dutra, surgiria a campanha nacionalista “O Petróleo É Nosso”. Seu principal líder foi o
general Horta Barbosa. Depois de discussões, prisões e acusações, nascia, em 3 de outubro de 1953, a
Petrobras – empresa mais estatizada do que Vargas pretendia. Com capital de US$ 20,3 bilhões, a
Petrobras detinha, ainda em 1997, o monopólio do petróleo no Brasil. Deficitária (US$ 415 milhões de
perdas anuais), a Companhia Siderúrgica Nacional foi privatizada em abril de 1993. Vendida por US$
1,6 bilhão, passou a dar lucro de US$ 202 milhões anuais. Já a mineradora Vale do Rio Doce, também
criada por Vargas, era superavitária, faturando US$ 2,97 bilhões por ano, quando foi privatizada em
maio de 1997, vendida por US$ 3,3 bilhões.
O BRASIL VAI À GUERRA
empréstimo dos Estados Unidos ao Brasil para a construção de Volta
Redonda foi aprovado seis meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor,
que resultou na entrada dos norte-americanos na guerra. Essa associação com os
EUA acabou se tornando um momento-chave na história do Brasil, já que, até


aquele momento, o governo Vargas jogara habilmente com os antagonismos
entre as nações democráticas e o nazifascismo, fazendo um jogo já definido
como “neutralidade interesseira”. Mas não era apenas um jogo: Vargas e seus
assessores estavam de fato divididos. Em julho de 1940 – coincidindo com a
invasão da França pelos nazistas –, o presidente fizera um discurso dúbio que
deixou norte-americanos e ingleses temerosos de que o Brasil se alinhasse aos
países do Eixo. Os generais Dutra e Góis Monteiro eram francamente favoráveis
à aliança com a Alemanha, tanto que, em 1940, Dutra chegara a sugerir que o
Brasil declarasse guerra à Inglaterra e, em janeiro de 1942, Monteiro ainda era
contrário ao rompimento das relações com os nazifascistas. Além disso,
colaboradores íntimos de Vargas, como o jurista Francisco de Campos e o chefe
de polícia Filinto Müller, também eram admiradores do regime de Hitler. E o
próprio Vargas muitas vezes se comportara como um totalitário.
O brilhantismo vigoroso do embaixador do Brasil nos Estados Unidos,
Osvaldo Aranha, fazia a balança pender para o outro lado. Em 15 de janeiro de
1942, Aranha foi a principal estrela da Conferência de Chanceleres das
Repúblicas Americanas, realizada no Rio de Janeiro. Foi ele quem propôs o
rompimento de todas as relações comerciais, políticas, militares e diplomáticas
entre as nações da União Pan-Americana e os países do Eixo. Os EUA preferiam
declaração de guerra, mas aceitaram essa decisão – e se comprometeram a
garantir a defesa territorial do Brasil. Embora o país não tivesse declarado guerra
à Alemanha – que, na época, ainda era o segundo maior parceiro comercial do
Brasil, suplantado apenas pelos EUA –, Hitler determinou o torpedeamento de
navios brasileiros. O primeiro foi afundado em fevereiro de 1942. O povo saiu às
ruas clamando por vingança, e em agosto o Brasil entrou na guerra. Em janeiro
de 1943, Roosevelt visitou a base que o Brasil autorizara os EUA a construir em
Natal. Encontrou-se com Vargas, a quem chamou de “dictator in defense of
democracy” (“ditador em defesa da democracia”), e sugeriu que o Brasil fosse
um dos fundadores da futura Organização das Nações Unidas. Vargas aceitou e,
em troca de dinheiro e armas, enviou tropas brasileiras para a Europa.

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