Brasil, uma história



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história
Em novembro de 1937, Osvaldo Aranha estava nos Estados Unidos, praticamente rompido com
Vargas, quando foi informado pelo próprio presidente da decretação do Estado Novo. Ele logo
renunciou ao cargo de embaixador, declarando que a nova Constituição, a “Polaca”, “desrespeitava
as tradições do povo que lutou 100 anos por sua liberdade”. De volta ao Brasil, em janeiro de 1938,
Aranha acabou aceitando, após inúmeras reuniões com Vargas, o cargo de ministro das Relações
Exteriores. Seria o início de sua projeção internacional. A primeira exigência de Aranha para ocupar
o posto foi a de orientar a política externa brasileira no sentido contrário às teses totalitárias
abraçadas por Vargas, afastando o Brasil da Alemanha nazista e fortalecendo a união pan-americana.
De 1938 a 1944, Aranha conduziu a política internacional brasileira. Embora o Estado Novo fosse
frequentemente acusado de antissemita, caberia a Aranha, por uma dessas ironias do destino, presidir
o Conselho de Segurança da ONU quando, no segundo semestre de 1947, foi decidida a criação do
Estado de Israel. Em julho de 1953, depois de algum tempo afastado da vida pública, Aranha aceitou
o convite de Vargas para ser, novamente, seu ministro da Fazenda. Ficou no cargo até o suicídio de
Getúlio, em agosto de 1954. Foi cogitado para sucessão presidencial em 1955 e para a Vice-
presidência em 1960, ano em que veio a morrer.
Chegou a comprar 16 mil contos em armas da Checoslováquia. Irritou-se
profundamente com os recuos e vacilos de Borges e Vargas, que receavam atirar-
se à aventura golpista. Ao receber sinal verde de ambos, liderou, junto com o
velho colega de luta Flores da Cunha, o ataque aos quartéis de Porto Alegre.
Vitorioso o golpe, Aranha foi feito ministro da Justiça. Ao tomar posse,
anunciou: “A revolução não reconhece direitos adquiridos.” No dia 11 de
novembro de 1930, baixou o decreto nº 19.398, que institucionalizava os poderes
discricionários do chefe do governo provisório. Aranha seria um dos principais
responsáveis pela eclosão da Revolução de 32 em São Paulo. Primeiro, porque
queria manter no cargo o interventor, o coronel João Alberto; depois, porque
queria montar o gabinete do novo interventor, Pedro de Toledo. Por fim, depois
de acusar o ministro da Fazenda, José Maria Whitaker – único paulista do
Ministério –, de recusar-se a averiguar o desvio de 240 mil contos do Banco do
Brasil, Aranha o derrubou e assumiu a pasta. Como homem forte da economia
brasileira, foi ele quem enfrentou as consequências da crise da Bolsa de Nova
York. Assinou nova renegociação da dívida externa, que já chegava a 250
milhões de libras. A seguir, lançou o Plano Aranha, baseado na política do
“dinheiro caro”, juros altíssimos e recessão. Durante a Constituinte de 1934, foi
líder da maioria no Congresso. Mas não gostou da nova Constituição, acusando-
a de “diminuir os brios revolucionários para evitar choques, ressentimentos e


A
crises de interesses políticos irrepreensíveis”. Abandonou a pasta da Fazenda e
não quis tomar parte no novo Ministério de Vargas. Em vez disso, foi nomeado
embaixador em Washington. Antes de ir para os Estados Unidos, tentou, sem
sucesso, uma audiência com Benito Mussolini, ditador da Itália.
O PODER DO DIP
o assumir o comando da nação com poderes totais, Getúlio Vargas deu
início à estratégia que os ditadores das décadas de 1930 e 1940 estavam
tornando comum: o culto à própria personalidade. Os braços “armados” dessa
política de “fabricação” da imagem do ditador brasileiro eram o Departamento
de Imprensa e Propaganda (DIP) e o Ministério da Educação, embora ambos
tivessem atuações bem diferentes. Sob o comando do mineiro Gustavo
Capanema, o Ministério da Educação desempenhou papel mais brando no
processo de mitificação de Vargas, deixando brechas para que artistas como o
poeta Carlos Drummond de Andrade (chefe de gabinete), os arquitetos Lúcio
Costa e Oscar Niemeyer e o pintor Cândido Portinari trabalhassem na
“repartição”. Ainda assim, o Ministério seguia a ideologia autoritária e
nacionalista do Estado Novo. O Decreto-Lei de 8 de março de 1940 instituiu a
uniformização do ensino e criou a disciplina educação moral e cívica. Os alunos
eram obrigados a participar de inúmeras paradas e desfiles (nos dias da
Bandeira, da Pátria, do Soldado, da Juventude, da Raça, do Trabalho etc.). A
efígie de Vargas tornou-se onipresente. Cartilhas e livros de adoção obrigatória
em todas as escolas apresentavam versão altamente sectária da história do Brasil
e saudavam não só o ditador como também o surgimento do Estado Novo.
Mas, perto do DIP, o Ministério da Educação era um jardim de infância.
Criado em dezembro de 1939, o DIP substituiu o Departamento Oficial de
Propaganda, formado em 1931. Dirigido pelo jornalista Lorival Flores e
diretamente subordinado à Presidência da República, o DIP surgiu para
“centralizar, coordenar, orientar e superintender a propaganda nacional interna e
externa (…), fazer censura do teatro, do cinema, de funções recreativas e
esportivas, (…) da radiodifusão, da literatura (…) e da imprensa”. Com suas
cartilhas para crianças (ilustração na p. 355), seus “jornais nacionais” (de
exibição obrigatória em todos os cinemas), com a Hora do Brasil (programa


E
radiofônico que o povo apelidou de “O Fala-Sozinho”), com seus cartazes, o DIP
se encarregou de divulgar a imagem e a ideologia de Vargas em todas as
instâncias da vida nacional, imitando a tática nazista de Joseph Goebbels. Por
outro lado, o DIP censurava furiosamente todas as manifestações artísticas que
pudessem, ainda que de leve, contrariar o regime. Em março de 1940, numa de
suas investidas mais ousadas e infames, o DIP decretou intervenção no jornal O
Estado de S. Paulo, que teve sua direção destituída e ficou sob o controle do
governo até 1945. O DIP foi extinto em maio de 1945, mas em seu lugar surgiu o
DNI (Departamento Nacional de Informações), avô do famigerado SNI.
O INTEGRALISMO
les usavam uniforme verde-oliva e se comportavam com certa histeria. Por
isso, seus inimigos os apelidaram de “galinhas verdes”. Durante cinco anos,
porém, os integralistas cantaram de galo no Brasil. Especialmente depois que o
próprio presidente, Getúlio Vargas – cujas recaídas autoritárias se tornavam cada
vez mais frequentes –, saudou calorosamente o surgimento da organização que
unia todos os partidos brasileiros de tendências fascistas. A Ação Integralista
Brasileira foi fundada em abril de 1933 e logo se espalhou por todo o Brasil,
entrando em choque com grupos democráticos. Depois da fundação da ANL, em
1935, esses conflitos se intensificaram ainda mais, tomando as ruas de várias
capitais brasileiras. Os líderes intelectuais do integralismo no Brasil eram
Jackson Figueiredo, Alberto Torres e Oliveira Vianna, embora a figura-chave do
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