Brasil, uma história


parte Osvaldo Aranha (Justiça), Assis Brasil (Agricultura), Juarez Távora



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Eduardo Bueno - Brasil. Uma história

parte Osvaldo Aranha (Justiça), Assis Brasil (Agricultura), Juarez Távora
(Viação e Obras) e, acima de todos, Lindolfo Collor (Trabalho).
No discurso de posse, Getúlio prometera “promover, sem violência, a
extinção progressiva do latifúndio, desmontar a máquina do filhotismo
parasitário e sanear o ambiente moral da pátria”. Surgia um Estado forte,
paternalista,
centralizador
e
nacionalista.
Acabava-se
o
federalismo
descentralizado e liberal da “república dos fazendeiros”. A intervenção do
Estado na economia crescia: os sindicatos e as relações trabalhistas passaram a
ser controladas pelo governo. Empresas estrangeiras eram obrigadas a ter dois
terços de empregados brasileiros e a pagar um tributo de 8% sobre os lucros
enviados ao exterior. Em breve, Vargas se sentiria forte o bastante para tentar
perpetuar-se no poder.


T
Capítulo
29
O VELHO ESTADO NOVO
rabalhadores ou colegiais carregando a efígie de Getúlio Vargas numa
parada organizada em moldes militares é uma cena que se tornaria comum
no Brasil a partir de 10 de novembro de 1937. Nesse dia, Vargas instaurou
o Estado Novo, que nada mais foi do que um golpe dentro do golpe que fora sua
eleição indireta em 1934, dado após o golpe revolucionário de 1930. Ao assumir
“provisoriamente” o governo, em novembro de 1930, Vargas disse que a
revolução fora feita para “restituir a liberdade do povo”. Mas a liberdade
começou a ser suprimida oito dias depois, com a suspensão da Constituição.
Ao longo dos anos seguintes, embora sempre com o uniforme militar com o
qual chegara ao Rio, Vargas assumiu progressivamente as facetas mais
autoritárias de sua personalidade – chegando ao ponto de romper com muitos
aliados, entre os quais Aranha e Borges de Medeiros. Vargas romperia também
com os tenentes, embora colocasse em prática muitos preceitos do tenentismo.
Ainda assim, apesar de todos os senões, para muitos historiadores foi só a partir
da Revolução de 30 que o Brasil entrou de fato no século XX. A questão social
deixou de ser “questão de polícia” depois que Lindolfo Collor criou a legislação
trabalhista. Mas era uma legislação tutelar e paternalista – 100% positivista.
Graças a ela, à medida que se tornava cada vez mais ditador, Vargas ganhava
ainda mais popularidade. Virou o “pai do povo”. Em breve se iniciaria o culto à
sua personalidade, nos moldes do fascismo.
Mas seria um erro considerar um personagem complexo, contraditório e
grandioso como Vargas um mero ditador positivista. Filho de uma família de
estancieiros gaúchos da fronteira com a Argentina, com raízes caudilhistas,
Getúlio Dorneles Vargas nasceu em abril de 1883. Após breve iniciação na
carreira militar, destacou-se na política estudantil. Baixo e atarracado, afável e
eficiente, habilidoso e prudente, logo se tornaria o favorito de Borges de
Medeiros. Foi líder da maioria na Assembleia gaúcha, deputado federal em


A
1923, lutou contra os libertadores no mesmo ano e virou ministro da Fazenda em
1926.
Disposto a governar mais pela astúcia do que pela força, afastou-se
progressivamente não só de Borges, mas da herança caudilhista de Júlio de
Castilhos. Transformou-se numa espécie de “revolucionário” de consenso em
1930, assumindo o governo provisório sem oposições. Antes de começar a se
tornar o primeiro ditador brasileiro com poderes totais, venceu a “guerra” contra
São Paulo em 1932 e concordou em convocar uma Assembleia Constituinte em
1934, quando foi eleito presidente por voto indireto. Influenciado pela ascensão
do nazifascismo na Europa, saudou o surgimento do integralismo no Brasil e
depois o dizimou. Primeiro combateu e aniquilou a Intentona Comunista de
1935. Então, utilizou o pretexto dado pela “descoberta” do Plano Cohen (leia na
p. 352) para decretar o Estado Novo, que de novo mesmo só trouxe a inclusão do
Brasil no rol de ditaduras nazifascistas. Até ser deposto, em 1945, Vargas
mandou no Brasil. Cinco anos depois, voltaria ao poder – eleito pelo voto direto.
A REVOLUÇÃO PAULISTA DE 1932
o fazer uma breve parada em São Paulo, em outubro de 1930, antes de
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