Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Memórias do cárcere.
O pintor Di Cavalcanti e os escritores Jorge Amado e Erico Verissimo
tiveram também seus problemas com o regime. Em 1949, na obra O tempo e o
vento, Verissimo deu sua opinião sobre Vargas pela boca de um personagem:
“Tudo nele é mediano e medíocre. Jamais teve o pitoresco dum Flores da Cunha,


N
o brilho dum Osvaldo Aranha, a eloquência de um João Neves. (…) É um
homem frio, reservado, cauteloso, impessoal (…) calmo numa terra de
esquentados. Disciplinado numa terra de indisciplinados. Prudente numa terra de
imprudentes. Sóbrio numa terra de esbanjadores. Um silencioso numa terra de
papagaios.”
João Guimarães Rosa, um dos maiores escritores brasileiros de todos os
tempos, viveu durante a Era Vargas. Embora militar e diplomata, forjou sua
alquimia do verbo na surdina, nos sertões de Minas Gerais, longe do mundo.
O AÇO E O PETRÓLEO SÃO NOSSOS
o campo econômico, o mesmo paternalismo com que Vargas tentou cooptar
escritores e artistas se repetiria não só no conjunto de regras que estabelecia
as relações de trabalho, mas, principalmente, no nacionalismo intervencionista
de uma economia fortemente estatizada. O Estado foi o principal “empresário”
do Brasil na Era Vargas, e seu campo de atuação essencial se deu nas medidas
protecionistas à indústria e na nacionalização dos recursos minerais. Em 1934,
surgiu o Departamento Nacional de Produção Mineral e, durante o Estado Novo,
foram criados o Conselho Nacional de Petróleo (1938), a Companhia Siderúrgica
Nacional (1941) e a mineradora Vale do Rio Doce (1943) – germes daquelas que
se tornariam, nas décadas seguintes, as três estatais gigantes de um Brasil ainda
fechado ao livre mercado e cujas privatizações gerariam mais polêmica do que
suas fundações. A criação da Companhia Siderúrgica Nacional, em plena II
Guerra Mundial (em que o Brasil ainda não se envolvera diretamente), foi um
marco na história da nação. No começo dos anos 1940, as importações de aço,
feitas especialmente dos Estados Unidos, representavam o maior fator de
desequilíbrio da balança comercial. Disposto a expandir seu sistema de
transportes e instalar indústrias de base (além de diminuir sua dependência
exterior), o governo iniciou estudos para a criação de uma siderúrgica. Embora
considerasse o projeto nacional exequível, a United States Steel Corp. – primeiro
parceiro procurado pelo Brasil – desistiu do negócio em janeiro de 1940. Apesar
de a desculpa oficial dos Estados Unidos ser a de que, para o Brasil, seria “mais
barato continuar importando aço”, o motivo real da desistência parece ter sido o
temor com relação “à grande incerteza nos assuntos brasileiros”.


O
A isso se somava o receio com o fervor nacionalista do governo (justificável,
já que em janeiro de 1940 surgiu o Código de Minas, que proibia a participação
de estrangeiros na mineração e na metalurgia). Desde 1938, porém, o chefe da
Comissão Executiva do Plano Siderúrgico, coronel Macedo Soares, mantinha
contatos com o governo de Hitler, e a empresa alemã Krupp, que além de
fornecer peças de artilharia ao Brasil, mostrou-se disposta a financiar a
siderurgia brasileira. Assessores do presidente norte-americano Roosevelt
consideraram a medida desastrosa, já que essa associação “asseguraria a
predominância da Alemanha na vida econômica e militar do Brasil por anos”.
Assim sendo, em troca da instalação de uma base norte-americana em Natal –
RN, os Estados Unidos emprestaram US$ 20 milhões ao Brasil. Com outros US$
25 milhões do governo brasileiro, Volta Redonda foi inaugurada em 1946.
NASCE A PETROBRAS
Embora, ao contrário do aço, o petróleo ainda não fosse, nos anos 1930, um produto tido como

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